François Silvestre lança suas memórias em "As Alças de Agave"

Livro apresenta pela primeira vez a versão do ex-presidente da FJA sobre o caso do "Foliaduto".

Alexis Peixoto,
Reprodução/ Alexis Peixoto
Publicado pela editora Sebo Vermelho, o livro não terá lançamento oficial.
Foi lançado esta semana, pela editora Sebo Vermelho, o livro "Alças de Agave", conjunto de memórias assinado pelo escritor François Silvestre. Entre os diversos assuntos abordados no livro, está a versão do ex-presidente da FJA para o caso do "Foliaduto".

Misto de coleção de crônicas com memórias pessoais, o livro se debruça sobre a infância e juventude de François Silvestre, passando por seu período de atividade política, quando esteve à frente de instituições públicas ligadas à cultura.

Sem se ater somente às vivências pessoais do autor, o livro também oferece digressões e opiniões sobre instituições de grande importância no país, como o Ministério Público, a imprensa e a magistatura.

O volume abre focando na infância do autor, quando ele morava com os pais e onze irmãos no município de Riacho da Cruz, região Oeste do Rio Grande do Norte. No primeiro capítulo, François escreve com segurança sobre a situação econômica da família e o assassinato do pai, morto por desavenças políticas.

Nos trechos seguintes, o autor se dedica a esmiuçar detalhes de episódios de sua vida pública, como seu primeiro contato com a Fundação José Augusto, ainda nos tempos da Ditadura militar, época em que ocupava o cargo de Diretor de Cultura da Casa do Estudante, então sob presidência de Emanuel Bezerra.

No capítulo intitulado "O Espeto de Assar Inveja", o autor narra as circunstâncias em que o levaram a assumir a presidência da Fundação e faz uma fria análise da situação em que os patrimônios culturais do Estado se encontravam na época.

François também aproveita e expõe detalhes de alguns dos projetos desenvolvidos e implantados em sua gestão, como as Casas de Cultura Popular.

"O programa das Casas de Cultura era uma idéia antiga, que me encafifava o quengo sempre que eu via talentos culturais perdidos no interior do Estado. Poetas capinando nos roçados, músicos nos botecos sem reconhecimento do talento, pintores por trás de bodegas, ajudando a pobreza dos pais", relata.

Foliaduto

O capítulo do livro que deve render mais comentários em rodas de conversas nos próximos dias é o intitulado "A Ala-Ursa da Folia Fantasma". Nele, François Silvestre dá pela primeira vez sua versão do episódio envolvendo desvios de recursos públicos, que ficou conhecido por "Foliaduto".

O relato do ex-presidente da FJA começa no dia em que ficou sabendo sobre o caso, quando leu uma nota que fazia referência aos repasses, publicada em um jornal da cidade.

Desde as primeiras reuniões com seus assessores até o seu afastamento da presidência da FJA, o caso é retratado com lucidez pelo autor, que sempre se mantêm seguro em relação ao seu testemunho.

"Bato no peito e desafio qualquer desafeto a provar, de qualquer forma, meu envolvimento neste episódio. Desafio os burocratas do Tribunal de Contas ou os investigadores do Ministério Público a apresentarem um indício de omissão ou ação minha em todo este episódio", escreve.

Sem lançamento

Segundo informa o editor Abimael Silva, "As Alças de Agave" será o primeiro livro publicado pela editora Sebo Vermelho que não contará com uma festa de lançamento, a pedido do autor.

O livro já se encontra disponível no Sebo Vermelho, na avenida Rio Branco, e em várias livrarias e bancas de revista da cidade, ao preço de R$ 40.
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