Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte há 32 anos, Raimundo Nunes aponta problemas no departamento em que leciona: o de Educação Física. De acordo com ele, a piscina olímpica, uma das principais estruturas da instituição, está sem funcionar regularmente desde 2004, depois que foi “entregue” após uma reforma.
O problema surgiu depois da substituição das bombas que fazem circulação e limpeza da água. Com a entrega da piscina, três motores com capacidade de 25 hp foram trocados por seis de 1,5 hp. O número seria insuficiente para movimentar uma massa de água de 2,5 milhões de m³.
Os resultados são o acúmulo de sujeira no fundo do tanque, causando o entupimento da tubulação, que não tem força para sugar os detritos, e a impossibilidade de uso do equipamento pelos alunos e sociedade. De acordo com o professor, o problema poderia ser resolvido caso a fiscalização fosse realizada intensivamente.
“O reitor vem falando que a Universidade é um canteiro de obras, mas não adianta as construções serem entregues sem que haja a fiscalização. Temos obras com muitas falhas técnicas e até uma piscina semiolímpica, que na época, foi entregue sem o sistema de alimentação de água”, disse Raimundo Nunes.

O professor explicou que, devido a demora na resolução do problema, alguns alunos entraram no curso de Educação Física e se formaram sem sequer ter utilizado a piscina olímpica para treinar ou realizar atividades práticas. O projeto Caminágua, desenvolvido pelo professor, está sendo praticado em uma piscina semiolímpica.
Procurado para falar sobre o assunto, o reitor da UFRN, Ivonildo Rego, disse não ter conhecimento do problema. “As obras foram entregues a Superintendência de Infraestrutura e fiscalizadas pelo Departamento de Educação Física. Não estava sabendo desse problema, mas se for comprovado, vamos providenciar o reparo imediato”, prometeu.

Diante da negativa, o professor Raimundo foi enfático: “Ele sabia. Eu mesmo comuniquei diversas vezes e ele disse que falaria com Gustavo Rosado, o superintendente de Infraestrutura. Antes, eu já havia feito uma reclamação de que estava faltando cloro, mas isso foi resolvido”, disse.
O professor explicou que os estudantes saem prejudicado com o tempo de paralisação da piscina e alguns outros projetos. “Através do meu esforço, trouxe o Corpo de Bombeiros para treinar aqui. Acredito que a UFRN deve atender a todos, e não só aos professores e alunos”, definiu.