Macau aguarda recursos para conter avanço do mar

Prefeitura aposta numa parede de concreto na praia de Camapum, para contenção da água do mar.

Ana Paula Oliveira,
Cezar Alves
Avanço do mar destrói parte da urbanização da praia.
“A nossa expectativa é que até meados de fevereiro os recursos sejam liberados para iniciarmos as obras”. A declaração é do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Macau, Francisco Ubiratan Bezerra. Ele se refere aos estragos ocorridos na urbanização da praia de Camapum devido aos constantes avanços do mar.

Segundo ele, estudos feitos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apontam que os avanços do mar na praia são de origem histórica. “Temos dados que remetem a 1825, quando o mar começou a invadir a ilha de Manoel Gonçalves, primeiro povoado de Macau”, afirma.

O secretário informou que, no ano passado, o estrago foi muito grande. “Mais de 80% do muro de contenção foi destruído”, diz.

Os maiores efeitos começaram a ser sentidos a partir de 1999, quando ocorreu a primeira demolição de grande parte da urbanização da praia. O secretário acredita que o fenômeno de aquecimento global seria um dos fatores que contribuiriam para os avanços.

Para a resolução do problema, ele afirma que no ano passado a Prefeitura implantou “cabiões”, uma espécie de barreiras que tem por objetivo juntar à areia da praia. “Infelizmente essa iniciativa não funcionou”, diz Ubiratan. E conclui: “Outro projeto foi elaborado pela Prefeitura. Em vez de cabiões e pedras sobrepostas estamos apostando agora numa cortina de concreto em toda a extensão da praia, que tem 320 metros."

De acordo com o secretário, os mais prejudicados são os comerciantes no local, que perderam barracas e estão sentindo a ausência dos clientes. “O movimento na praia foi reduzido significativamente. O que é muito ruim, porque a praia de Camapum é considerada atualmente o principal reduto de lazer da população de Macau", afirma.
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