"Crimes têm aumentado por serem lucrativos", afirma promotor

Wendell Beetoven destaca que bandidos encontram facilidades, por falta de estrutura policial, e por isso, praticam delitos que têm assustado a população.

Thyago Macedo,
Vlademir Alexandre
Promotor criminal Wendell Beetoven.
A sociedade anda preocupada com os constantes assaltos cometidos na grande Natal, principalmente em residências, estabelecimentos comerciais e ônibus. Mas, apesar disso, especialistas em segurança pública, como o promotor criminal Wendell Beetoven Ribeiro Agra, acreditam que não existe uma organização criminosa atuando nesses casos. “Pelo contrário, o crime está desorganizado”, avalia.

Para o promotor, o aumento na criminalidade urbana é reflexo das facilidades encontradas pelos bandidos. “O crime é algo extremamente vantajoso e lucrativo e o risco é baixo. Por esse motivo, não precisa ter uma organização para cometer um assalto. Eles fazem isso porque atualmente, a polícia não tem condições de investigar estes crimes”.

De acordo com Wendell Beetoven, mesmo que tenha interesse em apurar um assalto, por exemplo, os policiais civis não dispõem de estrutura e condições. “Muitos deles estão ocupados cuidando de presos. Atualmente, a situação só não está pior por causa da Polícia Militar. Mesmo assim, o trabalho deles é prender e entregar na delegacia”, ressalta.

O promotor explicou que não acredita que assaltos a residências ou estabelecimentos comerciais sejam planejados por grandes organizações. “Nós temos quadrilhas ou grupos de pessoas que decidem assaltar uma farmácia, uma padaria, um ônibus ou uma casa. Isso acontece porque eles sabem que a possibilidade de serem surpreendidos durante a ação é baixa”.

Wendell Beetoven enfatiza que desde que bancos e grandes redes de supermercados modernizaram seus sistemas de segurança, a atuação de organizações criminosas diminuiu consideravelmente no Rio Grande do Norte. “Eles tem atuado mais em roubo de cargas, por exemplo”.

Fator social
Questionado se via algum fator social como contribuinte para a onda de insegurança, o Wendell foi incisivo. “Um assaltante de bairro ou um empresário que sonega imposto cometem crimes porque não veem muitos riscos nisso. Em contrapartida, o retorno financeiro é muito alto. O cara que comete um roubo e tira R$ 300 vai querer trabalhar em um balcão de padaria pra ganhar a mesma coisa? Não vai”, comenta.

O promotor falou ainda que com o crescimento das cidades, os crimes aumentaram e, com isso, é preciso se reestruturar também. “O judiciário se modificou, por exemplo, mas a polícia ainda não. Hoje, nós temos no Rio Grande do Norte quatro mil mandados de prisão em aberto, mas, nossos policiais não têm condições de cumpri-los, até porque não tem onde colocar essas pessoas”.

Desses quatro mil, Beetoven afirma que se fossem cumpridos pelo menos 200, a cidade teria uns seis meses de tranqüilidade.
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