Representantes da literatura potiguar debatem câmara setorial

Reunião mapeou instituições das letras para a escolha de representantes e marcou encontro que definirá comissão provisória.

Vinícius Menna,
Vlademir Alexandre
Classe de escritores e poetas ouve a proposta da FJA.
Artistas das letras se reuniram nesta terça-feira (18), no auditório Poeta Franco Maria Jasiello, na Fundação José Augusto (FJA), para debater a formação da Câmara Setorial do Livro e Leitura.

A iniciativa faz parte da política que está sendo implantada pela FJA para que os artistas participem da gestão dos recursos públicos voltados para cultura. A idéia é investir no diálogo com as diferentes áreas de atuação no ramo cultural e num modelo de gestão semelhante ao utilizado pelo Ministério da Cultura.

São as chamadas câmaras setoriais, órgãos consultivos formados por artistas e coordenados por funcionários da Fundação.

Na reunião, a proposta da criação da Câmara Setorial do Livro e Leitura foi apresentada a classe artística ligada às letras por Venâncio Pinheiro, gestor do complexo editorial Maninbu, da FJA.

Segundo ele, o pontapé inicial para que a câmara setorial comece a sair do mundo das idéias é a formação de um conselho editorial. “Com esse conselho, formaremos um plano editorial do Estado”, explicou o coordenador.

Vlademir Alexandre
“Queremos fazer a seleção dos 100 livros imprescindíveis", diz Venâncio.
A próxima reunião será daqui há uma semana, na terça-feira (25), às 14h, em que serão selecionados representantes de várias instituições para a formação do conselho da Câmara Setorial do Livro e Leitura.

Venâncio Pinheiro revela a primeira das ações da câmara. “Queremos fazer a seleção dos 100 livros imprescindíveis do RN, que serão reeditados a partir de critérios de importância geográfica, histórica e sociológica. A seleção servirá para ter uma visão ampla da literatura no RN”, declarou.

Além disso, está dentro dos projetos da Câmara Setorial do Livro e Literatura o barateamento do livro. “Temos que fazer com que o livro não custe tão caro e tenha maiores tiragens. Ao invés de fazer 300 livros, faríamos 5 mil livros para distribuição de cunho educativo, nas escolas”, comentou Venâncio Pinheiro.

Ao redor das câmaras setoriais, há a proposta maior. Fazer com que se crie uma política que não seja simplesmente de gestão ou governo, mas sim de estado. Algo que fique incrustado na política cultural do Rio Grande do Norte e, com a participação da classe artística, vire um direito dos setores culturais do RN.

Artistas

De acordo com o presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, é preciso ouvir os que produzem a cultura, os que a vendem e os que a consomem.

No encontro com os representantes das letras, o poeta Crispiniano Neto falou ainda do sucateamento da gráfica Maninbu, que por 44 anos publicou mais de 500 livros. Falou também da inoperância da Biblioteca Câmara Cascudo. “Há mais de 20 anos, nenhum livro foi comprado”, disse o presidente da Fundação.

Mas não se vêem só problemas. O poeta falou ainda da iniciativa da Lei do Livro, proposta pelos deputados estaduais Fernando Mineiro e José Dias, que se comprometeram em lutar pelo aumento dos recursos para distribuição de livros junto às bases políticas dos quais fazem parte.

“A Revista Preá vai voltar em breve. Conseguimos uma liberação de 110 mil reais, que servirá para pagar a última edição, que não foi quitada, e para o desenvolvimento do próximo número. A próxima edição está sendo preparada e a licitação para a empresa que irá fazer a impressão está sendo encaminhada”, revelou Crispiniano Neto.

O presidente da FJA disse ainda que algumas novidades em relação a revista vêem por aí. “Estamos começando alguns contatos para anúncios. Das 100 páginas, 80 serão para matérias. Isso permitiria que fizéssemos uma edição mensal para a Preá”, disse.

“Além disso, se conseguirmos chegar a 10 mil revistas por edição, distribuiríamos gratuitamente as 5 mil revistas que já entregávamos de graça e venderíamos as restantes a baixos preços, cerca de 4 ou 5 reais”, arremata o poeta.

Segundo o presidente da Fundação, no máximo em 60 dias a revista sairá. O atraso se deve à licitação de uma empresa que faça a impressão. Como o parque gráfico da FJA não suporta a reprodução, é preciso terceirizar o serviço.

O desenvolvimento de dicionários de todos os setores da cultura do Rio Grande do Norte também está nos planos da FJA. A melhora da orientação dos artistas para a elaboração de projetos culturais em editais de incentivo à cultura é outra medida que a Fundação vislumbra.

Fundo de Cultura

Vlademir Alexandre
O poeta Crispiniano Neto anuncia para 2008 a criação do Fundo de Cultura.
Crispiniano Neto acabou tocando em um assunto de interesse dos que fazem a literatura no estado. É o Fundo de Cultura, que prevê uma parcela de dinheiro para projetos que são aprovados pelas leis de incentivo, mas não conseguem captar o recurso.

“Projetos que envolvem livros, apesar de serem baratos, têm uma dificuldade muito grande para captar recursos, pois não tem apelo comercial, como os festivais de rock, por exemplo”, afirmou o presidente da FJA.

Mas, de acordo com o poeta, o Fundo de Cultura vai demorar. Ele explicou que a sua criação só poderá ser feita em 2008 devido às prioridades atuais. Além disso, a implantação dele, só em 2009.
A+ A-