Jacob Zuma renuncia à presidência da África do Sul

Líder não resistiu à pressão do seu partido, o Congresso Nacional Africano, após série de escândalos.

Da redação, Estadão Conteúdo,

O presidente da África do Sul,  Jacob Zuma, apresentou nesta quarta-feira sua renúncia “com efeito imediato” em meio à pressão de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), para que entregasse o poder em razão de escândalos de desvio de fundos públicos.

Em um discurso de 30 minutos de despedida à nação, Zuma disse que discordava do modo como o CNA o havia forçado a uma saída antecipada após a eleição do vice-presidente Cyril Ramaphosa como líder do partido, em dezembro. Ramaphosa deve ocupar o cargo até as próximas eleições.

O CNA, que governa a África do Sul desde a democratização, em 1994, tinha dado ontem um ultimato a Zuma, dizendo que apoiaria hoje a moção de não confiança apresentada pela oposição se ele não renunciasse.

Horas antes, em entrevista à TV estatal, Zuma havia se mostrado desafiador, dizendo que a pressão do CNA era “injusta”, uma vez que o partido não disse o que ele fez de errado. “Não acho que seja justo. O que eu fiz? Ninguém me deu razões. Não há nada que eu tenha feito de errado.”

O debate sobre a saída prematura do presidente sul-africano, cujo mandato terminaria em 2019, foi provocado por problemas de imagem e pelos graves escândalos de corrupção. A renúncia do presidente de 75 anos põe fim a uma década tumultuada, na qual Zuma sobreviveu a diversas moções de não confiança no Parlamento, acusações de corrupção e protestos populares nas ruas.

Pressão

Alguns dos escândalos que envolvem Zuma ocorreram antes mesmo de ele se tornar presidente da África do Sul, em 2009. Ao todo, ele enfrenta centenas de acusações de corrupção em razão de um contrato de compra de armas no valor de US$ 2,5 bilhões, fechado no fim dos anos 90, quando ele ainda era vice-presidente, no governo de Thabo Mbeki.

As acusações foram arquivadas em 2009, abrindo o caminho para que ele concorresse à presidência, mas o caso foi reaberto pela Suprema Corte em 2016.

Em 2005, quando era vice-presidente do CNA, Zuma foi acusado de estuprar uma mulher de 31 anos, portadora de HIV, filha de um amigo com quem dividiu a prisão de Roben Island, na época do apartheid. Ele foi inocentado em 2006, mas foi ridicularizado publicamente por dizer que havia tomado banho para reduzir o risco de contrair o vírus.

Logo após assumir a presidência, descobriu-se que ele usou dinheiro público para reformar sua casa e construir uma piscina, que um ministro assegurou que servia para combater incêndios. Para seus críticos, a saída de Zuma marca o fim de uma era de frustração com a política tradicional sul-africana, especialmente com parte da cúpula do CNA.

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