As fortes chuvas que afetam o Rio Grande do Norte estão deixando rastros de destruição em atividades econômicas de agricultura familiar, carcinicultura e extração salineira, tanto na região do Vale do Açu quanto na região Oeste.
Dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico contabilizam um prejuízo para o setor de R$ 10 milhões para esse ano em todo o Rio Grande do Norte.
Apesar de ainda não ter calculado os prejuízos, a empresa salineira Henrique Lages faz uma avaliação negativa das enchentes. “A situação está complicada para os salineiros. Não temos ajuda nem do governo estadual, nem do federal e estamos amargando os prejuízos desde o ano passado”, afirma Edvaldo Fagundes.
Para ele a situação desse ano é bem pior do que a do ano passado, com várias salinas ilhadas e perda da produção. “Tem muito sal perdido em Mossoró e muitas salinas desativadas na região toda”, reclama o empresário.
Ele conta que as chuvas invadiram as salinas, diluindo as águas e agredindo os paredões de sal. “Perdemos águas de grau (água salgada reservada para fazer sal) e com isso, perdemos a matéria-prima de fabricação do sal”, diz Fagundes.
Com as águas de grau perdidas, o empresário calcula as perdas de 20% a 30% da produção desse ano.
“Com essas previsões de chuvas até julho, vamos perder algo em torno de 250 mil toneladas”, destaca.
O empresário lembra que o método de produção salineira só pode ser feito com as condições climáticas favoráveis. “Não podemos fazer sal com chuva e com essas chuvas vamos perder boa parte da produção”, reclama.
Mas o problema maior para o empresário não será esse ano, e sim ano que vem. Ele justifica que o sal é guardado nas salinas em grandes cristalizadores que conservam a produção por alguns meses até a comercialização.
“O maior problema dos salineiros será no ano que vem, quando os cristalizadores estarão vazios e não teremos o que vender”, explica.
Outro problema será o valor do sal, que irá aumentar, segundo a lógica do empresário. “As empresas que não tem contratos com fornecedores certos estarão reféns dos preços praticados pelo mercado, através dos pequenos produtores e com isso, o valor do sal irá aumentar”, explica.
O empresário faz ainda prospecções do futuro do setor salineiro. “Algumas moagens vão parar por falta de fornecedor, vamos cair na produção de sal e o setor perderá competitividade, compradores e se nada for feito, a atividade salineira vai perder muito”, comenta Edvaldo.
Produção de salO Rio Grande do Norte é o maior exportador de sal do Brasil, contabilizando uma produção em torno de 1 milhão de sal por ano. A quantidade total de produção do Brasil fica em torno de 5 milhões por ano, estando a produção potiguar ocupando uma boa posição na escala brasileira.
O sal produzido em Macau é exportado para paises como a Nigéria, África, Estados Unidos, Venezuela e alguns paises da Europa.