Na reunião realizada na Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), na tarde desta terça-feira (26), representantes do Sindicato dos Médicos apresentaram reivindicações da categoria para encerrar a greve dos clínicos do hospital Walfredo Gurgel, que se alonga há dez dias.
O presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, declarou que foi apresentado ao secretário de Saúde, George Antunes, um documento contendo mudança no plano de cargos e carreiras, a reavaliação da atual tabela de remuneração dos médicos, além da revisão dos valores sobre produtividade.
A mudança na lei da produtividade fez com que a bonificação, que variava de R$ 3 mil a R$ 3.500, passasse a R$ 800 ou R$ 900. De acordo com o presidente do Sinmed, a "garfada" dada pela Secretaria de Saúde aconteceu com o objetivo de redistribuir os valores com outras categorias médicas.

"Não achamos justo ter que repartir a nossa produtividade com as outras especialidades. Isso é um direito dos médicos. Acredito que os demais profissionais podem ser pagos com recursos de outras fontes que não seja a nossa", declarou Ferreira.
Apesar disso, ele acredita que os valores serão mesmo divididos, porém, pediu a revisão do valor ao secretário de Saúde. "Ele admitiu que irá estudar a nova proposta, mas já sabemos que vamos ter perdas", completou o presidente.
Além das questões financeiras, no encontro foi abordada a situação do hospital Santa Catarina, na Zona Norte da capital. Geraldo Ferreira destacou que desde a interrupção de atendimento no Walfredo Gurgel, os corredores da unidade esvaziaram, porém a situação no outro hospital está difícil.
Ferreira destacou que o Santa Catarina sofre com a quantidade de atendimentos que vêm sendo realizados diariamente por não ter a mesma variedade de especialidades médicas auxiliares como neurologia, urologia, cardiologia e cirurgia cardiovascular.
A título de comparação, o Walfredo Gurgel atende por mês em média três mil casos de clínica médica, contra 10 mil do Santa Catarina. Depois da greve dos clínicos, o hospital da Zona Norte a ter uma demanda 50% maior.
"Isso nos deixa em uma situação difícil, porque a rede municipal não tem dado resposta e não temos os mesmos recursos do Walfredo Gurgel para atender os pacientes com eficiência. Estamos esperando um avanço do secretário também nessa questão", afirmou Geraldo Ferreira.
A Sesap declarou que as propostas serão analisadas em conjunto com a Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos nesta quarta-feira (27) para avaliar qual o impacto financeiro ao Estado. Se acatada, a greve pode chegar ao fim ainda na quarta-feira.
Caso haja uma contraproposta da Sesap, o documento será apresentado em assembleia Sindicato dos Médicos na quinta-feira (28). A partir daí, se a proposta for reprovada, uma greve geral pode ser deflagrada no mesmo dia.