Da Fortaleza nasce uma cidade

Conheça, nessa reportagem - a primeira da série Turismo e História - o Forte dos Reis Magos, marco do nascimento de Natal.

Thyago Macedo,
Foto: Jaeci
Fortaleza dos Reis Magos.
Nesta semana, o Nominuto.com lança uma série especial sobre a história e o turismo em Natal. Dentre os pontos e monumentos arquitetônicos que ilustrarão as reportagens, um deles é considerado o marco e ponto de partida para o nascimento da capital potiguar: a Fortaleza dos Reis Magos.

A estrela, construída em alvenaria de pedra e cal, foi durante muito tempo símbolo de força e estratégia militar, mas, mais do que isso, representa a história de um povo e 412 anos depois ainda atrai a curiosidade de estudantes, turistas, pesquisadores e artistas. “Mesmo passado todo esse tempo, ainda hoje descobrimos histórias novas sobre cada setor dessa Fortaleza”, garante o coordenador do Patrimônio, Pedro Abesch.

Foto: Elpídio Júnior
Pedro Abesch, coordenador do Patrimônio.

Por dia, a média de visitantes é de 100 pessoas, tirando as excursões escolares, que têm entrada gratuita no Forte. Com isso, a estimativa é de 120 mil pessoas por ano, conhecendo e reconhecendo as muralhas, prisões, calabouços, capela e canhões.

“Na capela, inclusive, nós descobrimos uma história interessante. O local, na verdade, não era bem um ponto de religiosidade. Aqui, os militares escondiam a pólvora, mas, para enganar os inimigos colocaram o nome de capela”, explica Pedro Abesch.

Foto: Elpídio Júnior

Para ele, que conhece detalhadamente cada quarto escuro da Fortaleza e suas histórias, o ponto mais prestigiado e que mais atrai atenção das pessoas não tem nada de escuro. “Sem dúvida, a beleza da Fortaleza está na parte de cima. A vista que ela nos proporciona é algo que encanta a todos. Daqui, podemos dizer que vemos Natal como ela é”, destaca.

De fato, a vista que há 412 anos atrás (antes da fundação de Natal), era apenas água, terra e mata, hoje, enche os olhos com os mais variados estilos arquitetônicos, principalmente, prédios que se misturam com as árvores e o brilho refletido do sol, também símbolo da cidade.
Foto: Elpídio Júnior

“Inclusive, nós temos aqui nesse ponto um detalhe muito importante. Lada a lado, nós temos os dois mais imponentes monumentos construídos pelo homem no Rio Grande do Norte, a Fortaleza dos Reis Magos e a Ponte Newton Navarro. Juntos, eles proporcionam uma bela vista, acompanhada das águas do mar”, ressalta o coordenador do patrimônio histórico.
Foto Elpídio Júnior

Localizada no final da Praia do Meio, a Fortaleza dos Reis Magos, batizada originalmente como Fortaleza da Barra do Rio Grande, teve seu projeto arquitetônico desenvolvido pelo padre jesuíta Gaspar de Samperes. Ele era mestre em engenharia na Espanha e discípulo do arquiteto italiano Giovanni Battista Antonelli.

O monumento foi descrito por Câmara Cascudo da seguinte forma: “é a forma clássica do forte marítimo, afetando o modelo do polígono estrelado. O tenalhão abica para o norte, mirando a barra, com os dois salientes. No final, a gola termina por dois baluartes. O da destra, na curvatura, oculta o portão, entrada única, ainda defendida por um cofre de franqueamento, para quatro atiradores e, sobrepostos à cortina ou gola, os caminhos de ronda e uma banqueta de mosquetaria. Com sessenta e quatro metros de comprimento, perímetro de duzentos e quarenta, frente e gola de sessenta metros, o forte artilhava-se de maneira irrepreensível”.
Foto: Elpídio Júnior

Depois de usada na Segunda Guerra, onde os militares americanos chegaram a construir um Farol em cima do Forte (substituído mais tarde pelo Farol de Mãe Luiza), a estrutura passou muitos anos abandonada. “Aqui, durante muito tempo servia de abrigo para moradores de rua. Mas, em 1965, a Fortaleza foi totalmente restaurada e organizada para funcionar como ponto turístico”.

Por ser símbolo da história potiguar, são os norte-rio-grandenses os maiores visitantes do Forte. No entanto, muitos turistas de outros estados brasileiros tem curiosidade e se interessam pelos contos e mistérios por trás de cada pedra.
Foto: Elpídio Júnior

“Nós também recebemos turistas estrangeiros, a maioria da América do Sul. Recebemos europeus, mas em menor escala. A Europa é muito rica em construções históricas do nível da Fortaleza dos Reis Magos, por isso, o interesse maior deles no Brasil são as belezas naturais”, comenta Pedro Abesch.

Atualmente, a Fortaleza dos Reis Magos é mantida pela Fundação José Augusto. O local atende ao público todos os dias da semana, das 8h às 17h. Turistas e visitantes comuns pagam uma taxa de R$ 3,00, usada para a manutenção das dependências do monumento e dos funcionários e guias. Escolas não pagam entrada no Forte.
Foto: Elpídio Júnior
Reprodução de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, um dos fundadores de Natal, filho de Jerônimo de Albuquerque com a índia tabajara Uirá Ubi.

O coordenador informou ao Nominuto.com que existe um projeto para levar ainda mais cultura ao Forte. De acordo com Abesch, a Associação de Artistas Plásticos do Rio Grande do Norte pretende expor obras de arte, aproveitando o espaço arquitetônico e atraindo cada vez mais visitantes ao ponto de nascimento de Natal.


A+ A-