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Mais de seis mil são internados com pneumonia no RN

Dados são da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) e compreende o período de janeiro a agosto de 2009.

Por Túlio Duarte
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Vlademir Alexandre
Juliana Araújo diz que tratamento consiste no uso de antibióticos
Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) apontam que 6.327 pessoas foram internadas nas unidades hospitalares do Rio Grande do Norte com diagnóstico de pneumonia. Os números compreendem o período de janeiro a agosto de 2009.

Nestes oito meses, a Sesap registrou 289 mortes no Estado em decorrência dos mais variados tipos de pneumonia (ocasionada por bactérias, vírus, fungos e outros agentes infecciosos ou por substâncias químicas). Os números de mortes são do sistema de mortalidade da Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Sesap.

O registro só entra no sistema com a declaração expedida pelo médico apontando a pneumonia como a causa da morte. Essas mortes compreendem tanto casos na rede pública, como casos registrados em unidades hospitalares privadas do RN.

Já os dados de internação hospitalar são do setor de planejamento da Subcoordenadoria de Programação e Controle Ambulatorial e Hospitalar da secretaria.

Questionada sobre o que a Sesap pode fazer para diminuir os números e mudar essa realidade de centenas de mortes, a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica do órgão, Juliana Araújo, disse que “é difícil falar em controle da doença. Para cada tipo de pneumonia, temos que desenvolver uma estratégia diferente. Ela (a doença) é oportunista”, disse a subcoordenadora.

“Infelizmente, sempre houve pneumonia e ela sempre matou”, apontou Araújo, Segundo ela, o tratamento aqui no Estado é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consiste no uso de antibióticos.

O hospital de referência no Estado para casos de doenças infecciosas é o Giselda Trigueiro, mas Araújo avisa que o hospital não é a única porta de entrada para tratamento da doença. “Todos os hospitais podem receber casos de pneumonia”, acrescentou.

O presidente da Sociedade Potiguar de Infectologia, Hênio Lacerda, também considera complicado mudar a realidade verificada nos números acima. Para ele “a pneumonia é de difícil controle. É complicado falar em prevenção porque geralmente ela é decorrente de outro fator”.

Lacerda observa que “a pneumonia é a principal causa de morte em ambiente hospitalar”. Ele lembra ainda que “entre as doenças infecciosas, ela é a que mais leva os pacientes a óbito”.

O especialista apresenta dados do Ministério da Saúde que estima em dois milhões os casos da doença no Brasil, com 25 mil mortes por ano. Em países mais frios, como os Estados Unidos, os casos da doença são em quantidades maiores. Isso acontece porque a doença também está associada às gripes.

E as gripes têm preocupado os potiguares. O Estado registrou quase dez mortes em decorrência do vírus da influenza A (H1N1). “A influenza A pode ou não evoluir para uma pneumonia, ou do tipo oportunista por bactérias, ou pelo próprio vírus H1N1 (pneumonia viral)”, diz Araújo

A doença e os cuidados

A pneumonia é a inflamação dos pulmões, mais especificamente dos alvéolos, ocasionada em decorrência de infecção causada por bactérias, vírus, fungos e outros agentes infecciosos ou por substâncias químicas.

Na pneumonia os pulmões se enchem de pus, muco e outros líquidos, o que impede o seu funcionamento de modo adequado. Com a doença o oxigênio pode se tornar insuficiente no sangue. Há ainda o risco da infecção se espalhar pelo corpo. A pneumonia, se não tratada, mata.

A doença é mais freqüente em idosos, crianças menores de dois anos e pessoas com baixa imunidade. Por este mesmo motivo, os portadores de HIV e pacientes com câncer em tratamento com quimioterapia estão mais vulneráveis. As consequências da doença em pessoas com problemas cardíacos, renais, pulmonares (fumantes) e com diabetes é mais grave.

O presidente da Sociedade Potiguar de Infectologia, Hênio Lacerda, diz que a principal causa da pneumonia é a infecção viral respiratória, ou seja, uma gripe ou resfriado que favorecem o surgimento da doença, pois enfraquecem as defesas do organismo, permitindo a ação das bactérias oportunistas.

De acordo com Lacerda, o vírus da gripe causa uma inflamação no aparelho respiratório, principalmente, nos pulmões e brônquios. Inflamação que deixar sequelas e favorece a atuação de bactérias que, em geral, são as principais causadoras da pneumonia.

Lacerda, que também é professor do curso de Medicina da UFRN, faz um alerta para os sintomas da pneumonia: febre, dor no peito, tosse cheia com escarro amarelado. Ele observa que o paciente deve ficar muito atento principalmente a dificuldade de respirar, a insuficiência respiratória.

Segundo o professor, o aparecimento desse sintoma pode significar que o quadro da pneumonia está evoluindo. Pessoas com gripes que duram mais de uma semana também devem ficar atentas e procurar o médico.

Uma possível complicação da pneumonia é o derrame pleural, ou seja, quando há passagem da secreção do pus de dentro do pulmão para fora (para a região da pleura, que é uma membrana que reveste o pulmão) e, consequentemente, a dificuldade de respirar.

Quanto antes começar o tratamento, melhor. A recuperação é a base é de antibióticos. Se a doença estiver de moderada a elevada gravidade o tratamento requer internamento, se for leve, a recuperação é feita em casa. O tratamento dura de uma a duas semanas.

O cuidado e prevenção a outras doenças que possam baixar a imunidade é uma forma de prevenção. Para os idosos, a vacinação contra a gripe é um modo importante de se evitar complicações decorrentes de uma pneumonia.

Além disso, é preciso manter hábitos saudáveis, como praticar esportes e ter uma boa alimentação; não fumar, ter controle da obesidade, além de evitar ambientes de trabalho que agridam o pulmão, principalmente, os locais onde haja inalação de gases e poeiras.

Se já estiver com a doença, é muito importante que o paciente beba muito líquido, pois isso ajuda na desidratação e ajuda na expectoração.

Questionado se há épocas e lugares mais propícios para a ocorrência da doença, Lacerda, esclareceu que, geralmente, nas regiões mais frias do planeta a doença é mais recorrente. No Brasil, os habitantes das regiões Sul e Sudeste estão mais vulneráveis à doença.

Em Natal, nos meses de julho e agosto (período chuvoso) é quando há surto de gripe e, consequentimente, mais casos também de pneumonia. Mas os caos da doença aqui, não aumentam tanto como acontece em São Paulo.
 
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