O que é um cineclube?

Hermano Figueiredo veio a Natal para participar do Goiamum Audiovisual. Ele lançou por essas bandas o Manual da Prática Cineclubista.

Vinícius Menna,
Vinícius Menna
Após 30 anos de experiências, hermano faz o Cineclube - Organização e Funcionamento.
O cineasta e cineclubista Hermano Figueiredo lançou na semana que passou o livro Cineclube - Organização e Funiconamento, que ele também chama de Manual da Prática Cineclubista. O lançamento fez parte da programação do Goiamum Audiovisual. Hermano já foi presidente do Cineclube Tirol, em Natal, e atualmente tem uma Ong chamada Ideário, ligada ao audiovisual. Mas, primeiramente, o que é um cineclube?

"É um grupo de pessoas que, desejando ter acesso a obras audiovisuais e apreciá-las de forma crítica, se organiza para viabilizar sessões de cinema. As pessoas escolhem o filme que querem ver e se organizam para viabilizar uma programação periódica de filmes. O cineclube é a forma mais democrática de relação público-cinema", explicou o cineasta.

Hermano Figueiredo contou que o livro surgiu para atender demandas de alguns cineclubes que já existiam fazia um tempo e de outros que ainda estão se formando. Esses últimos, principalmente, por estarem no estágio inicial, tinham certa dificuldade de andar.

"No Manual da Prática Cineclubista, tentei passar experiências de 30 anos, não só minhas, mas experiências que eu vi, procurarando apontar caminhos e procedimentos básicos para o funcionamento de um cineclube", comentou.

No livro, o autor trata da importância da programação – como fazer e agrupar os filmes – de como instigar o debate, como manter a sustentabilidade, de ter uma vida institucional, um regimento interno e a obtenção de um CNPJ.

De acordo com o cineasta, os cineclubes que estão começando "esbarram" muito na programação.

"Uma dica é fazer a exibição de curtas-metragens, procurar realizadores da ABD e de outros que mandam cópias. Além disso, é possível procurar entidades diplomáticas como embaixadas para obter contatos. A própria Programadora Brasil é uma grande iniciativa para os cineclubistas com acervos disponíveis na internet", explicou Figueiredo.

Sobre a questão de os cineclubes utilizarem filmes baixados da internet, o cineasta revela-se a favor. Para ele, ao cineclube isso deveria ser permitido porque é uma entidade que não tem fins lucrativos e ajuda como um suporte educativo.

Segundo Hermano Figueiredo, na época da ditadura, as dificuldades eram imensas para se montar um cineclube. "E o cineclube tinha que existir. Antes, nos correspondíamos sem internet. Tudo era feito por telefone ou correspondência. Hoje, a velocidade da troca de informações facilita na troca de experiências", comentou.

Para o ele, atualmente, fazer e manter um Cineclube é mais fácil devido a políticas públicas adotadas pelo governo para o audiovisual. "Hoje, a condição para o cineclubismo é bem melhor. A Programadora Brasil facilita muito a programação dos cineclubes com lista de sugestão de filmes na internet", disse Figueiredo.

Começo
Vinícius Menna
Hermano Figueiredo começou com o cinema na década de 1970, no Recife.
O cinema começou para Hermano na década de 1970, no Recife, época em que ele era ator de teatro. Então, ele se juntou com um pessoal que queria fazer uma sessão de filmes de arte, implantando o projeto no Cinema Arte Palácio.

"Logo tive destaque. Comecei a montar a programação, sinopses, depois resolvi fazer críticas de filmes. Foram dois anos fazendo e organizando essas sessões", contou o cineclubista.

Hermano Figueiredo nasceu no mesmo ano em que surgiu em Natal o Cineclube Tirol. Os destinos dos dois se encontraram mais na frente, em 1982. A data marca a presidência dele no Cineclube Tirol. Em 1986, o cineasta foi eleito novamente para a presidência. Nos anos 1990, ele voltou e reorganizou uma diretoria. Este foi o último ano de atuação do projeto.

Atualmente, o cineclubista faz oficinas de Leitura, experiência audiovisual e prática cineclubista pelo Brasil, como instrutor. Para ele, é ideal para o cineclubista ter uma leitura, uma interpretação do audiovisual.

"As oficinas são a melhor forma de atingir o público. São interativas e com ela formamos vários cineclubes.Constantemente, eu recebia por uma comunidade no Orkut dúvidas de várias pessoas que fizeram oficinas comigo. Eu lia algumas experiências de gente que estava montando cineclubes e estava patinando, e descobria onde estava o nó", contou Hermano Figueiredo.

O cineclubista ainda cunhou uma expressão chamada "Movimento dos Sem Tela". "Isso é mais uma atitude. Viajávamos e exibíamos em superfícies inusitadas. É algo que não é só performático, mas também político, no sentido de dizer que podemos exibir em qualquer superfície", explicou.

Hermano Figueiredo trabalha com a ONG Ideário, em Alagoas. O projeto é um Ponto de Cultura do Ministério da Cultura (MinC). É um cineclube, mas que tem um algo mais que nem todo cineclube tem.

"Desempenhamos um trabalho com característica de formação. Fizemos lá, por exemplo, o manual de elaboração de projetos. Sempre nos preocupamos muito com a formação", disse o cineclubista.

No site da ONG Ideário, Hermano Figueiredo disponibilizou o Manual da Prática Cineclubista para download grátis.
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