Luana Ferreira
Duília de Mello: “Corre ferro estelar no seu sangue!”
A astrônoma Duília Fernandes de Mello levou quase duas horas para resumir a história e o futuro do universo na palestra que abriu ontem (19) a Semana de Ciência e Tecnologia (Cientec).
O público, na maioria professores e estudantes, que lotou as cadeiras e o chão do auditório da reitoria, não arredou pé.
Munida de imagens privilegiadas – ela é pesquisadora da Nasa e trabalha com o telescópio de maior alcance da atualidade, o Hubble -, Duília de Mello falou sobre o futuro do sol, supernovas, formação do buraco negro, moléculas espaciais, nascimento de estrelas, colisão de galáxias e bolhas azuis – sua mais nova descoberta, que trata da formação de estrelas fora das galáxias.
A outra descoberta foi a Supernova 1997D, feita em um centro de pesquisa do Chile. “Tive um pouco de sorte”, disse, modesta. A cientista mostrou ainda imagens da radiação de fundo, tida pelos cientistas como prova de que o Big Bang existiu.

“Algumas pessoas dizem que essas imagens são montadas pelos astrônomos para tirar onda uns com os outros. Mas não, elas existem!”. Duília de Mello também mostrou planetas que orbitam estrelas e a primeira imagem feita de um planeta extrasolar para dizer que, sim, é possível vida fora da Terra. “Seria um desperdício se não houvesse”.
Ela brincou com a ideia de que a vida foi formada a partir da poeira estelar do Big Bang. “Corre ferro estelar no seu sangue!”. E ainda disse que tudo o que os cientistas sabem representa apenas 4% do universo. “Todo o resto é coisa exótica”.

Muitas das imagens que Duília de Mello mostrou estão expostas na entrada principal do prédio da reitoria. Antes dela, o professor de astronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, José Renan, exibiu a réplica do primeiro telescópio que Galileu Galilei apontou para o céu, em 1609, o que marcou o início da astronomia moderna.
Foi com ele que o cientista italiano descobriu que Júpiter tem quatro luas em sua órbita, Vênus tem fases, a lua não é lisa e o nosso sistema é heliocêntrico – ideia que quase o fez queimar na fogueira.
A réplica, feita de PVC, mais o tripé, de garrafa PET, será confeccionada e distribuída aos estudantes no pavilhão dedicado a Galileu durante a Cientec. O tema deste ano é “Arte, Ciência e Tecnologia: descubra o seu universo” em comemoração ao ano internacional da astronomia.
José Renan disse que apenas 7% das mulheres do mundo fazem ciência e aproveitou a presença da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), para pedir a criação do prêmio Mulher Cientista de Natal, no que foi prontamente atendido.
Além de Micarla de Sousa, que foi timidamente vaiada na entrada, os deputados federais Fátima Bezerra (PT) e Rogério Marinho (PSDB), além do reitor José Ivonildo do Rego e outros pré-reitores envolvidos com a Cientec e o XX Congresso de Iniciação Científica participaram da abertura.

Neste ano, cerca de 20 eventos acontecerão simultaneamente à Cientec, entre eles a exposição Darwin – Vida: adaptação e plasticidade, Mostra Marinha do Brasil, Atelier de Galileu, XXI Semana de Matemática, Olimpíada Universitária e XX Congresso de Iniciação Científica.
No anfiteatro do Campus haverá apresentação de música e dança durante toda a semana. O compositor pernambucano Lenine fecha o evento sexta-feira (23) com o show Labiata, mas no sábado (24) a Orquestra Contemporânea de Olinda fará seu primeiro show em Natal.
Ela foi indicada para o prêmio de melhor álbum de música regional brasileira do Grammy Latino deste ano.