Rio Grande do Norte se adapta ao desenvolvimento da energia eólica

Atenções do mundo se voltam para a geração de energias limpas e o Nordeste do Brasil se destaca como região ideal para projetos de eólica.

Silvia Ribeiro Dantas,
Foto: Cedida / Assessoria da Fiern
Os recentes acontecimentos em relação à geração de energia no mundo - como o acidente nuclear na usina japonesa de Fukushima - têm aumentado a concorrência pelo espaço para exploração da energia limpa. Neste cenário, o Nordeste brasileiro vem sendo apontado como um dos locais com maior potencial para a geração de energia renovável em todo o mundo e fatores como regularidade e intensidade dos ventos fazem com que o Governo do Estado estime que serão investidos mais de R$ 6 bilhões em território potiguar, apenas em empreendimentos e equipamentos voltados para a geração da energia limpa.

Dessa forma, o terceiro leilão de energia eólica, que será realizado nos dias 17 e 18 de agosto deste ano, vem gerando grande expectativa entre representantes e empresários do setor no Rio Grande do Norte.

De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Benito Gama, a corrida em busca da exploração da energia em terras potiguares já precisa da liberação de três mil megawatts habilitados para o Estado, quantidade que será apresentada no leilão de energia marcado para os dias 17 e 18 de agosto. “Vamos tentar garantir a exploração dos três mil megawatts, mas se sair mil, já estamos no lucro”, detalha o secretário, ao mesmo tempo em que afirma que as indústrias eólica agregam valor para a economia potiguar.

Em relação ao próximo leilão, o consultor Jean-Paul Prates prevê que o Rio Grande do Norte irá se destacar, uma vez que além das características naturais para a geração da energia proveniente dos ventos, o Estado concentra muitos projetos voltados a este tipo de energia. De acordo com ele, serão apresentados projetos desenvolvidos especialmente para o certame, juntamente com alguns que não foram aprovados nos leilões passados e vêm sendo aperfeiçoados desde então. “O sonho de consumo para empreendedores de eólica hoje é o Rio Grande do Norte”, ressalta.

Durante os dois leilões que foram realizados exclusivamente para energia eólica, o Rio Grande do Norte teve muitos projetos aprovados e Prates diz que as obras estão sendo tocadas dentro dos cronogramas previstos. Com as obras, estão sendo gerados empregos na área onde os parques são instalados, uma vez que muitas empresas optam por contratar mão-de-obra local. “Não estamos vendo grandes dificuldades com equipamentos, mas poderemos enfrentar gargalos logísticos com o aumento da quantidade de parques sendo erguidos no Estado. O pico deverá ser entre os últimos meses deste ano e meados de 2012”, analisa o consultor.
Foto: Cedida / Assessoria da Fiern


Leilão
Na segunda-feira passada (4), o Ministério de Minas e Energia alterou as datas do leilão de compra de energia elétrica de novos empreendimentos - chamado de A-3 - e do leilão de reserva, que estavam previstos para ocorrer durante este mês. O ministério estabeleceu que em 17 de agosto ocorrerá o leilão A-3, de 2011, cujo suprimento de energia elétrica será iniciado em 1º de março de 2014, enquanto o certame para contratação de energia de reserva será realizado no dia seguinte e o início de suprimento de energia elétrica através dos contratos firmados na ocasião deverá ter início em 1º de julho de 2014.


POTENCIAL EM EÓLICA GERA NECESSIDADE EM CAPACITAÇÃO
A necessidade em desenvolver tecnologia e pessoal habilitado para atuar com energias limpas, fez com que o Centro de Tecnologias do Gás (CTGás) ampliasse as suas áreas de atuação, incluindo ações voltadas ao desenvolvimento das chamadas energias renováveis. Assim, em 2009, o centro criado através de uma aliança entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Petrobras passou a se chamar CTGás-ER e vem atuando fortemente em iniciativas com foco na energia eólica.

Além de treinar pessoal, o CTGás-ER conta com diversos laboratórios voltados à energia eólica e alguns deles não existem em nenhum outro Estado brasileiro, como é o caso do espaço destinado à calibração de anemômetros, que é um equipamento de medição de vento, cujos dados são utilizados em estudos para o desenvolvimento e monitoramento da produção de energia eólica. Essas informações também baseiam os projetos que são habilitados a participar dos leilões.

Apesar de garantir que não houve redução nas atividades relativas ao gás, a diretoria do Senai afirma que a pauta da indústria passa por novas fontes energéticas e a energia eólica tem sido priorizada em relação aos demais tipos de energias limpas.
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