Ele é formado em Odontologia, mas sabe como poucos promover eventos. Assim é Cláudio Porpino, suplente de deputado estadual que acaba de assumir a presidência da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur). Ele chega para substituir Armando José, que agora é o diretor de Marketing da empresa. Em entrevista ao Nasemana, Porpino fala sobre as prioridades, do aproveitamento de seu trabalho no Governo do Estado, de pré-candidatura a deputado estadual, Copa do Mundo, crise econômica, mais investimento para divulgação, cobra interiorização da Setur e muito mais.
Nasemana - A Emprotur era a sua meta?
Cládio Porpino - Inicialmente, eu queria dizer que é motivo de orgulho chegar à presidência da Emprotur, não que eu tenha isso como meta, mas como luta nossa, inclusive solicitamos em nosso mandato a criação da empresa, mostrando a importância do órgão para promoção, divulgação, com mais agilidade. Eu disse na época da Urbana, e agora volta a dizer que encaro esse como o maior desafio de minha vida. Tentarei que haja um incremento nas ações de divulgação e promoção do nosso estado. É um desafio a mais.
NS - Como encarar essa crise?
CP - Deixei isso muito claro com a governadora Wilma que é preciso investir na atividade, com isso alavancar a receita do estado, para alavancar a geração de renda e emprego. Então, a governadora nos deu a garantia, a confiança, para buscar iniciativas, ações na nossa bancada federal, na Assembléia Legislativa, e tentar alavancarmos esses recursos para que possamos, nesse momento de crise, nos superar.
NS - Você chega num momento do anúncio da Copa do Mundo 2014. Como vê essa possibilidade de Natal virar sede da competição?
CP - Eu torço e tenho absoluta certeza que, no que se refere à infraestrutura, no projeto apresentado, o Rio Grande do Norte e Natal estão na linha de frente, e isso vai ser mais um motivo para buscarmos mais motivação para divulgar Natal e o Rio Grande do Norte nesse momento.
NS - Você abraça um orçamento de R$ 10 milhões para promoção, anunciado pela governadora ano passado. O senhor acredita que pode haver incremento nesse valor ainda em 2009? Como isso pode acontecer?
CP - Sim. Nós já buscamos, junto a nossa bancada federal, apoio para trazermos recursos do Ministério do Turismo para o investimento em divulgação e promoção. Além disso, vamos criar um calendário de eventos, principalmente no período de baixa estação, para atrair o turista regional, nacional, que venha ocupar a rede hoteleira de nosso estado.
NS - E o Festival de Verão no Rio Grande do Norte?
CP - O Festival de Verão é um deles. Talvez seja o carro-chefe. Bahia já faz, inclusive com divulgação nacional. Mas queremos fazer também o São João. Deveremos fazer um grande circuito de forró no Rio Grande do Norte. Hoje temos o bom exemplo do Mossoró Cidade Junina.
Temos também o Natal em Natal. Junto a Fundação José Augusto, Secretaria de Turismo do Estado, Secretaria de Turismo de Natal, com a Fundação Capitania das Artes, nós vamos programar para que o turista chegue aqui e passe o mês de dezembro todo, aproveitando toda a programação do Natal em Natal aqui em nossa cidade. Nós vamos ter o Rally dos Sertões, além de vários eventos esportivos, esportes radicais, tudo isso para divulgar o destino e atrair um bom fluxo de visitantes.
NS - Qual tipo de produto que será trabalhado na nova gestão?
CP - Vamos trabalhar bem com turismo religioso. Nós temos hoje uma das maiores festas populares do Estado, do Nordeste, que é a Festa de Santana, que nós vamos dar todo o apoio necessário na divulgação do evento. Nós temos a Festa da Santa Rita de Cássia, que acontece no mês de maio.
Isso vai estimular esse aumento do fluxo. Algumas agências de turismo já estão sendo indagadas sobre a estátua de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. Temos o turismo serrano, em Martins; o turismo cultural, o ecoturismo, enfim, vários tipos de turismo além do sol e mar. Nós vamos aproveitar também o Campeonato Brasileiro de Futebol para divulgar o destino Rio Grande do Norte.
NS - No lançamento do site da Emprotur, o secretário de Turismo do Estado, Fernando Fernandes, pediu apoio à interiorização do turismo. O que pode ser feito pela Emprotur?
CP - O papel da Emprotur é promover e divulgar. Essa função de interiorizar o turismo é uma função da Secretaria de Turismo. Nós vamos fazer uma integração total. Vamos participar das ações da Setur, vamos divulgar a Setur e preparar nossa equipe para esse trabalho.
Eu acho que o discurso é esse. Na verdade não é o discurso é a ação que nos vamos ter que efetivar. Fizemos a legalização dos bugueiros, com apoio do secretário Fernando Fernandes. Uma luta antiga. A governadora Wilma de Faria garantiu incentivo aos hotéis quanto ao ICMS da energia elétrica. As duas secretarias se completam, tanto a Setur, como a Emprotur.
NS - Você fala muito em “partido do turismo”. Como você encara críticas de empresários sobre a politização do turismo?
CP - Eu encaro com naturalidade. Qualquer pessoa que encara um cargo público está imune a esse tipo de situação. Ele precisa ser humilde, saber agir, saber receber a crítica

e trabalhar. Quem conhece meu estilo sabe. Eu também fui muito criticado quando fui para Urbana. Quando peguei o desafio, confiado pela então prefeita Wilma de Faria e encarei com muita naturalidade.
Eu tenho uma característica de muita raça, de muita luta, de não gostar de dormir, de trabalhar, de cobrar o tempo, enfim, eu encaro com naturalidade. A preocupação com as tantas mudanças, realmente não é fácil, é preciso continuidade. Por eu ser um pré-candidato, isso pode gerar uma preocupação.
Mas as pessoas têm que entender também que a nossa área de atuação é turismo, esporte, lazer, cidadania, geração de renda, economia. Essa é a minha bandeira de luta. Eu fico muito a vontade de cobrar, exigir, para que possamos fazer um bom trabalho na empresa.
NS - Como será o trabalho com Armando José, agora diretor de Marketing, que apontou a sua força política como uma de suas características para agilizar o andamento das ações da Emprotur?
CP - Iremos trabalhar com toda integração. Nos vamos administrar, não só a quatro mãos, mas a oito mãos. Nós somos uma equipe. Na verdade, tem um diretor presidente, três diretorias, cada uma trabalhando na sua área. Nós vamos gerenciar a divulgação do turismo do Estado, cada um fazendo o seu papel.
Armando terá a missão de conduzir tudo o que está planejado dentro da diretoria de marketing. Nós não temos problemas nenhum de convivência. Armandinho faz parte de meu grupo político, fez parte da luta pela implementação da Emprotur e foi nossa sugestão na hora em que a governadora aceitou o nome de Armando para o cargo de presidente.
NS - Você acha que agora está sendo melhor aproveitando dentro do sistema da governadora Wilma de Faria?
CP - Aí, essa pergunta terá que ser feita a governadora Wilma de Faria. Eu, por onde andei, acho que desempenhei um papel que foi satisfatório, seja na Assembléia, seja na Secretaria de Articulação com os Municípios, seja no gabinete da governadora.
NS - Houve contato, reunião, com os empresários?
CP - Eu tenho ligado para todos os empresários, para todos que militam no turismo. A palavra de ordem será trabalho. Essa é bandeira de luta minha, da governadora. Nós vamos trabalhar para haja um incremento na chegada de mais turistas, na geração de emprego e renda para o nosso turismo.
*Matéria publicada no jornal Nasemana - Edição 56 - de 18 a 24 de abril de 2009