MPF denuncia Nuzman e Sérgio Cabral por esquema da Olimpíada do Rio 2016

Investigações da Operação Unfair Play apontaram pagamento de propina para escolha da cidade como sede dos Jogos.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Abril
Carlos Nuzman e Sérgio Cabaral foram denunciados pelo MPF por pagar propinas para escolha da cidade carioca como sede da Olimpíada.

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF) denunciou nesta quarta-feira o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, o seu braço direito, Leonardo Gryner, e o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) pelo esquema que revelou a compra de votos para a escolha do Rio como sede olímpica de 2016.

Também foram denunciados o empresário Arthur Soares, conhecido como "Rei Arthur" e os membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional), Papa Massata Diack e Lamine Diack. A denúncia foi encaminhada ao juiz da 7º Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, responsável também pelos processos relacionados à Lava Jato no Rio.

Investigações da Operação Unfair Play do MPF apontaram que Sérgio Cabral pagou propina para a delegação africana, por meio do empresário Arthur Soares, para a escolha do Rio. Carlos Nuzman e Leonardo Gryner teriam sido os agentes responsáveis por unir pontas interessadas, fazer os contatos e "azeitar as relações para organizar o mecanismo do repasse de propinas", segundo o MPF.

O MPF também informou que, nos últimos dez dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman ampliou seu patrimônio em 457%, não havendo indicação clara de seus rendimentos, além de manter parte de seu patrimônio oculto na Suíça. Por exemplo, ele só veio a declarar a existência de 16 barras de ouro, de 1 kg cada uma, que mantinha no exterior, à Receita Federal, por meio de retificação do Imposto de Renda, na data de 20 de setembro deste ano, ou seja, após a deflagração da Operação Unfair Play. Nuzman está preso preventivamente, desde o dia 5, em Benfica, zona norte do Rio.

Tags: Carlos Nuzman Operação Unfair Play Sérgio Cabral
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