Rejane Medeiros é homenageada na abertura do Goiamum Audiovisual

Atriz potiguar, musa do cinema brasileiro nos anos 70, se emocionou com homenagem.

Alex de Souza,
O Goiamum Audiovisual foi aberto oficialmente ontem (2), com uma homenagem à trajetória da atriz seridoense Rejane Medeiros. Durante o coquetel, a história da potiguar que seguiu para o Rio de Janeiro para realizar o sonho de trabalhar no cinema foi contada pelo jornalista Renato Fernandes, que prepara uma biografia de Rejane.

Arredia, Rejane comentou como foi o início de sua carreira cinematográfica. “O cinema foi uma experiência maravilhosa para mim. Foi realizar um sonho de adolescência, quando já achava que não poderia ser artista. Ao receber o convite do Roberto Farias, foi um momento de sonho, em que voltou tudo que me fez querer ser atriz”, diz.

“Eu não tinha noção do que era ser atriz. Então quando cheguei na produtora, dei logo de cara com o Jece Valadão e fiquei assustada com aquela imagem dele, do ‘cafajeste’. Eu me arrumei toda e, na hora do teste, o Roberto falou: ‘Por baixo dessa pintura horrível você é o tipo que mais se aproxima do personagem. Você volta para casa, tira tudo e volta aqui amanhã sem nada’. No outro dia, quando cheguei ele olhou para mim e disse: ‘É você mesmo’”, lembra.

Rejane falou ainda da infância e adolescência em Natal e Acari. “Saí de Acari com seis anos, estive lá de novo com 12 para uma festa de família e nunca mais voltei”, diz. Foi quando morava em Natal que surgiu a paixão pelo cinema. “Eu colecionava revistas, tinha um baú com fotos de atores”, lembra. O jornalista Renato Fernandes comenta que, como não tinha dinheiro para comprar os ingressos, Rejane trabalhava para poder ir ao São Luís, no bairro do Alecrim. “Ela fazia cocadas e com o dinheiro passava as tardes assistindo aos filmes. Era preciso o pai dela tinha que ir buscá-la para chamá-la para casa.”

Na época, chegou até a pensar em fugir. “Quando tinha uns 17 anos, combinei com uma prima que íamos fugir, para tentar ser artista. E estava tudo combinado, mas eu chegava e comentava para todo mundo que ia fugir. Quando minha mãe soube, me tirou da escola, pegou o baú e falou que ia queimar as fotos... São tantas lembranças”, revela Rejane.

A carreira ficou marcada por personagens fortes, que ganhavam vida com a beleza selvagem de Rejane Medeiros. Foi assim, que após trabalhar em vários filmes nas décadas de 60 e 70 (entre eles o premiado A Noite do Espantalho, do compositor e diretor Sérgio Ricardo) que surgiu a proposta para o papel que marcou a carreira da atriz: o de Anita Garibaldi na minissérie italiana Il Giovane Garibaldi.

“O diretor Franco Rossi queria para o papel uma atriz brasileira, apesar de o estúdio ter sugerido atrizes famosos como Claudia Cardinale ou Anna Magnani, ele bateu o pé”, explica Fernandes. “A Globo mandou todo o casting deles para a seleção, mas Rossi não aprovou. Foi quando lembraram da Rejane, que nem trabalhava na Globo.”

“Embarquei para Itália e a assistente do diretor marcou uma filmagem. Ele gostou muito e disse: ‘É você que quero mesmo’. Então voltei para o Rio e comecei a me arrumar para viajar. Foi quando ligaram dizendo que a produção tinha fechado com uma atriz italiana. Fiquei chateada, mas uma amiga comentou: ‘Rejane, o que é do homem, o bicho não come’”, lembra Rejane Medeiros.

“Quando o Rossi voltou e soube que tinham arranjado outra atriz, ele bateu o pé e disse que só fazia o filme se fosse com Rejane”, explica Fernandes. “Não tinha idéia que aquele seria meu melhor trabalho”, avalia a atriz.

Problemas pessoais afastaram Rejane das telas. “Tive um envolvimento com drogas. Então naturalmente as pessoas começaram a se afastar. Depois casei (com o músico Egberto Gismonti, com quem teve dois filhos), tive filhos, minha vida mudou”, explica.

Rejane se tornou uma pessoa reclusa e se espantou com a repentina redescoberta de sua contribuição para o cinema brasileiro, primeiro com a matéria publicada na revista Joyce Pascowitch, depois com o documentário sobre sua vida para o Canal Brasil e agora com a homenagem no Goiamum Audiovisual.

“São 20 anos que não venho aqui. É tudo tão estranho, as pessoas filmando tudo. Quero falar, mas tudo foge. É isso”, diz, emocionada.
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