PF rastreia contas de R$ 15 mi no BTG que Palocci atribui a Lula

Ex-ministro disse que o petista teria confirmado existência da conta.

Da redação, Estadão Conteúdo,
CELSO JUNIOR/AE
Declarações do ex-ministro delator Antonio Palocci apontam para contas de R$ 15 milhões de Lula no BTC.
Ao pedir buscas e apreensões na 64ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal afirmou que, entre os objetivos das diligências, estão a ‘eventual manutenção de recursos espúrios dentro da estrutura’ do BTG Pactual para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu instituto, sua empresa de palestras, e familiares, decorrente de ‘relacionamento mantido entre a autoridade pública, o Partido dos Trabalhadores e o Governo Federal e a instituição financeira’.

O pedido tem como base declarações do ex-ministro delator Antonio Palocci, que embasam as investigações. O ex-ministro citou uma suposta conta na instituição financeira de R$ 15 milhões a Lula. Ainda disse que o petista teria confirmado sua existência e dito que ela serviria só para seus interesses pessoais, e não deveriam abastecer campanhas do partido.

Ele diz ter se reunido para falar sobre o assunto em 2011, com o o dono do banco, André Esteves.

De acordo com Palocci, o banqueiro teria dito que se reuniu com o então ministro da Fazenda Guido Mantega e com o ex-presidente. No encontro, eles teriam combinado que Esteves seria ‘o responsável por cuidar das finanças de LULA e do PT’.

Palocci diz que ‘concordou com o modo de atuação de André Esteves, apenas estranhando que o banqueiro faria aquilo no próprio banco’, e que o Esteves ‘confirmou que constituiria duas contas para Lula, uma para que ele fizesse política
outro para seus interesses pessoais e familiares’.

O delator afirma que também ‘autorizou que os 10 milhões restantes, daqueles 15 prometidos por André, fossem depositados nessas contas que ele constituiria’ e que André ‘também desejava gerir os 300 milhões de reais que a Odebrecht havia prometido a Lula’

Palocci afirmou ter tentado ‘desconversar, explicando acreditar que não havia disponibilidade daquele valor, que seria uma espécie de conta para saques’. Segundo ele, Esteves ‘ainda indagou se não gostaria que passassem a sua administração as contas que eventualmente eram mantidas no exterior para o PT e geridas por Palocci. No entanto, ele afirma ter informado ‘que não geria contas no exterior para o partido.

Palocci afirmou então que ‘indagou a Lula se não era verídica a informação de que André Esteves havia disponibilizado dentro de seus fundos no BTG espécie de contas que serviriam aos interesses do PT e de Lula e familiares e que ‘confirmou a informação, mas advertiu Palocci de que aqueles recursos eram do próprio Lula e de seus familiares’.

COM A PALAVRA, O BTG PACTUAL

“Com relação à operação da Polícia Federal realizada nesta data, o BTG Pactual esclarece que está à disposição das autoridades para que tudo seja esclarecido o mais rápido possível, como sempre. O BTG Pactual reforça que o Banco opera normalmente.

O Banco esclarece ainda, que o objeto da referida busca e apreensão foi alvo de uma investigação independente conduzida pelo escritório de advocacia internacional Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan, LLP, especializado em investigações e auditorias, contratado em 2015 por um comitê independente formado justamente para fazer uma auditoria externa e imparcial sobre as alegações na época relacionadas a atos ilícitos. A referida auditoria concluiu não existir qualquer indício de irregularidade. O relatório é público e pode, inclusive, ser acessado no site do banco (https://www.btgpactual.com/noticias/quinn-emanuel-conclusoes-da-investigacao)”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GRAÇA FOSTER

A reportagem tenta contato com a defesa da ex-presidente da Petrobrás. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA SÔNIA COCHRANE RÁO, QUE DEFENDE ANDRÉ ESTEVES

“Inexplicável e verdadeiramente assustadora a nova medida de força adotada sem qualquer motivo, baseada na desacreditada delação de Antônio Palocci, contra uma instituição financeira e um cidadão recentemente vítima de violento erro judiciário reconhecido por todas as instâncias judiciais.”
Tags: Investigação
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