Centro Histórico de Natal ainda espera pelo tombamento

Área poligonal do tombamento chega a 28,43 hectares, onde estão inseridas as igrejas mais antigas de Natal.

Isabela Santos,
Fotos: Elpídio Júnior
O Centro Histórico de Natal espera, desde 2009, receber um importante reconhecimento cultural, o que poderá impulsionar o turismo no berço da cidade. A expectativa é de que até o final de 2010 a Cidade Alta e parte da Ribeira sejam tombadas, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que entre 2006 e 2009 realizou um estudo  da região a ser contemplada.

O processo está sob análise em Brasília e passará pelo conselho consultivo do Iphan, composto por profissionais das mais diversas áreas ligadas ao Patrimônio Histórico.

A área poligonal do tombamento chega a 28,43 hectares, enquanto 62,67 hectares do entorno serão protegidas de forma mais flexível. Dentre os espaços preservados, se incluem parte da linha férrea, as igrejas da Cidade Alta, Colégio Salesiano, Solar Bela Vista, Palácio Felipe Camarão, rua Chile e a rua da Conceição, onde fica a sede do Iphan e o Sobradinho (Museu Café Filho).

Como ainda não se tem o tombamento provisório, mesmo com pouca possibilidade, ainda pode haver modificações no projeto.

Além disso, a capital potiguar está inclusa no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, que visa revitalizar e restaurar centros urbanos de todo o país.

“Todo o sítio será resguardado, será sempre mantida a paisagem e a escala global da área urbana, com a morfologia, o traçado das vias, a escala dos quarteirões, todo o conjunto urbano original”, explica a arquiteta Ana Rachel Baracho, consultora da Unesco para elaboração do PAC Cidades Históricas.

O perímetro de transição entre o Centro e o resto da cidade também terá restrições quanto à modificação dos imóveis, gabarito (altura) deles e desconfiguração das características arquitetônicas, segundo o arquiteto e urbanista Murilo Cunha.

“O entorno também é tombado, de forma mais flexível, para que a transição entre o Centro Histórico e o restante da cidade não seja tão impactante, já que a área tombada tem uma legislação urbana específica”, disse, apesar de o Centro já ter diferentes estilos arquitetônicos, inclusive em uma única construção, como é o caso da maioria das igrejas.

Conheça as principais:

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação

O primeiro templo religioso construído em Natal, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação pode ser considerada colonial, apesar de ter passado por várias transformações.

Começou a ser construída de pedra e cal nos primeiros anos de colonização do Rio Grande do Norte. O destaque é a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, encontrada por ribeirinhos às margens do Rio Potengi, em 21 de novembro de 1753, justamente o dia de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira de Natal.



Em torno da igreja foram crescendo as ruas, fazendo com que a praça André de Albuquerque seja considerada o marco zero da cidade.

A data provável de fundação é 1599, mas alguns estudiosos a negam, bem como ignoram a aparência da capela primitiva, já que uma nova igreja foi projetada sobre ela em 1619. Nessa época, sob domínio holandês, a vila era chamada de Nova Amsterdã e o prédio tornou-se templo calvinista.

Após a expulsão dos invasores, a igreja passou por reformas e ampliação até o ano de 1694. O batistério e a casa do padre só seriam construídas em quase 100 anos depois. E para se ter ideia do quanto demorou a conclusão, somente em 1862 foi edificada a torre, somando mais de 250 anos.

Com tanto tempo de obras, o resultado foi uma arquitetura desconexa, que em 1994 tentaram suavizar, em um minucioso trabalho de restauração. “Foram removidos todos os elementos de gosto eclético, impostos no templo a partir do final do século 19”, disse a superintendente do Iphan, Jeanne Nesi para a publicação “Centro Histórico de Natal”, obra que apresenta resultado do estudo feito pelo Instituto para o tombamento e está disponível para compra na sede do Instituto.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

A segunda igreja mais antiga de Natal foi construída por volta de 1711 a 1774 pelos escravos negros, homenageando Nossa Senhora do Rosário, que atende às necessidades dos pobres.



Situada na Praça do Rosário, a Igreja do Rosário está sobre platô que tem visão privilegiada. De lá, pode-se ver toda a paisagem do estuário do rio Potengi, segundo Nesi. O templo mostra a beleza clássica e barroca e já foi tombada pelo Governo Estadual, em 1988, quando ganhou restauração.

Nela se celebra a missa segundo a forma extraordinária do rito católico romano, segundo o "Motu Proprio" Summorum Pontificum (com rito antigo romano) do Papa Bento XVI.

Igreja de Santo Antônio dos Militantes (Igreja do Galo)

Talvez a construção religiosa mais bonita de Natal; a Igreja de Santo Antônio exibe seu oponente altar barroco em madeira e piso de pedras datados em 1766, além dos anexos construídos posteriormente: o Convento Santo Antônio e o Museu de Arte Sacra.



Ficou conhecida como igreja do Galo por causa do objeto de metal que se encontra na cúpula da torre, um presente do Capitão-mor Caetano da Silva Sanches, devoto do santo e governador da capitania entre 1791 e 1800.

A igreja de hoje, assim como as demais, é fruto de uma série de reformas e acréscimos, realizados com o intuito de se adequar às diferentes atividades desenvolvidas no lugar. Isto porque, o templo já abrigou o Quartel Policial da Cidade, o Colégio Diocesano Santo Antônio e o Colégio Santo Antônio Marista, antes do monastério.

Além dos grandes festejos durante o novenário de Santo Antônio, que culmina em 12 de junho, a paróquia festeja o dia de São Francisco de Assis, em 4 de outubro.

* O Nominuto.com consultou o livro Centro Histórico de Natal e o site www.turismo.natal.rn.gov.br.

 

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