Salah ameaça não jogar após 'encontro forçado' com líder da Chechênia

Federação Egípcia promoveu banquete oficial com Ramzan Kadyrov antes do início da Copa.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Divulgação/Twitter
Atacante egípcio, Mohamed Salah, teria se irritado pelo uso da sua imagem para fins políticos.

selo-copa-100x100-vermO atacante Mohamed Salah pode ficar de fora da despedida da seleção do Egito da Copa do Mundo da Rússia. Já eliminada, a equipe enfrenta a Arábia Saudita nesta segunda-feira, às 11h (de Brasília), para tentar encerrar sua participação de maneira honrosa. No entanto, uma polêmica fora de campo pode tirar o astro do confronto.

Salah até tem condições físicas de entrar em campo - o problema no ombro esquerdo, lesionado durante a final da Liga dos Campeões um mês atrás, já não causa maiores incômodos. O problema, no entanto, é que o atleta estaria severamente irritado com a Federação Egípcia por ter feito uso da sua imagem de uma forma que o desagradou.

A entidade egípcia promoveu um encontro com o líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, e o grupo de jogadores em um banquete. Na ocasião, Kadyrov presenteou Salah com a cidadania honorária da República da Chechênia, e anunciou nas redes sociais com uma foto ao lado do atacante.

A imprensa europeia afirma que o egípcio cumpriu todo o protocolo pretendido pela Federação Egípcia durante o evento, mas teria confidenciado a pessoas próximas a sua insatisfação com o ocorrido e, por isso, estaria cogitando abandonar o elenco antes mesmo da última rodada da fase de grupos e, inclusive, deixar a seleção.

Salah já se irritou anteriormente com o uso da sua imagem por parte da Federação. Na ocasião, a entidade utilizou uma foto sua para ilustrar o ônibus da equipe. Desta vez, o atleta se incomodou em ser símbolo de disputas políticas ao, contra sua vontade, ser visto junto ao líder da Chechênia.

A Chechênia é uma região de maioria muçulmana no sul da Rússia que sofre com guerras entre separatistas e as forças armadas do país. Kadyrov, ex-rebelde, hoje é líder da região e é acusado de violação de direitos humanos, assassinatos, além de liderar um programa contra homossexuais - ele nega todas as acusações.

A Federação Egípcia, no entanto, veio a público para desmentir a informação de que Salah estaria deixando o grupo por estar insatisfeito com o encontro. "Apenas o que ele escreve em seu Twitter é o que conta", afirmou Osama Ismail, porta-voz da entidade. "As notícias de que Salah quer ir embora são completamente erradas. 'Mo' está conosco e está feliz na concentração. Está comendo e rindo com os companheiros de equipe. Está treinando muito bem, e significa que não há problema algum", encerrou.

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