Chacina de Nova Cidade: mortos são enterrados no Bom Pastor

Sysynem Francisco, Carlos Leandro da Silva e Danilo Pereira foram sepultados sob emoção dos parentes. Polícia acredita em disputa por boca-de-fumo.

Fred Carvalho,
Fred Carvalho
Lúcia de Fátima chora ao ver corpo de Danilo Pereira
As três pessoas executadas na terça-feira (15) na chamada chacina de Nova Cidade foram sepultadas na manhã desta quinta (17). O corpo do adolescente Sysynem Francisco de França, de 17 anos, foi enterrado no cemitério do Bom Pastor II, enquanto que Carlos Leandro da Silva, 22, e Danilo Pereira Felipe, 18, estão no Bom Pastor I.

A polícia ainda não tem informações sobre os assassinos, mas a principal suspeita continua sendo de uma disputa por “boca-de-fumo”.

Sysynho Carioca e Galeguinho, como eram conhecidos, foram sepultados sob comoção de parentes e amigos.

“Eu não sei quem fez isso e nem o porquê, mas sempre dei conselhos ao meu filho para ele não mexer com coisa errada. O que quero agora é justiça”, disse a dona-de-casa Lúcia de Fátima da Silva, de 43 anos, mãe de Danilo.

Outra que também pediu que os responsáveis pela chacina sejam presos foi a aposentada Maria Nunes da Silva, que é avó de Sysynem, mas que sempre o criou.

“A polícia tem que prender as pessoas que fizeram isso com meu filho. Quero que eles paguem e que fiquem presos por muito tempo para não tirarem mais vidas de outras pessoas e provocarem tanto sofrimento para outras famílias”, falou.

Demonstrando receio, outras pessoas não quiseram falar com a imprensa. “Ninguém fala nada para os repórteres. Não queremos mais mortes por aqui”, dizia um homem assim que chegou ao cemitério.

Boca-de-fumo

A polícia trabalha com duas linhas investigação principais para apurar a chacina. Uma é de que os três foram mortos por um possível grupo de extermínio, uma vez que eles foram assassinados com tiros de pistola ponto 40, de uso restrito às Forças Armadas.

A segunda, que é considerada a mais plausível, é de que o crime foi motivado por uma disputa pelo domínio de uma boca-de-fumo, um ponto de venda e consumo de drogas.
Fred Carvalho
Delegado Vicente Gomes investiga chacina de Nova Cidade

“Essa segunda possibilidade, a meu ver, é a mais provável. Isso porque apreendemos 67 pedras de crack na casa onde os rapazes foram assassinados, na travessa Otávio Rodrigues. Isso nos leva a acreditar que ali era uma boca-de-fumo e que outros traficantes teriam envolvimento com o crime”, falou o delegado Vicente Gomes, titular do 8º Distrito Policial, responsável pela investigação.

O delegado informou que vai começar a ouvir testemunhas já a partir desta sexta-feira (18). “Ainda não colhemos o depoimento de nenhum familiar ou pessoa próxima porque estamos respeitando o momento do velório e do enterro, mas pretendo começar a marcar os depoimentos nesta sexta”, adiantou.

Mesmo sem ter ouvido os parentes e amigos, Vicente Gomes disse que, de forma extra-oficial, já conversou com outras pessoas.

“Tive a informação de que esses rapazes muito provavelmente traficavam droga nos Guarapes e foram expulsos de lá por outros traficantes, tentando passar a negociar em Nova Cidade. Só que esse bairro deve ser o maior ponto de vendagem de drogas de Natal, com muitos traficantes. Quando chegaram para disputar mercado, os outros resolveram eliminá-los”, falou.

O delegado disse ainda que Sysynho Carioca e Galeguinho chegaram a receber um “aviso” para deixarem Nova Cidade. “Pelo o que soube, a mãe de um deles falou que uns quatro ou cinco dias antes da chacina, quatro homens foram até a casa deles e começaram a bater nas portas e janelas, pondo medo neles. Mas não obedeceram a ordem para sair do bairro e acabaram mortos”, frisou.

Vicente Gomes tem 30 dias para concluir o inquérito policial, prazo que pode ser prorrogado por igual período.
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