A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vai assinar nesta quarta-feira (9) um contrato com a Cooperativa dos Médicos do Rio Grande do Norte (Coopmed) para suprir o déficit de profissionais nas escalas dos quatro pronto-atendimentos de Natal.
“As unidades básicas vão continuar do mesmo jeito”, admitiu a secretária de Saúde, Ana Tânia Sampaio. Com nove processos seletivos abertos, o órgão não consegue atrair médicos para a rede, que atualmente precisa de pelo menos 100 servidores para funcionar normalmente. O baixo salário oferecido é apontado pela categoria como principal motivo para o desinteresse nas vagas abertas pela SMS.
“Sábado só tinha médico no pronto-atendimento do Cidade Satélite, ontem também aconteceu a mesma coisa”, admitiu a secretária Ana Tânia Sampaio. A titular da pasta acredita que além das licenças dos profissionais, muitos estão faltando aos plantões sem justificativa.
Diante da preocupação com o crescimento dos casos de gripe A, a carência de médico já existente, aliada aos faltosos, a secretária optou por contratar o serviço terceirizado da Coopmed. Ela não anunciou o valor do contrato, nem quantos cooperados irão trabalhar, mas informou que será pago R$ 750 por plantão. Atualmente entre oito e dez turnos semanais estão completamente sem médicos.

“ Essa é uma solução tampão”, declarou o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira. Para ele, apenas um Plano de Cargos e Carreiras e Salários (PCCS) pode melhorar a situação do médico no serviço público municipal. Ana Tânia admite que essa seja uma medida emergencial.
“ Eu espero que o projeto de lei que cria plantões eventuais seja aprovado na Câmara”, disse a secretária. Com um contrato de apenas 30 dias com a Coopmed, a esperança da gestora é que antes do recesso natalino, os vereadores aprovem o projeto que deverá é considerado um atrativo por ela. No entanto, no maior valor pago por plantão previsto no projeto é de R$ 500.
Além disso, o PCCS deverá entrar em vigor a partir de 2010. O Plano está sendo elaborado pela consultoria da Fundação Getulio Vargas e já está inserido na solicitação do orçamento de 2010 da Saúde, que gira em torno de R$ 300 milhões.
Nesta quarta-feira (9), os médicos da rede municipal deverão se reunir para discutir as mudanças na rede. Segundo a secretária, como medida punitiva aos faltosos, alguns estão tendo os seus pontos cortados e outros já foram até chamados atenção pelo Conselho Municipal de Saúde.
Dependência “Hoje Natal não tem leito para qualquer que seja o caso”, declarou a titular da pasta sobre as condições para atender os casos de gripe A. A SMS tem hoje 82 leitos contratados na rede privada, sendo 22 de Unidade de Terapia Itensiva e o restante de clinica médica. O número que não é suficiente para a demanda da capital e ainda acolhe pacientes do interior.
Sem médicos, leitos próprios e previsão de construir um hospital, a secretária disse que não teme a dependência do serviço privado. “ O público tem fragilidade e a lei permite completar com o privado”, esclarece. A gestora tem grande expectativa que o hospital comece a ser construído no próximo ano, mesmo que o Ministério não tenha aprovado ainda o projeto enviado à Brasília no inicio deste ano.
“ Não é justo que deixar o estado com toda demanda”,ressalta Ana Tânia.