Ginga com tapioca, o sanduíche do marinheiro

Iguaria nasceu nos anos 1950 para que se evitasse o desperdício de pequenos peixinhos presos na rede de pesca .

Da redação, Estadão Conteúdo,
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Ginga com tapioca é tradição na capital potiguar e é servido em todas as praias de Natal com suas variantes.

Lá na Redinha se ressentem, bugueiros não costumam atravessar a ponte do Rio Potengi para levar turistas à zona norte. Uma pena!  Mas viajantes escolados logo descobrem o que não podem deixar de ver ou provar, principalmente se são recepcionados por potiguares. Estes não voltam pra casa sem ter visitado o Mercado Municipal da Redinha e provado o sanduíche de marinheiro mais aclamado da capital. Está ali o berço do prato-símbolo de Natal, a ginga com tapioca. Chamam-no de petisco. Mas vem no prato e vale por uma refeição. Só não espere encontrar em restaurantes. É prato de bar, de boteco, de ambulante, de beira de praia. 

Trata-se simplesmente de uma tapioca com coco fresco recheada em meia lua com um espeto de peixes pequenos fritos. Segura firme os peixinhos com a tapioca, puxa o espeto e come a iguaria acompanhada de cachaça ou cerveja. A tapioca é branca, granulada, elástica e salpicada de pontos crocantes e dourados. Os peixes são sequinhos e dourados, pra comer inteiros, com espinha. Simples.

Não muito diferente do que se faz em casa, a não ser pelo coco fresco e confere a crocância e o sabor. E, claro, falta a brisa, a areia, a água do rio encontrando o mar.

Hoje o prato é servido em todas as praias de Natal com suas variantes. Há as temperadas com manteiga de garrafa, as servidas separadamente tapioca e peixe, as completadas com queijo coalho, carne de sol e até com mussarela - assim como há tapioca servida com peixe em todo litoral nordestino.

Entre as décadas de 1950 e 60 o pai Geraldo Januário era administrador do Mercado da Redinha, fundado em 1949 junto à foz do Rio Potengi, a 2 km do centro de Natal, onde antes era uma vila de pescador. Naquele tempo ninguém dava valor aos peixes pequenos que vinham agarrados à rede de pesca de peixes grandes. O grandes eram vendidos nos boxes, os pequenos não serviam pra nada. Gente pobre vinha buscar, outro tanto era enterrado. Seu Geraldo Preto, como era conhecido, cansado de assistir a este desperdício, resolveu recolher estes peixes, metê-los num espeto feito com a palha do coco, empanar na farinha de mandioca, fritar e juntar à tapioca que a mulher, Dona Dalila, já fazia por ali. Aliás, já vendia peixe frito, mas não do pequeno, e já vendia tapioca. Foi, então, só ajustar a estética e a semântica para uma genial jogada de marketing, se visto pelos olhos de hoje. 

Chamou de ginga a estes peixes porque vinham gingando, se debatendo, nas redes. A combinação passou a fazer sucesso entre pescadores e frequentadores do mercado. O povo gostou, o nome pegou e a moda correu o litoral. A ginga com tapioca é a cara do litoral potiguar.

Ingredientes

- 6 peixes pequenos (manjubas, lambari, etc)  
- Sal a gosto  
- 3 colheres (sopa) de farinha de mandioca para empanar 
- 1 xícara de óleo misto (óleo vegetal mais azeite de dendê) 
- 1 porção de massa para tapioca com uma pitada de sal 
- 3 colheres (sopa) de coco fresco ralado  

Preparo

- Tempere os peixes com sal, coloque-os em espeto, empane na farinha de mandioca e frite no óleo quente. 

- Faça um disco de tapioca, colocando o coco por cima, cozinhe dos dois lados.

- Ponha o peixe no centro da tapioca e pronto!

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