Baiacu na Vara arrasta multidão na Redinha

O tradicional bloco da Redinha, que completou vinte anos de existência em 2010, espera receber mais de dez mil foliões.

Débora Ramos,
Arquivo
Engana-se quem pensa que a quarta-feira de cinzas é sinônimo de descanso e fim de festa. Nesta data, há vinte anos o tradicional bloco Baiacu na Vara invade as ruas do bairro da Redinha e faz a alegria dos foliões mais incansáveis. O bloco, que saiu hoje, às 10h30, animado pelo grupo de percussão Pau e Lata e pela Orquestra de Frevo, espera receber mais de 10 mil pessoas.

Este ano o Baiacu na Vara está homenageando o artista plástico Franco Chagas, integrante do bloco desde o início de sua criação, e a Sociedade de Poetas Vivos e Afins (SPVA). De acordo com a diretora da agremiação, Cristina Medeiros, o artista foi o responsável pelo designe da camisa do bloco para o carnaval deste ano, bem como da decoração carnavalesca do bairro. “Ele está com a gente desde o começo do bloco, merece o nosso reconhecimento”, afirmou.

A diretoria informou também que cerca de duas mil camisas haviam sido vendidas até a saída do bloco, mas que a expectativa da organização era de superar o número de foliões do ano passado, que chegou a dez mil. Os emblemáticos bonecos gigantes de Dosinho - compositor potiguar de frevos - Maria Bonita, Lampião, ganharam companhia, três extraterrestres são a novidade deste ano.



A presidente de honra do Baiacuzinho – versão infantil do bloco, que saiu no domingo - Mariana Medeiros, de apenas oito anos, também estava presente e se disse ansiosa para brincar novamente. “Foi muito legal sair no Baiacuzinho, é legal brincar com as pessoas e fazer as crianças felizes”, disse a menina, um tanto tímida, acompanhada pela diretora do Baiacu, sua tia orgulhosa. Na ocasião, Cristina aproveitou para revelar a importância de se investir nas novas gerações. “Todos os blocos deviam incentivar as crianças a participarem da festa, até porque eles são o futuro do bloco.”, comentou.

Este ano, o cobiçado posto de madrinha do bloco ficou com a irreverente Danuza Arruda, drag queen alter ego do artista plástico Arruda Sales. Questionada sobre o privilégio de ostentar um posto tão importante, Danuza disse, espirituosa, que “a responsabilidade de segurar a vara do Baiacu é muito grande”. Tão grande que ela decidiu “se guardar” para dar tudo de si para o bloco.



Já a aposentada Vera Lúcia Costa de Miranda, que desfila no Baiacu na Vara há dezenove anos, disse que não está nos seus planos deixar de prestigiar o bloco. “Venho todos os anos e continuarei vindo”, contou ela, aproveitando para apresentar os filhos de 12 e 13 anos, que já participam da folia a cerca de seis anos.

O Baiacu na Vara sai da Praça do Cruzeiro em direção à Rua José Aguinaldo. O percurso também inclui duas paradas, uma no bar Nana Banana e outra no Pé de Gavião.
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