Casa cheia, porém apática na primeira noite do MADA

Bandas independentes fazem boas apresentações, mas o público queria mesmo era ver O Rappa.

Alexis Peixoto,
Vlademir Alexandre
Mesmo sem o interesse de boa parte da platéia, uruguaios do Motosierra fizeram show memorável.
A primeira noite da edição 2008 do Festival MADA atraiu muita gente até a arena do Hotel Imirá , na noite de quinta-feira (14). Mesmo sendo véspera de dia útil, aproximadamente 7 mil pessoas apareceram para conferir shows de seis bandas independentes, mais as duas atrações principais, os uruguaios do Motosierra e O Rappa.

A presença dos cariocas no encerramento da noite sem dúvida foi a grande responsável pela grande presença de público, porém acabou prejudicando a performance das outras bandas, ainda que indiretamente já que grande parte da massa estava ali apenas para vê-los.

Os shows começaram pontualmente às 21h30, com a apresentação do grupo potiguar Os Poetas Elétricos. A parcela do público que chegou cedo pôde assistir a uma banda preocupada com a performance do palco, que contou com programação visual do VJ Júlio Castro.

Os pernambucanos do Amps e Lina, banda selecionada pelo júri formado por jornalistas na Seletiva Radar Indie, também não conseguiu despertar muito interesse com seu pop cheio pontuado por intervenções eletrônicas.

A primeira resposta concreta do público só viria com os cariocas do NV que, mesmo sendo praticamente desconhecidos dos potiguares, conseguiu ensinar alguns refrões para a platéia que pulava sem parar na beira do palco.

Por volta das 23h, na apresentação do Sweet Fanny Adams (PE), a arena do Imirá já estava cheia. Não era preciso muito esforço para notar a predominância de camisetas d’ O Rappa entre o público que se aglomerava no local e pacientemente aguardava o show da banda carioca.

Sorte do Rastafeeling, que tem uma boa base de fãs. A banda, selecionada por meio de voto popular na Seletiva Radar Indie, apresentou hits como “Cidade do Sol” e conseguiu fazer o público se mexer com reggae de raiz, com direito a naipe de metais e backing vocals para incrementar o som.

Depois do show dos potiguares, a impaciência tomou conta da platéia que assistiu impassível a apresentação da Brand New Hate (RN). Apesar da segurança da banda e da boa presença de palco do vocalista, só se ouviam tímidos aplausos entre uma canção e outra.

Os uruguaios do Motosierra bem que se esforçaram para acordar o público com seu rock igualmente dosado pelo punk e pelo metal. Nem as provocações eróticas do vocalista Marcos evitaram algumas vaias e xingamentos em alguns momentos do show. Uma apresentação memorável que certamente deixou satisfeitos os fãs da banda que acompanhavam tudo da grade de segurança.

Após a despedida dos uruguaios, por volta de 1h30, começaram os pedidos insistentes do público, chamando por Falcão e sua trupe.

Quando, afinal, os cariocas subiram no palco não decepcionaram os fãs. Foi só iniciaram seu repertório repleto de hits que a platéia seguiu junto, cantando palavra por palavra de sucessos como “Minha Alma”, “O que Sobrou do Céu”, “Reza Vela”, “Pescador de Ilusões”, entre outros.
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