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Fábio Faria aposta que Natal estará entre as 12 da Copa

Deputado federal está voltado para dois projetos: tornar Natal uma das subsedes da Copa em 2014 e ajudar o pai a eleger-se governador em 2010.

Por Diógenes Dantas
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Fábio Faria: "Essa não é uma questão política, mas de cada um vestir a camisa em nome do Rio Grande do Norte."
Em seu terceiro ano de mandato na Câmara Federal, o deputado mais votado no RN na eleição de 2006, Fábio Faria (PMN), tem a função de estreitar os laços entre a bancada potiguar, em Brasília, e o Governo Federal.

No entanto, nos últimos meses ele se destacou no trabalho de promoção de Natal para torná-la uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014, esforço que será coroado (ou não) em maio deste ano, quando a Fifa fará o anúncio das selecionadas.

Em 2009, Fábio se dedicará a outro projeto: apoiar o pai, o presidente da AL, Robinson Faria, pré-candidato ao Governo do Estado em 2010.

Nasemana - Quais as chances reais de Natal ser uma subsede da Copa do Mundo de 2014?
Fábio Faria - Hoje eu vejo que Natal está bem situada. Tem fortes indícios de que ela poderá ficar entre as 12 subsedes, mas essa certeza nós só teremos quando a Fifa anunciar. Esses indícios vêm da imprensa e dizem respeito às qualidades, que eu sempre destaquei, como a nossa localização geográfica, nossa infra-estrutura hoteleira, a ampliação do aeroporto Augusto Severo e a construção do Aeroporto de São Gonçalo, que está no PAC. Além disso, temos bons restaurantes, nosso povo é receptivo e o projeto do novo estádio, que foi de bom grado para a FIFA. Mas os outros estados que não estão saindo nas listas (dos mais cotados) também estão brigando para que possam ganhar de Natal. Então, fica a expectativa.

Nasemana - O senhor tem conversado com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e com representantes da Fifa no Brasil?

FF - Tenho conversado quase que diariamente para saber o que está acontecendo. Porque, se Natal for escolhida, é como se tivéssemos ultrapassado a primeira fase. A partir daí vai ter uma equipe da FIFA em nosso estado acompanhando todo o projeto que a cidade tem que atender, até 2014, como a execução do estádio, as desapropriações, o metrô de superfície. É uma questão que não acaba agora. Vão vir outros governadores, outros prefeitos, outros deputados, outros agentes políticos. Então essa não é uma questão política, mas de cada um vestir a camisa em nome do Rio Grande do Norte.

Nasemana - A divulgação do resultado está confirmada para 20 de março?
FF - Quero aqui informar que recebi a notícia de que esse resultado pode ser adiado em mais de 40 dias. Deverá ser anunciado em maio. (Depois foi confirmado horas depois).

Nasemana - Por quê?
FF - É uma mudança que veio da FIFA. Nós não temos certeza ainda, é apenas uma informação. Isso não altera nossa luta em nada, só aumenta a angústia dos que torcem pela Copa em Natal. Vejo agora que o natalense tem vestido mais a camisa da Copa. Adiando a data até maio, aumenta o número de torcedores

Nasemana - O que o Rio Grande do Norte ganha em sediar uma das fases da Copa do Mundo de 2014?
FF - Muita coisa. Vamos falar primeiro do impacto econômico. Nós iríamos ganhar grandes investimentos na rede hoteleira e nos restaurantes. Receberíamos o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Copa, que prevê investimentos na infraestrutura urbana, para a construção do metrô de superfície e para aceleração das obras do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Também teríamos a contrapartida local, com o aumento de cursos de capacitação profissional, das aulas de inglês em colégios e cursos; o investimento na educação básica até a universidade, porque teríamos grandes oportunidades de emprego - já que Natal receberia pessoas do mundo inteiro. Eu defendo a criação de um comitê para gerenciar e dar transparência aos gastos da Copa do Mundo. Esse comitê colocaria na internet todos os custos dos projetos e das obras, desde a terraplanagem até a conclusão.

