Aurélio Buarque de Holanda, o homem que virou dicionário

Em 2010, centenário do filólogo, será lançada nova edição do dicionário, com 137.838 verbetes.

Isabela Santos, com informaçãoes do site Netsaber e Bom Dia Brasil.,
Foto: Divulgação
Professor alagoano Aurélio Buarque de Holanda.
O professor alagoano Aurélio Buarque de Holanda, de tão apaixonado pelas palavras, decidiu elaborar o seu próprio dicionário. O trabalho que durou anos foi terminado em 1975, quando foi publicado o Novo dicionário da língua portuguesa, conhecido por todos como dicionário Aurélio.

Neste mês de maio, é comemorado o centenário do crítico, ensaísta, tradutor, filólogo, lexicógrafo e professor de Português, Literatura e Francês. Mestre Aurélio nasceu em Passo de Camaragibe, Alagoas (2 de maio de 1910) e faleceu no Rio de Janeiro (28 de fevereiro de 1989).

Até hoje, a biblioteca que pertenceu ao professor guarda parte dos dez mil livros que ele adquiriu durante toda a vida, além dos vocábulos escritos à mão, em fichinhas.

A primeira edição do livro tinha 115 mil palavras. “Esse dicionário eu poderia dizer que significa muito da minha vida, obra de uma vida", disse Aurélio em 1975 ao Arquivo Nacional. A nova edição, que será lançada em outubro, é tão atualizada que inclui até mesmo gírias, completando 137.838 verbetes.

O autor popularizou o acesso ao dicionário e inovou ao introduzir citações de outros autores ao lado da definição das palavras. Mas não deixou que o próprio nome fosse incluído na lista, como sinônimo de dicionário.

Além do seu maior legado, Mestre Aurélio escreveu também Dois mundos, contos (1942); "Linguagem e estilo de Eça de Queirós", in Livro do centenário de Eça de Queirós (1945); Mar de histórias (Antologia do conto mundial), em colaboração com Paulo Rónai, I vol. (1945); II vol. (1951); III vol. (1958); IV vol. (1963); V vol. (1981); Contos gauchescos e lendas do sul, de Simões Lopes Neto. Edição crítica, com amplo estudo sobre a linguagem e o estilo do autor (1949); O romance brasileiro (de 1752 a 1930), história literária (1952); Roteiro literário do Brasil e de Portugal (Antologia da língua portuguesa), em colaboração com Álvaro Lins (1956); Território lírico, ensaios (1958); Enriqueça o seu vocabulário, filologia (1958); Vocabulário ortográfico brasileiro (1969); O chapéu de meu pai, edição revista e reduzida de Dois mundos (1974); Minidicionário da língua portuguesa (1977).

Também traduziu contos para a coleção Mar de Histórias, romances de vários autores, Poemas de Amor, de Amaru, e Os Pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire.
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