Nairon Barreto, o Zé Lezin, diz que tecnologia está acabando com o matuto

Humorista conversou com jornalista Diógenes Dantas sobre a carreira e do carinho que sente pelo RN.

Allan Dubeux,
Fladson Soares/Nominuto
Em entrevista para o jornalista Diógenes Dantas, o humorista Nairon Barreto contou como surgiu o famoso personagem matuto "Zé Lezin".

O matuto original do interior, praticamente, não existe mais no mundo atual, extremamente tecnológico e globalizado. A opinião é do humorista Nairn Barreto, o Zé Lezin, em entrevista ao jornalista Diógenes Dantas neste domingo (7), na TV Tropical.

Segundo Nairon, hoje em dia ninguém precisa saber escrever ou fazer contas, o celular já faz isso sozinho. “O sujeito esquece a mulher, a mãe, a carteira, mas o celular não, o aparelho está sempre presente”, disse.

Para o humorista, o Brasil é o país da criatividade e improvisação, e tudo que chega aqui vira brincadeira. “Aqui se faz piada com praticamente tudo, de mosquito da dengue ao grupo terrorista Estado Islâmico”, lembrou. “Cobrança de impostos também é uma forma de terrorismo”, confirmou.

Para ele o jeitinho brasileiro é para o bem e para o mal. Nairon também revela que sente receio de presenciar atentados. “Metade da população hoje em dia sofre de depressão, então, qualquer louco pode raspar o cabelo ou deixar a barba crescer, e usar essas entidades para sair matando o povo”, alertou.

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Para Nairon, não existe democracia no Brasil, ele disse que as instituições constituídas, fizeram do país um estado arrecadador de impostos e detrimento de um estado administrativo, o que na visão dele seria o correto.

“Imposto no Brasil é algo engraçado, por exemplo, se você vai plantar feijão, paga imposto na semente, paga impostos no insumo, vende para o supermercado pagando imposto na nota, daí o supermercado vende ao restaurante pagando mais imposto, depois você vai ao restaurante, pede um prato de feijão pagando imposto. É uma cadeia infinita e aí mora a escravidão do brasileiro”, explicou.

O humorista é formado em Comunicação Social e Direito, mas decidiu seguir a vida artística. Segundo ele, o surgimento do Zé Lezin, que em outros tempos já foi o Zé Paraíba, ocorreu ainda na época da faculdade, quando pesquisava sobre grandes folcloristas e artistas nordestinos. Foi quando entro no grupo de dança da Universidade Federal da Paraíba. “Entrei no grupo de dança da UFPB, e entre uma apresentação e outra, recitava poesias de cordel nos espetáculos” lembra.

“Era muito coisa divertido relacionar o nordeste com viés humorístico, e assim foi nascendo meus primeiros personagens”, revelou.

Além disso, o humorista explica que o talento vem de família. “Meu pai é um cara extremamente engraçado, minha mãe e meus irmãos também são, somos um povo feliz”, esclareceu.

Rio Grande do Norte como casa

Nairon Barreto morou por quatro anos no município de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte. Em terras potiguares, o comediante disse que criou laços profundos de amizade e fraternidade.

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“O Rio Grande do Norte se tornou a minha casa, tanto que quando sou convidado por algum programa de televisão daqui, fico atrevido, e me sinto a vontade para falar sobre política, saúde ou qualquer assunto relacionado ao RN”, comenta.

Para ele, Natal é uma metrópole cosmopolita pequena, e destaca as riquezas minerais da terra e o turismo que segundo ele é pujante na cidade. “Talvez eu conheça o RN melhor do que muita gente que diferente de mim nasceu aqui”, disparou.

Escolinha do Professor Raimundo

Durante seis anos, Nairon Barreto, participou do programa reconhecido nacionalmente, e apresentado pelo grande humorista Chico Anysio a “Escolinha do professor Raimundo”. Ele falou que aprendeu muito na época, e até hoje não sente que o humorista cearense tenha falecido. “Esse lance que Chico morreu, para mim não funciona”, pontua.

“A gente vai se encontrar por ai, sou muito espiritualizado e nós vamos se encontrar tenho certeza”, enfatizou.

Surgimento de "Miro" e "Vicente"

Dois personagens famosos do artista são o Miro e Vicente, que foram criados justamente para proteger o humorista de possíveis processos de pessoas ofendidas com alguma de suas piadas. “O povo do mundo hoje é cheio de não me toque, tudo magoa, isto é complicado para o humorista”, destacou.

“Para me proteger, criei o Vicente e o Miro, que é aquele tipo mais grosso tipo  Lunga, então o Zé Lezin fica só no contraponto, ponderando nas histórias e causos contados durante as apresentações”, explica.

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“Afinal os personagens não podem ser processados”, lembra.

Incorporando o personagem

Nairon contou ainda que durante as apresentações não se aprisiona a um roteiro fixo. E que precisa se divertir também para fazer o trabalho direito.  Ele revela que já chegou a parar de trabalhar numa época que segundo ele perdeu um pouco da sua identidade.

“Eu parei uma época porque o Nairon virou Zé Lezin, eu precisei me encontrar novamente, tenho 57 anos não sou mais nenhum menino”.

O humorista disse ainda que é extremamente profissional e não bebe durante as temporadas de shows. “Não chego atrasado, não bebo em temporada, por isso que estou vivo e trabalhando há 30 anos”.

“Tenho pelo menos dez shows montados na cabeça, em cada apresentação vou navegando pelas piadas, e fico onde as pessoas sorrirem mais, afinal quem manda é o freguês”, finalizou.

O programa “Diógenes Dantas Entrevista” veiculado pela TV Tropical, que normalmente vai ao ar todo domingo às 10 horas da manhã, teve seu horário modificado durante a realização dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Nas próximas quatro edições, a exibição acontecerá a partir das 8h.

Confira a entrevista completa:


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