Prefeitura admite que guias de turismo só levam em locais que pagam comissão

O secretário municipal de Turismo, Francisco Soares Júnior, esclareceu que museus de Natal não são visitados porque não pagam aos guias de turismo.

Maiara Felipe ,
Elpídio Júnior
O secretário municipal de Turismo, Francisco Soares Júnior, admitiu que os roteiros turísticos realizados em Natal só acontecem mediante o pagamento de comissões aos guias ou agências. Na última sexta-feira (15), o Nominuto.com denunciou o “esquecimento” do Museu Câmara Cascudo entre os locais visitados pelos turistas.

Segundo a diretora do Câmara Cascudo, Sônia Othon, a falta de “acordo” entre o museu e os guias estaria afastando o público de fora da cidade. A procura que há na instituição por parte dos turistas é apenas espontânea, portanto tímida, e não existe incentivo das agências de turismo ou do poder público para incluir o patrimônio de fato nos roteiros dos visitantes.

“Realmente as coisas funcionam assim. O turista vai onde quer, e onde a operadora diz que é bom.”, declarou o secretário sobre como são escolhidos os lugares a serem visitados. Ele salientou que os guias indicam os pontos de venda e visitação onde obtém lucros.

Soares Júnior disse que não tem como obrigar as operadoras a incluir visitas aos patrimônios históricos da cidade, mas tem se esforçado para criar um ambiente para que esse tipo de visitação se desenvolva.

“ Tive uma reunião com o pessoal da Casa de Câmara Cascudo e fiquei de fazer uma reunião com os guias para mostrar a importância do local”, explicou o secretário apontando as providências que estão sendo tomadas para quebrar as regras operacionais das agências.

Considerado um corredor histórico-cultural da cidade, o trecho entre a Ribeira e a Cidade Alta também não está entre as “preferências” dos guias. De acordo com Soares Júnior, entre os motivos está a falta de locais para estacionar ônibus, a insegurança e a falta de acessibilidade nas calçadas.

Para tentar inserir a Ribeira e Cidade Alta nos roteiros turísticos, a secretaria mandou um projeto para a Unesco que foi aprovado no final do ano passado. No plano estão previstas todas as mudanças na área para que ela contemple as reivindicações das agências.

“Vamos fazer tudo que precisa ser feito e depois mostrar às operadoras as melhorias”, esclareceu. O convênio do recurso orçado em R$ 250 mil deverá ser assinado em março ou abril.

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