Nasemana - Quem são os concorrentes de Natal?
FF- Tenho certeza que se fossem 10 cidades seria muito difícil Natal entrar. Colocando 12, Natal tem uma grande chance porque você elimina as grandes cidades, que têm dois ou três times na série A do campeonato brasileiro. Além disso, o fator torcida conta muito. Mas quando você vê que Natal está concorrendo com Goiânia, Florianópolis e Rio Branco, nossa cidade passa a ter uma chance muito grande. Ela tem as vantagens de estar na esquina do continente - a 6h da Europa, a 4h da África, a 6h dos EUA -, de ter um povo hospitaleiro... Então, Natal leva grande vantagem com relação a outras cidades. Digo hoje que Natal tem condições totais de ser uma sede da Copa do Mundo por esses atributos.

Nasemana - O senhor é coordenador da bancada dos deputados potiguares aqui em Brasília. Em momento de crise, com o PIB em queda, como o senhor tratará dessa questão junto aos outros parlamentares?

FF - A redução do PIB significa corte de verbas. A bancada do Nordeste tomou café-da-manhã esta semana com a ministra Dilma Rousseff, e ela falou aos deputados que estão preocupados com a questão do PAC do Nordeste e com a liberação das verbas das emendas. Tenho uma preocupação muito forte porque no ano passado as emendas de bancada foram restritas a apenas 10% do valor dos anos anteriores. Há possibilidade que essas emendas coletivas se extingam neste ano com o aumento para R$ 10 milhões nas as emendas individuais. Isso seria uma perda muito grande porque as emendas coletivas significam grandes investimentos, como adutoras, barragens, rodovias federais. Então, se você perde as emendas de bancada, perde o macro, o grande salto. Teremos que esperar o resultado deste trimestre para avaliar o impacto da crise. Ela veio forte e com certeza todos serão afetados.



Nasemana - Uma coisa é aprovar as verbas no Orçamento, e outra coisa é a execução dessas verbas. Qual foi a média de liberação desses recursos para o Rio Grande do Norte nos anos anteriores e qual a previsão para esse ano?
FF - Ano passado a execução das emendas individuais foi de mais de 90%. Da bancada, menos de 10% delas foram aprovados, e nenhuma obra foi ainda iniciada. Então, a execução das emendas de bancadas está praticamente zerada. As emendas coletivas dependem muito mais de o parlamentar tentar colocar sua emenda no PAC, que foi o que aconteceu com a prefeita Micarla de Sousa. Durante uma audiência com a ministra Dilma Rousseff, das cinco emendas que ela conseguiu para Natal, quatro ela colocou no PAC. Se isso não acontecer, o parlamentar tem que ir até o ministro José Múcio (Relações Institucionais), tentar fazer com que ele libere o dinheiro, e depois com que o ministério escolha a sua emenda. É um trâmite muito mais difícil.

Nasemana - Diante dessa crise e da perspectiva de redução dos investimentos no Rio Grande do Norte, o senhor pretende se reunir com os prefeitos do Estado?
FF - Sim. Em todos os finais de semana vou visitar as cidades e discutir com os prefeitos e vereadores as minhas emendas individuais. Já existem algumas cidades com reuniões marcadas. Vou definir o valor que eu tenho para aquela cidade. O prefeito e os vereadores é que vão decidir em em que área querem o investimento. Eles irão escolher, juntamente com a população qual a obra que o deputado Fábio Faria vai destinar para aquela cidade.

Nasemana - A primeira já está marcada?
FF - Sim. Nesse fim de semana vou para Santa Cruz, depois vou para Açu e em seguida para o Agreste. Quero ir lá para a tromba do elefante e passar o fim de semana discutindo as prioridades da região.

