João Câmara registra seis tremores de terra somente em julho

Abalo de magnitude 2.5 na Escala Richter no último sábado deixou moradores em alerta.

Da redação, Com informaçõas do Labsis,
LabSis/UFRN
Tremor de magnitude preliminar 2.5 ocorrido próximo ao município de João Câmara no úlltio sábado foi registrado pelo Laboratório Sismológico da UFRN.

O tremor de terra registrado no último sábado (13) na cidade de João Câmara, na região do Mato Grande, trouxe novamente à tona a preocupação dos moradores com eventuais desmoronamentos. De acordo com o Laboratório Sismológico (Labsis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o abalo sísmico foi de 2.5 na escala Ritcher, sendo o sexto evento somente neste mês de julho.

O município, também conhecido como “Terra dos Abalos”, registrou ainda no dia 4 deste mês, um abalo sísmico de 1.5. Ainda segundo o Labsis, não é possível saber se o evento foi um caso isolado ou um período de intensidade sísmica. Outros quatro tremores sequer foram percebidos pela população, sendo registrados somente pelos equipamentos do Labsis.

O terremoto mais conhecido no Rio Grande do Norte ocorreu em 1986 também em João Câmara. O sismo de maior magnitude em uma série de eventos foi sentido inclusive em Natal, aconteceu no dia 21 de agosto e alcançou 4.3 na Escala Richter. No mês seguinte, foram dois eventos sísmicos: 4.3 e 4.4, respectivamente. O terremoto principal ocorreu no dia 30 de novembro, com magnitude de 5.1, seguido por milhares de réplicas.

Falha de Samambaia

Samambaia é a maior falha geológica do Brasil. Tem 38 km de comprimento por cerca de 4 km de largura e atravessa os municípios de Parazinho, João Câmara, Poço Branco e Bento Fernandes. Sua profundidade varia entre 1 e 9 km. Próximo a ela se encontra a falha geológica de Poço Branco, que apesar de ser bem menor também contribui por alguns tremores naquela região.

MAPA-H

As atividades sísmicas ao redor da falha de Samambaia são constantes e em alguns casos podem causar tremores de magnitude elevada, como a de 1986.

Geologia

O Nordeste brasileiro é formado por diversos fragmentos de rochas muito antigas, com maior probabilidade de produzirem atividade sísmica local. Além disso, as camadas de solo são bastante rasas, com camadas finas de terra variando entre 4 e 25 metros acima da rocha. Em algumas localidades, a camada é tão fina que a rocha chega a ficar exposta.

Diferente dos abalos de origem tectônicos, que ocorrem nas bordas das placas continentais, os abalos relacionados às falhas geológicas acontecem quando grandes camadas abaixo do solo se tornam instáveis e desmoronam. Isso pode acontecer por inúmeros motivos, entre eles a acomodação natural, movimentos súbitos na crosta ou infiltração de líquidos, embora não sejam incomuns os tremores provocados por grandes barragens localizadas próximas ao epicentro.

Tags: João Câmara Terremoto
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