Quatro dias. Foi esse o tempo que durou um roubo em Natal que certamente contou com caminhões baú. Da quinta (9) ao domingo (12), ladrões levaram até os móveis da casa que fica em frente ao rio Potengi, na praça Djalma Maranhão.
A arte-educadora Lucinha Mohana, proprietária, já havia feito vários contatos com a Fundação Capitania das Artes a fim de transformar a casa em um espaço cultural.
Segundo ela, também tentou de diversas formas avisar às autoridades sobre a violência do lugar mas não obteve respostas.
“Em janeiro deste ano apresentei o projeto. Fiquei tentando entrar em contato com César Revorêdo, que além de secretário da cultura é meu ex-colega”.
Sua proposta era de fazer oficinas regulares das mais diversas áreas na casa de três andares. Música, pintura, reciclagem e yoga estavam na lista de metas. Além disso, pedia a reforma da praça, limpeza e iluminação.
Antes de conseguir aprovação do projeto veio a péssima surpresa. Lucinha passou duas semanas em São Paulo, onde lançou um livro e ao voltar nesta terça-feira (14) encontrou a própria casa vazia.
“Deixei a chave com uma pessoa e quando ela foi no domingo ver como tudo estava viu o arrombamento”, disse ainda abalada.
“Eu fiquei sem nada. Tinha uma loja indiana e um acervo de quadros e objetos de valor. Só da loja, meu prejuízo foi de R$ 200 mil”, chora.
“Só tem bandido nessa cidade. As pessoas estão em estado de pânico. Os vizinhos viam os ladrões saindo com as coisas, mas o que impera é a lei do silêncio. A praça é abandonada, escura e só serve para alguns se drogarem e fazer sexo”, a vítima faz a denúncia.
Lucinha disse também que não conseguiu fazer Boletim de Ocorrência ao procurar a 1ª DP e deve ser ouvida ainda hoje pela Delegacia de Roubos e Furtos.