Rosalba Ciarlini: “Que chamem de acordão!”

Única governadora do DEM no país diz que não cessará os pedidos de apoio a parlamentares de diferentes legendas por causa de especulações.

Marcos Alexandre e Delma Lopes,
Foto: Elpídio Júnior
Governadora nega acordão entre PMDB e DEM.
Entrevista

A possibilidade de uma aliança a nível nacional entre PMDB e DEM tem sido cada vez mais comentada na crônica política. No caso do Rio Grande do Norte a governadora Rosalba Ciarlini assegura que a parceria, por enquanto, está no campo administrativo.

Como única gestora estadual do Democratas no país, seu argumento é o de que não pode abrir mão de apoios importantes como o do deputado federal Henrique Alves (PMDB), “que tem uma influência muito grande em Brasília, e é líder de uma bancada importante”, mesmo que não tenha lhe dado o voto na eleição 2010 quando disputou a gestão do Rio Grande do Norte contra Iberê Ferreira de Souza do PSB e que tinha o apoio do peemedebista.

“Que chamem de acórdão!”, disse Rosalba em resposta às especulações de que os dois partidos tentam formar uma aliança com vistas a 2012.

Mas ao mesmo tempo em que nega as conversas na esfera partidária, Rosalba não deixa de lembrar que já teve o PMDB duas vezes ao seu lado: em 2006 na campanha para o Senado e em 2010 numa chapa “Rosa, Gari e Jajá”.



Marcos Alexandre – O que há de concreto na possível consolidação de uma aliança nacional DEM e PMDB?


Rosalba Ciarlini – O que há de concreto é o que eu venho dizendo desde o fim da eleição passada, em 3 de outubro de 2010. A eleição terminou, o povo me escolheu para ser governadora, e agora só existe uma bandeira que é a do Rio Grande do Norte. Eu tenho convocado a todos independente de qual partido esteja. O momento é de estarmos unidos pelo Rio Grande do Norte. Nós já tivemos o PMDB na campanha para o Senado, que eu fui eleita, numa aliança PMDB com Democrata. Em 2010 nós tivemos o senador Garibaldi Filho, que é o PMDB. O voto foi “Rosa, Gari e Jajá”. O deputado Henrique Alves por suas razões não votou em mim, mas ele é um deputado que tem uma influência muito grande a nível de Brasília, líder de uma bancada importante e é do nosso estado. Como não pediria a esse deputado que me ajude? Eu peço à deputada Fátima Bezerra, com quem já tive várias audiências, com João Maia, Fábio Faria... A coordenadora da bancada federal do RN é a deputada Sandra Rosado que é do PSB. Então existe um acordão meu com Sandra? Claro, ser escolhida coordenadora de uma bancada em que a maioria dos parlamentares estava ligada a mim é porque teve a minha concordância. Mas na minha opinião, nós temos é que deixar essa pequinês de ficar discutindo questões partidárias agora. A eleição só é no próximo ano e só definirei candidatura depois, vai ter aliança de todo jeito, pluripartidarismo é isso. No momento o governo precisa do apoio de todos para viabilizar a Copa, para tirar do papel a ZPE, para lutar pelo novo porto e outros projetos. Se querem chamar de acórdão o fato de os deputados me ajudarem para conseguir o que nosso direito que chamem!

Delma Lopes – Diante do posicionamento nacional do DEM para acabar com o PSD, como está o seu relacionamento com o vice-governador Robinson Faria que fará parte da nova legenda? Ele, inlcusive, não participou da convenção do DEM no sábado passado.

RC
– Pode-se dizer que o PSD é uma banda do Democratas, é assim que o partido está se formando. O senador José Agripino é o presidente nacional do DEM, e a decisão é da Executiva para acompanhar e entrar com ações quando houvesse alguma dúvida sobre o processo de legalização do partido. Essa foi uma decisão nacional que todos os estados tiveram que acompanhar, por que aqui seria diferente? Eu sei que o questionamento é porque Robinson é o meu vice, fomos vitoriosos, e tanto administrativamente como politicamente continuamos muito bem. Ele não era democrata. Ele saiu do PMN para uma outra sigla. Essa é uma questão diferenciada e que estão querendo tomar ao pé da letra para por mais lenha na fogueira. Mas não há nenhuma dificuldade, nós trabalhamos por um objetivo maior que é fortalecer o Rio Grande do Norte.
Foto: Elpídio Júnior
Parceria entre partidos estaria acontecendo só no campo administrativo.

Marcos Alexandre – Mas como fica a base do governo diante desse desentendimento entre o vice-governador Robinson Faria e o senador José Agripino? Ele já colocou para a senhora que não deverá ter problema com o grupo dele com o governo, mas confirmou o distanciamento d senador Agripino que é o presidente do seu partido.

RC
– A base do governo é para apoiar o governo. E quem é o governo? É Rosalba.

Marcos Alexandre – Mas isso vai interferir nas conversas políticas para a eleição do ano que vem?

RC
– Não. Cada eleição tem suas características. A eleição do próximo ano é municipal. Aqui, vizinho você tem Extremoz, Macaíba, São Gonçalo, Parnamirim, cada um com sua realidade que não vai ser a mesma de Natal. Nós temos que nos acostumar que democracia é feita com a discussão e convergência de ideias. Acabou aquela política do passado que se não diz “Amém” pra mim eu vou ter que queimar.

Delma Lopes – A senhora não está tendo portas fechadas lá em Brasília?

RC
– Não, e é porque eu sou a única governadora do Democratas. A presidente Dilma Rousseff tem demonstrado o equilíbrio e maturidade da democracia que ela tem. Não se pode discriminar por questões políticas. Em respeito ao povo nós temos que olhar para o coletivo, pois estamos no Governo apenas passando um período.
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