Secretária diz que educação do RN é ruim, por causa de histórico de greves

De acordo com Betânia Ramalho, greve dos professores dura mais de dois meses por intransigência da categoria.

Silvia Ribeiro Dantas,
Foto: Gerlane Lima
Secretária Betânia Ramalho durante entrevista ao Jornal 96, da 96 FM.
A Educação do Rio Grande do Norte é ruim, por causa de um histórico de greves. Esta é a avaliação da secretária estadual de educação, Betânia Ramalho, ao considerar que o histórico do Estado é muito desfavorável, uma vez que as paralisações da categoria são recorrentes e isso “faz com que a qualidade da educação no estado seja muito ruim”.

Em entrevista ao Jornal 96, da 96 FM, na manhã de hoje (11), a professora afirmou que o atual movimento de greve dos professores da rede estadual, já dura mais de dois meses e ainda não foi encerrado por intransigência dos profissionais. “Tivemos mais de 17 reuniões entre representantes da Secretaria de Educação, Governadoria e sindicato. O que é visível é um desencontro muito grande, dentro do próprio sindicato e nós observamos uma divergência política”, disse.

Para a secretária, a questão é que nenhuma outra administração estadual fez uma proposta como a apresentada pelo Governo do Rio Grande do Norte, de reajustar o salário em 34%. Entretanto, ainda há divergência em relação ao início do pagamento reajustado, uma vez que os professores tentam buscam a implantação imediata e o governo alega que isso não é possível por causa do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal e propõe implantar o aumento, pagando de forma escalonada em setembro, outubro, novembro e dezembro.

Betânia Ramalho explicou que existe um plano de cargos, carreiras e salários para os professores, mas que sequer foi implantado e já está defasado, além de haver outro plano tramitando. “É uma desorganização administrativa, técnica, que repercute na qualidade da educação”, avaliou.
Foto: Gerlane Lima
"É uma desorganização administrativa, técnica, que repercute na qualidade da educação", avaliou.

Em relação ao ano letivo dos alunos das escolas estaduais, a secretária garante que não será perdido, uma vez que ter 200 dias letivos é um direito constitucional de estuda nessas instituições. E, para que isso realmente seja uma realidade, tanto a secretaria quanto o professorado devem estar montando um plano. “Mas termina havendo prejuízos em relação aos concursos, como Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e vestibular. Os alunos da rede pública sempre são os precários, os que têm prejuízos, pois a qualidade da educação não pode ser incompatível com a educação pública”, completou.

Para Betânia, a qualidade do ensino das escolas estaduais no Rio Grande do Norte é ruim e isso é conseqüência do longo histórico de greves que ocorrem no Estado. “Eu entendo que há intolerâncias, que não há priorização daquilo que deveria estar acima dos interesses políticos. O governo está tendo muita paciência, o diálogo é a marca desse governo”, comenta a secretária, sobre a atual paralisação.

Entrevista


A+ A-