Júlio Patriota: ele respira esporte

Uma das referências do karatê brasileiro, o mestre comemora em 2008, 33 anos de dedicação ao esporte.

Artur Dantas,
Fotos: Vlademir Alexandre
O primeiro êxito da carreira de Júlio aconteceu quando ele se recuperou de uma paralisia infantil.
Júlio Patriota é um dos nomes mais lembrados no Rio Grande do Norte quando o assunto é karatê. A vitoriosa carreira dentro dos tatames ganha uma repercussão quase heróica quando conhecida a história por trás das inúmeras vitórias. 

O primeiro êxito da carreira de Júlio aconteceu quando ele se recuperou de uma paralisia infantil. Por recomendação médica, o garoto foi encaminhado à natação e ao karatê, esporte que daria mais confiança no dia-a-dia. 

O professor que é graduado no quinto grau, explicou que sempre foi aluno do professor Juarez Alves (Academia Shotokan e sede da Federação), personalidade que trouxe o karatê para o Rio Grande do Norte, "um dos maiores mestres que o Brasil já conheceu". 

Porém, em 1989, a academia foi desmembrada com o surgimento do karatê olímpico. Dessa divisão, alguns atletas partiram para a nova modalidade incluindo Patriota, que se afastou do karatê tradicional, priorizando a atividade que surgia por ser mais competitiva e melhor de se treinar. 

Como atleta, teve uma rápida passagem pelo judô para poder competir nos Jerns. Na época, o karatê ainda não estava entre os esportes disputados nos jogos estudantis. Além do judô, Júlio revela a participação em outro esporte longe do tatame. Influenciado pelo pai, também teve passagem pelo remo. 

"A Copa Patriota é uma das mais antigas do Brasil que carrega o mesmo nome durante mais de dez anos."
Porém, em pouco tempo, Júlio e o irmão Marcos, aliados ao professor Neguinho, do Colégio Nossa Senhora das Neves, espalharam o esporte pelas escolas de Natal e se tornaram referência e pioneiros na difusão da atividade. 

Em poucos anos de trabalho, os irmãos fundaram um dos maiores campeonatos de karatê do Brasil. A Copa Patriota. Júlio explicou que a idéia surgiu de uma brincadeira entre os dois professores. "Eu tinha a minha academia e meu irmão a dele. Nós promovíamos um campeonato entre as escolas e no final fazíamos uma luta", disse. 

Ao longo do tempo, a competição foi ganhando uma maior dimensão a ponto de chegar em 2008 na 15ª edição somando mais de mil atletas inscritos, com participação de atletas de Seleção Brasileira e internacionais. Júlio disse que a competição é uma das mais antigas do Brasil que carregam o mesmo nome durante mais de dez anos. 

Como treinador, ele enumera os colégios pelos quais passou, todos com títulos. Entre eles estão o Imaculada Conceição, Contemporâneo, Reis Magos, Crescer, Instituto Brasil, Idéia, Espaço Educação,entre outros. "Eu tenho minha história assinada em alguns pontos", afirma. Somado aos colégios, o treinador também como técnico da Seleção do Estado em 98 e como atleta entre 82 e 83. 

Um dos grandes momentos que destacou como treinador foi a vitória da atleta Ana Camile em cima da campeã pan-americana. "A competição foi realizada em Brasília e estavam tevês do Brasil todo lá para mostrar mais uma vitória da campeão pan-americana. Ana Camile chegou lá desconhecida e saiu aplaudida do ginásio", lembra. 

"Quando vemos um atleta despontando, ele vai além do que a gente espera."
Além do resultado, ele destacou outras conquistas. Foi campeão mirim pelo Instituto Brasil no masculino e feminino, tricampeão no juvenil masculino pelo CIC, e campeão brasileiro no masculino com José Rafael, também do Imaculada Conceição. "Faço questão de lembrar um ditado que diz: Como pastor, tenho a obrigação de levar as ovelhas para beber água. Se elas vão ou não, é uma opção delas". 

O professor explicou que sempre gostou de formar além de atletas, cidadãos. Júlio detalhou que a preocupação não é apenas de somar resultados e campeonatos. 

A idéia é ajudar na formação profissional dos esportistas. "Quando vemos um atleta despontando, ele vai além do que a gente espera. Não queremos apenas formar um guerreiro, queremos ajudar na formação profissional dos nossos alunos". 





*Matéria publicada no jornal Nasemana - Edição 39 - de 20 a 26 de dezembro


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