Rampa: símbolo da presença americana em Natal na 2ª Guerra

Estação da Rampa teve papel crucial neste cenário e, embora esquecida pelo poder público, representa, ainda hoje, este rico e importante período histórico.

Débora Ramos,
Foto: Elpídio Júnior
Apesar de não ter tido uma participação intensa durante o período da Segunda Guerra Mundial, o Rio Grande do Norte foi o estado brasileiro que mais viveu sob a atmosfera do conflito que assolou o planeta entre os anos de 1939 e 1945.

A presença de soldados americanos na capital potiguar, até hoje lembrada por muitos historiadores como um marco para o desenvolvimento da cidade, ocorreu devido à boa localização geográfica de Natal, que era utilizada como base de apoio da marinha americana. A estação da Rampa teve papel crucial neste cenário e, embora esquecida pelo poder público, representa, ainda nos dias de hoje, este rico e importante período histórico.

Foto: Elpídio Júnior

Nos idos de 1930, Natal era uma região de destaque entre rotas aéreas localizadas ao redor do mundo. Na época, a cidade era utilizada como escala nas rotas de vôos comerciais de companhias aéreas como a Pan American, Air France e a Lufthansa, encurtando a distancia de longas viagens intercontinentais.

Privilegiada por sua localização estratégica – que a faz um dos pontos mais próximos da África nas Américas – a cidade virou alvo do interesse do governo americano tão logo os Estados Unidos entraram na disputa contra os países do eixo, após o bombardeio japonês ao porto americano de Pearl Harbor, em 1941.

O edifício da Rampa, localizado no bairro de Santos Reis, protagonizou um importante papel no desenvolvimento na história da aviação mundial. Mas foi só a partir dos anos 40, quando já era utilizada com propósitos militares, que a Rampa começou a receber os primeiros hidroaviões – veículos anfíbios que realizavam decolagens e pousos na superfície da água.
Fotos: Fundação Rampa

Naquela época, a estrutura da Base Naval de Hidroaviões, como passou a ser chamada, era composta por um hangar de nariz, alguns prédios de alojamentos, enfermaria, cinema, sede de comando entre outras construções, semelhantes às existentes em Parnamirim Field – a outra base americana localizada no Rio Grande do Norte.

No local havia uma rampa de duas seções, construídas no início da década de 40. Uma parte da estrutura era de concreto e a outra era feita a partir de pranchas de madeira apoiadas em base de pedra. Ao todo, o investimento do governo americano para a adequação do local aos seus propósitos de guerra ficou próximo a um milhão de dólares.

Foto: Elpídio Júnior

Após as obras de melhoria, a Rampa passou a ter capacidade para operação de hidroaviões de bombardeiros médio de patrulha e outras aeronaves de tamanho e volume equivalentes. Além disso, possuía área de estacionamento pavimentada e destinada a receber os hidroaviões que eram utilizados na patrulha marítima.

No dia 28 de janeiro de 1943, Natal recebeu a presença dos presidentes americano e brasileiro na época, Franklin Delano Roosvelt e Getúlio Vargas, respectivamente. O encontro das lideranças dos dois países resultou na Conferência do Potengi que oficializou o status de base militar americana da Rampa.

Foto: Elpídio Júnior

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o espaço da Rampa passou a ser utilizado como clube social, sede de Iate Clube e restaurante. Durante um período considerável, o local foi ponto de encontro da alta sociedade potiguar, sendo utilizado como palco para grandes bailes e festas e, posteriormente se converteu em cassino de oficiais da FAB.

Foto: Elpídio Júnior

Depois disso o espaço foi esquecido e ficou inutilizado até meados de 1984, quando foi tombado patrimônio histórico pela Aeronáutica e, em 1990, pelo governo estadual. Atualmente, o espaço se encontra deteriorado, e aguarda as obras de reestruturação, prometidas pela administração estadual no ano de 2009.

Foto: Elpídio Júnior

Revitalização do espaço histórico da Rampa

Com a transferência da posse do terreno que compreende as edificações da Rampa da União para o Governo do Estado, em 13 de julho de 2009, o executivo estadual ficou responsável pela administração do espaço. Logo após mudança de “comando”, veio, ainda no mesmo ano, a promessa da reestruturação do espaço e a transformação do conjunto de construções que compõem a Rampa em um complexo cultural.

De acordo com a sub-coordenadora do patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Norte, Marilene Brito, a previsão para o começo das obras de restauração do Museu da Aviação de Natal e da construção do Memorial do Aviador é no início do ano que vem. “Atualmente estamos analisando os projetos da empresa vencedora da licitação da obra, a pernambucana CL Engenharia”, disse ela, que é encarregada de coordenar o desenvolvimento do projeto.

A obra, que será viabilizada pelo Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur) e receberá verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), propõe uma série de avanços na estrutura original da Rampa, tais como: instalação de um café com características de american bar; espaço para realização de exposições fotográficas, restaurantes e bares além de local destinado às lojas de artesanato. Já os antigos galpões vão receber o acervo do Museu da Aviação de Natal.

Foto:Divulgação/Fundação Rampa

O projeto do Memorial do Aviador compreende, por sua vez, a construção de uma grande estrutura de arquitetura moderna, feita de concreto e vídeo, assentada sobre o antigo pátio de aeronaves, onde funcionarão a sede da administração. Dentro deste espaço, haverá um auditório com capacidade para acomodar 120 pessoas. Além disso, o local contará com amplo estacionamento.

Foto:Divulgação/Fundação Rampa

Atualmente, segundo a representante da Prodetur, as obras estão em estágio de diagnósticos de projetos. "Estamos concluindo o processo de diagnóstico dos projetos hidraulicos, elétricos, museológico e arquitetônico", informou Marilene Brito, que não soube precisar o valor exato que será gasto com a revitalização da Rampa. "Precisamos revisar os relatórios antes de divulgar os valores que serão empregados nas obras".

*Com informações do portal Fundação Rampa.

A+ A-