Nasemana - E com relação às disputa ao governo do Estado em 2010?
FF - Sem dúvida, o Rio Grande do Norte é o Estado que mais se antecipou ao pleito de 2010. Converso com deputados de todos os outros Estados e não existe essa conversa que você vê por aqui. Logo que acabaram as eleições municipais, devido ao acordão que foi feito, 2010 foi antecipado. Fala-se muito nisso, mas é muito cedo. É hora de cada um colocar seu exército na rua, visitar as cidades, viabilizar seu nome. Independente de prestígio político, o que importa é o prestígio popular, e isso, está ainda muito incipiente. Isso vai ficar mais claro ano que vem. Os candidatos ficarão mais fortes e será mais claro para a população.

Nasemana - Da base da governadora Wilma de Faria, pelo menos quatro políticos já falam que são pré-candidatos: o presidente da Assembleia, Robinson Faria; o vice-governador, Iberê Ferreira; o deputado federal, João Maia e o ex-prefeito Carlos Eduardo. Em sua opinião, quais as reais chances do seu pai, Robinson Faria?
FF- Ele tem totais chances de se consagrar como candidato ao governo do Estado pelo seu histórico político, pela forma de fazer política, a maneira como conduz a presidência da Assembleia Legislativa, por ser um homem de palavra. Os outros candidatos também têm condições de colocarem seus nomes para a população. O deputado Robinson Faria tem um sonho de governar o seu Estado, como qualquer outro político. Cada um deve lutar pelo seu espaço. Essa escolha não pode ser de cima para baixo, mas ouvindo a população.

Nasemana - Fala-se que Iberê Ferreira teria uma certa vantagem, ao assumir o Governo no ano que vem, em relação aos outros candidatos...
FF - Acho que o candidato tem que ser assimilado pela população. O vice-governador é um homem habilidoso, talentoso. Mas cada vez mais essa coisa de estar com a caneta na mão conta menos para a população. A política mudou muito. Nas eleições municipais, os governos estadual, municipal e federal perderam para a prefeita Micarla de Sousa. Trazer apoio é muito difícil, mesmo estando com a máquina administrativa, precisa ter é habilidade política. Hoje está se discutindo a questão da reeleição do governador. Se ele poderá concorrer no cargo ou terá que sair seis meses antes para entrar na disputa de igual para igual com os outros candidatos. Essa proposta deve entrar em pauta na Câmara dos Deputados nos próximos dias. Esses quatro candidatos devem agora juntar esforços com o Governo do Estado, e, ao invés de pensar na disputa, pensar administrativamente. A diminuição do PIB significa menos recursos para o Rio Grande do Norte, e o Estado precisa urgentemente alavancar para começar de fato o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante e outras grandes obras. Essa é a minha preocupação.

Nasemana - Há uma divergência na base da governadora com relação à data para o anúncio dessa candidatura. Qual seria a melhor data?
FF - Acho que tem que ser no começo de 2010. A chapa de governador não pode ser feita de última hora como aconteceu com as eleições municipais. Tem que se fazer uma pesquisa para saber se a população assimila a chapa. O político que não ouvir o povo e não fizer uma aliança de baixo para cima, não terá sucesso.

Nasemana - O deputado Robinson Faria, como líder dos partidos PMN, PP e PTB, declarou a imprensa recentemente que, caso seja bem avaliado nas pesquisas, será candidato dentro ou fora do grupo de Wilma de Faria. Qual o recado que ele quis dar?
FF - Ele deixou claro que esse grupo de partidos, independe de outras coligações, pode ter seu candidato. Só o PP, PTB e PMN podem juntos lançar um candidato a governador pela sua força com os deputados estaduais, com os prefeitos. Claro que o candidato tem que agregar mais apoio, porque ninguém governa apenas com dois ou três partidos.

Nasemana - O foco de Robinson Faria é somente o governo ou há possibilidade de ele tentar uma vaga no Senado ou ser vice-governador?

FF - É o Governo do Estado. Agora, um político tem que estar disposto a topar desafios.
 
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