Esta semana começou com uma situação ainda mais complicada no já deficitário serviço público de saúde. A greve dos clínicos do Hospital Walfredo Gurgel, iniciada no último sábado (16), deixou pacientes irritados, como verificou a reportagem do
Nominuto e não há previsão para acabar, segundo resultado de uma assembleia da categoria já na noite desta segunda-feira (18).
Esse é o destaque deste primeiro dia útil da semana em que o portal noticiou os desdobramentos da negociação entre governo e profissionais. A paralisação deve continuar, até que alguma das medidas anunciadas pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) hoje seja realmente concretizada.
Segundo os médicos, a reunião da tarde desta segunda com o secretário estadual de Saúde, George Antunes, resultou apenas em várias promessas, que já tinham sido feitas antes da paralisação. Por esse motivo, explicou o presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed), Geraldo Ferreira, o movimento dos profissionais continuaria.
Segundo Ferreira, o encontro com o secretário serviu para abrir as negociações, mas não há nada definido ainda. Dos quatro clínicos por turno pedidos pelos médicos, George Antunes prometeu três, que serão relocados do Hospital João Machado. “Essa questão de tirar do João Machado preocupa. Os clínicos que estão lá, já foram colocados para suprir a falta de psiquiatras”, indagou o representante do Sindicato, historiando também outras transferências de profissionais que não vêm dando certo ao longo de outras negociações.
Uma das reclamações dos clínicos diz respeito às inúmeras macas nos corredores do Walfredo. Para ampliar o número de leitos, a Sesap, junto com a Prefeitura de Natal, deverá aumentar a quantidade de leitos na rede particular.
Além disso, George Antunes disse que está estudando a possibilidade de conseguir 50 leitos no Hospital Regional de São José de Mipibu. Medidas que os médicos preferem ver funcionando para então poderem voltar às atividades.
A gratificação por produtividade dos clínicos, que tem um valor mais baixo em comparação às demais especialidades, ainda não teve definição de novos valores. Já as condições de trabalho dos profissionais dentro do hospital devem ser vistas pelo secretário na próxima terça-feira (26), quando ele irá até Walfredo para averiguar a situação da unidade, considerada crítica pelos profissionais.
Pacientes Sentindo falta de ar, dor de cabeça e dor de estômago, a babá Luzinalva Batista foi pega de surpresa quando informada pela atendente do Walfredo de que teria que procurar atendimento médico em outro lugar. Luzinalva, que é sergipana e mora em Natal há cerca de seis meses, não sabia que os clínicos gerais da unidade estavam em greve.
"Não moro aqui há muito tempo, não faço ideia de como chegar nos lugares que me mandaram ir", disse, enquanto procurava informações sobre ônibus que a levasse ao Hospital dos Pescadores, nas Rocas, ou a Unidade de Pronto-Atendimento do Pajuçara. "Estou achando essa situação vergonhosa. Como eu vou sair daqui com falta de ar para procurar um lugar que eu não sei onde fica?" desabafou ofegante, enquanto discava para o celular da "patroa" em busca de ajuda.
O desespero de Luzinalva provocou a revolta de diversas pessoas que estavam no pronto socorro. A dona de casa Vânia da Silva, que estava no Walfredo acompanhando a mãe - internada com uma hemorragia interna - tentou, sem sucesso, acalmar a babá. Vânia, que veio do município de Jaçanã, contou que passou pelo mesmo problema, durante a manhã de hoje. "Cheguei aqui com minha mãe e eles se recusaram a nos atender. Só nos atenderam depois que eu chamei todos os jornais e TVs" disse.
Greve em toda rede Na próxima sexta-feira (21), o Sinmed entregará ao secretário a pauta de reivindicação do piso salarial de toda classe médica do estado. De acordo com o presidente do Sindicato, o Governo contratou os serviços terceirizados de especialista pagando quatro vezes o que paga aos médicos do estado.
A situação estaria “gerando um desconforto”, porque o servidor está ganhando R$ 2 mil por seis plantões de 12 horas, enquanto os terceirizados recebem R$ 1.400 por um plantão de 12 horas.
O sindicato deverá esperar por cerca de uma semana a resposta de George Antunes. Em caso de indefinição pela Sesap, Geraldo acredita que a paralisação de toda a rede será deflagrada.