Críticas aos bastidores da justiça e alguns fatos engraçados estão reunidos no livro: “O juiz - nos bastidores da Justiça - sem cortes”, escrito pela oficiala de Justiça, Luiza de Marilac. Para contar um pouco sobre o livro, ela foi a entrevistada no
Jornal 96, da
96 FM na manhã dessa sexta-feira (26).
“O sistema judiciário tem muitas falhas, deixa muito a desejar. Tem muita besta fera e auxiliar do belzebu”, descreve.
Luiza de Marilac contou no livro sobre a prepotência e falhas no comportamento dos magistrados, promotores e chefes de secretarias nas diversas comarcas do Rio Grande do Norte. “Tem juiz que quando entra no judiciário, já acha que é Deus, deturpando o Código Civil brasileiro e interpretam nas sentenças, tudo de forma diferente”, aponta.
A oficiala de justiça contou que muitas vezes escutou a frase “cabeça de juiz...” e teve que se omitir, mesmo acreditando ser errada a interpretação do magistrado.
Um caso interessante contado pela oficiala é sobre a prisão de um homem que matou arribaçãs para alimentar sua família e foi preso. “A prisão do rapaz que matou as aves para alimentar sua família é revoltante. O correto era ter dado destino a apreensão para uma instituição de caridade, mas elas foram degustadas por integrantes do judiciário, no dia seguinte e eu fiquei escutando piadas, porque o pau só se quebra pro lado mais fraco”, reclama.
Ela conta outro episódio em que estava trabalhando e foi repreendida por cumprir um mandado contra uma pessoa influente. “Meu primeiro mandado para penhorar foi para uma pessoa muito conhecida na região, era um político e ele tinha tudo. Eu fiz a penhora, quando eu cheguei, devolvi o mandado e escutei do juiz ‘Luiza, não era pra você ter feito isso’ e eu tive que escutar tudo isso”, destaca.
Para ela o exemplo contado mostra que “a justiça era só para pobres”.
Luiza lista os diversos tipos de juiz:
- Juiz predador: “É aquele que tem máscaras, é o mesmo belzebu. Nas comarcas e varas, moçinhas que chegam para pequenos delitos, coisa simples, se forem bonitinhas, existe até o menu (cardápio) e quando ele se agradava de alguma dessas meninas, ele escolhia cada uma”.

A escritora do livro conta que já flagrou o magistrado acariciando as partes íntimas de uma delinqüente. “Inclusive depois o pai soube, tentou tomar satisfação, mas como ele era um simples trabalhador rural não podia ir contra um magistrado”, descreve.
- Dr. Lanche: “Comarca pequena é uma festa quando chega um juiz, colocam muita comida para ele, porque se for para lanchar do bolso ‘jamais’. Eles gostam muito de comer, mas tirar do bolso nunca”, conta.
A seridoense lembra que tinham sempre “baba ovos”. “Quando um juiz chegava, tinha um rapaz – que era muito fofoqueiro – que fazia o leva-e-traz, sondava o que o juiz queria e comprava “pela barriga”, disse.
- Dr. Academia: “Esse zombava da doença dos servidores. Certo dia quando um servidor chegou com o atestado para se submeter a um tratamento, o juiz disse: ‘Clinica de hemodiálise é academia de ginástica’. Depois de duas semanas, ele apareceu com dois furúnculos debaixo dos braços, as audiências foram canceladas e todo mundo disse: ‘Realmente, ele estava na academia, malhou bastante’”, ironiza.
No livro, Luiza de Marilac conta ainda seu trabalho como oficiala de justiça. “Um vez, eu e um colega fomos cumprir um mandado de invasão de terra, nós andávamos de moto, em dupla e ao chegarmos lá, eles estavam com um clima hostil, com pedras, pedaços de pau. Meu colega era surdo e quando os mototaxistas perceberam o clima hostil, se esconderam. Quando eu percebi, fiquei chamando meu colega e puxei o ‘condenado’ pela camisa. “Infeliz, vamos embora”,
Quem se interessar pelas histórias, pode adquirir o livro pelo valor de R$ 10 pelo telefone: 9935 5002, com Luiza de Marilac.