Fred Zero Quatro: "Manguebit não se concretizou totalmente por boicote da elite recifense"

Nominuto conversou com vocalista da banda Mundo Livre, que faz show em Natal nesta sexta-feira (23).

Isabela Santos,
A banda recifense Mundo Livre S/A, que volta de uma turnê pela Europa, fará show em Natal nesta sexta-feira (23). O grupo ficou conhecido com a explosão do movimento Manguebit no início da década de 1990 ao lado de Chico Science e Nação Zumbi.

Fred Zero Quatro (cavaquinho, guitarra e voz), Fábio Malandragem (baixo), Tony Regalia – o Chefe – (bateria), Bactéria Maresia (teclados, guitarra) e Marcelo Pianinho (percussão) apresentam o “Combat Samba”, mas já incluem músicas do próximo álbum, que sequer saiu do forno.

“Estamos encerrando a parte de composição. Assim que terminarem as gravações, lançaremos. Não vamos esperar masterização, prensagem, preparação de capa; vamos logo disponibilizar para download no site”, Fred promete.

O cd será para comemorar os 25 anos da banda e deve ficar pronto em abril deste ano.

Manguebit, punk, samba-rock, afro-beat; “não é muito simples de rotular nosso som”, confessa o vocalista. Versátil, a música do Mundo Livre vai do samba de raíz ao punk rock internacional. De um lado Jorge Ben, Paulinho da Viola, Cartola; do outro, The Clash, Johnny Rotten.

Apesar do regionalismo evidente, as canções se referem geralmente a temas universais e atemporais. “O próprio nome da banda “Mundo Livre S/A” se refere à uma esfera global. É uma expressão que ironiza a Guerra Fria (época em que nasceu), mesmo assim continuam válidas apesar de ter mudado o sentido”.

Mas nem só de ideologia vive a música. Outras músicas se aproximam de pequenos contos. “Algumas têm um veio de ficção, de narrativa literária. Isso é um pouco a herança da MPB", compara Fred Zero Quatro.


Manguebit

A “parabólica enfiada na lama” foi o movimento musical surgido quando Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A decidiram misturar música pop internacional a gêneros tradicionais da música de Pernambuco (maracatu, coco, ciranda e caboclinho).

O movimento teve seu primeiro manifesto, Caranguejos com Cérebro, foi escrito pelo vocalista do Mundo Livre, Fred Zero Quatro, e Renato L, publicado pela imprensa pernambucana em 1992.

Para Fred, o Manguebit foi “uma utopia que se concretizou parcialmente”. “Ele veio para romper uma tradição conservadora do ambiente cultural pernambucano”, explica.

O objetivo, segundo ele, não foi totalmente atingido por um boicote da elite recifense, conservadora. “Tem redes de rádio nacionais que tocam a música pernambucana muito mais que as rádios locais”, diz.

“Mas o reconhecimento tem melhorado até por parte do poder público”, pondera o músico.
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