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Moradores do Passo da Pátria convivem com o risco de novas inundações

Obras que podem evitar transtornos no período chuvoso estão paralisadas há meses. Prefeitura alega que governo federal não está liberando recursos.

Por Carla Cruz
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Fotos: Carla Cruz
No Passo da Pátria, o sentimento é um só: indignação.
Todos os anos é a mesma coisa. Ao menor sinal de aproximação do período chuvoso, cresce o receio entre os moradores das áreas mais críticas de Natal, com o risco de alagamentos. No Passo da Pátria, o sentimento é um só: indignação. As obras que poderiam evitar transtornos continuam paradas.

Há quase um ano, dona Edileuza dos Santos viu sua casa ser invadida pelas águas. Hoje, da sua janela, ela observa com medo o canal do riacho do Baldo, que escoa a água até o Rio Potengi. Em fevereiro do ano passado, a tubulação das obras de drenagem não suportou o volume das chuvas de verão e inúmeras casas foram inundadas. “Perdi tudo. Sofá, televisão, fogão, guarda-roupa, armário, colchão. Minha vizinha já se mudou, foi embora. Mas, eu não tenho pra onde ir. E está aí, tudo do mesmo jeito, abandonado”, relata a aposentada.

Mais à frente, encontramos um outro morador. Deilson Isaías nos mostra a cratera, que cresce a cada nova chuva. “Faz seis meses que está assim. Deixaram tudo para trás e esse buraco só faz crescer. O perigo é grande. Já vi gente caindo aqui”, comenta. Segundo ele, logo depois das chuvas do início de 2009, uma empresa foi contratada pela Prefeitura de Natal para dar início aos serviços. Porém, os funcionários só ficaram quatro meses no local. “O que eles me disseram era que a Prefeitura não tinha pago. Por isso, a empresa foi embora, e deixou tudo para trás”, explica.



Procurado pela reportagem do Nominuto.com, o secretário de Obras Públicas e Infra-Estrutura de Natal, Demétrius Torres, afirmou que os trabalhos estão paralisados, porque dependem de recursos federais. “A obra começou em regime de urgência, no ano passado, através de um convênio com o Governo Federal, firmado ainda em 2008. Porém, esses recursos não foram enviados e a Prefeitura não teve como dar continuidade ao processo”, argumentou o titular da Semopi.

Segundo Demétrius, na semana passada, a prefeita Micarla de Sousa esteve em Brasília e tratou dessa questão. “A prefeita decidiu que até o final de janeiro, se a verba federal não for enviada, ela vai autorizar a liberação de recursos do Município para a conclusão dos serviços. A obra será retomada a partir do início de fevereiro, mesmo que seja com recursos próprios”, concluiu o secretário.

A obra está orçada em R$ 2,3 milhões, dos quais R$ 300 mil são de responsabilidade da Prefeitura de Natal e R$ 2 milhões do Governo Federal, por meio do Ministério da Integração Nacional. Porém, o secretário não soube precisar quanto desse recurso já havia sido liberado pela União.
 
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