Refinaria Clara Camarão coloca o RN no mapa nacional do refino

A instalação da nova refinaria foi a grande conquista do setor energético e econômico do Rio Grande do Norte em 2008.

Karla Larissa e Luana Ferreira,
Fotos: Gabriela Duarte
A conquista deve-se muito ao empenho da classe política do estado.
O anúncio da instalação de uma nova refinaria no Rio Grande do Norte feito em 10 de junho colocou o estado do ponto de vista energético em outro patamar. Com a 12ª refinaria da Petrobras no país, o RN entrou no mapa nacional do refino, como declarou certa vez o secretário de Extraordinário de Energia e Assuntos Internacionais, Jean-Paul Prates.

A conquista deve-se muito ao empenho da classe política do estado. A própria governadora Wilma de Faria e o presidente do Senado Garibaldi Alves, acompanhados da bancada federal, se reuniram por diversas vezes com a Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, para cobrar a instalação da refinaria.

Inaugurada durante a visita do presidente Lula em Mossoró, em setembro, a refinaria chegará a produzir 120 mil barris por dia em três ou quatro anos. No primeiro momento a produção diária será de 30 mil barris.

Batizada de Clara Camarão, pela governadora Wilma de Faria, em homenagem a índia potiguar que liderou um grupo de nativas na luta contra os holandeses durante a colonização, a refinaria de Guamaré processará gasolina automotiva, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo, gás liquefeito de gás natural, nafta, FCC petroquímico, querosene de aviação e biodiesel, entre outros produtos considerados resíduos que também podem ser monetizados, como o coque e asfalto.

A construção da refinaria vai gerar cerca de mil empregos e fará o estado potiguar auto-suficiente na produção de gasolina e seus derivados, movimentando a economia e gerando renda para o Rio Grande do Norte.

Termoaçu
Depois de sete anos de início de sua construção e várias paralisações e retomadas das obras, a usina termoelétrica de Alto dos Rodrigues, a Termoaçu, foi finalmente inaugurada em setembro pelo presidente Lula, ainda que por videoconferência, de Mossoró. Apesar da festa de inauguração, a usina começará a funcionar apenas no segundo semestre de 2009, quando produzirá ao mesmo tempo 600 toneladas de vapor/hora e cerca de 340 megawatts de energia elétrica, o suficiente para abastecer o Rio Grande do Norte caso a produção se voltasse para o consumo interno e não para os leilões de venda Brasil afora. A importância da Termoaçu reside no “conforto energético” que servirá para atrair futuros investidores, já que a partir de 2010 o Rio Grande do Norte vai passar a ser ponto de partida e não ponto inicial dos circuitos de energia. A Termoaçu pertence à Petrobras e ao grupo Neoenergia e custará R$ 700 milhões.

Energia eólica
Depois que o Governo Federal divulgou um estudo sobre o potencial eólico do país, em que o Rio Grande do Norte e o Ceará apareceram como os estados de maior potencial eólico, o secretário estadual de Energia, Jean-Paul Prates, inventou a frase “a energia eólica é o pré-sal do RN” e a divulgou em cada entrevista. Era junho de 2008. De lá pra cá, os problemas para expansão da nova energia continuam: faltam leilões para incentivar a construção dos parques e a construção de linhas de energia de transmissão mais baratas, que atriam mais investimentos. Em termos práticos, o RN termina o ano como começou: com os parques eólicos de Rio do Fogo, que gera 43,3 megawatts, e de Macau, ainda piloto, que produz mais 1,1 megawatts.O potencial é bem maior: de 75 mil megawatts, mais da metade de todo o país. O primeiro passo para o estado aproveitar esse “pré-sal” é o cadastramento dos interessados na construção dos parques eólicos, lançado no final deste ano. O Governo Federal também prometeu leilões para maio de 2009.

Biodiesel
A cadeia produtiva de produção de girassóis no Rio Grande do Norte ganhou força em 2008, quando cerca de 700 famílias se ocuparam com a nova cultura. A organização da produção, completamente baseada nos pequenos agricultores, ainda está começando e deve aumentar para cinco mil famílias no próximo ano. A produção do biodiesel, entretanto, não tem previsão para acontecer no estado. Por enquanto, as sementes oleaginosas são transportadas para a usina de Quixadá, do Ceará, inaugurada em outubro e com capacidade de produção de 56 mil litros por ano, o suficiente para abastecer a região nordeste quando, em 2013, se tornar obrigatória a adição de 5% de biodiesel ao diesel. Além de Quixadá, o Brasil conta com as usinas de Montes Claros, em Minas Gerais, e Candeias, na Bahia. As usinas do pólo de Guamaré são ainda experimentais e detêm a tecnologia que extrai o biocombustível diretamente do grão das oleaginosas, única no mundo.

Royalties
A receita proveniente dos royalties pagos ao Rio Grande do Norte cresceu 36% com relação ao ano passado. Até o mês de novembro, os royalties pagos pela atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural na Bacia Potiguar já renderam R$ 349,49 milhões. Desse montante, R$ 197,68 milhões foram destinados ao Governo do Estado e R$ 151,80 milhões a 97 municípios. No mesmo período do ano passado, o repasse foi de R$ 256,97. O Governo do Estado cobra da Assembléia Legislativa a votação de um projeto de lei do Executivo que permite a melhor fiscalização das receitas dos royalties pagos ao Estado.
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