Vlademir Alexandre
João Faustino diz que filho é inocente e critica a Polícia Federal
O ex-secretário de Turismo do Rio Grande do Norte Edson José Fernandes Ferreira, o "Edson Faustino", deve prestar depoimento à Polícia Federal de Minas Gerais na manhã desta segunda-feira (23). Ele é filho do ex-deputado federal e atual subsecretário da Casa Civil do Governo de São Paulo, João Faustino, e foi detido pela PF na sexta-feira (20), durante a operação João de Barro.
Por telefone, João Faustino disse esperar que o filho seja liberado após prestar depoimento. “Acho que tudo isso não passou de um grande mal-entendido. O Edson hoje trabalha em uma multinacional que mexe com ferro fundido, não tem relação com setor público. Além do mais ele não conhece ninguém em Minas Gerais, onde está o grosso das possíveis falcatruas”, disse.
O ex-deputado federal também falou da situação da família com a detenção de Edson Faustino. “Nós queremos o esclarecimento de tudo isso o mais rápido possível para provar a inocência dele. Esses dias foram de martírio para nossa família, pois não sabemos nem o porquê da acusação. Não tivemos acesso a nada. O regime hoje é pior que no tempo da ditadura. Tudo está envolto em mistérios, subterfúgios”, reclamou.
João Faustino disse ainda que Edson Faustino não foi algemado e que passou o fim de semana na casa dele. “O Edson foi para Minas em vôo de carreira para poder agilizar a ouvida dele e se livrar logo dessa confusão”.
O ex-deputado não quis adiantar se vai entrar com uma ação por danos morais contra a Polícia Federal. “O que me importa agora é tirar meu filho dessa confusão toda. Depois vamos estudar o que faremos”.
Direcionamento
João Faustino também reclamou do fato de policiais federais terem cumprido um mandado de busca e apreensão no apartamento dele, em Natal. “Eu só posso acreditar que houve um direcionamento para isso. Se não há nenhuma irregularidade no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio Grande do Norte, não havia motivo para eles invadirem minha casa, vasculharem tudo e apreenderem meu computador. Só posso acreditar que essa coisa foi feita com direcionamento, mas não sei o porquê. Só sei que sou oposição ao atual Governo Federal e vou continuar sendo”.
Operação João de Barro
A operação João de Barro trata sobre um suposto desvio de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e prendeu 27 pessoas em sete Estados.
O desfalque, estimado em R$ 700 milhões, atingia as chamadas Transferências Voluntárias, que compreendem recursos financeiros repassados pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios em decorrência da celebração de convênios ou empréstimos cedidos pela Caixa Econômica Federal e BNDES.
A partir de denúncias veiculadas pela imprensa, uma auditoria do TCU realizada em 29 municípios do leste de Minas Gerais revelou indícios de fraude na execução de obras. Em seguida, a investigação policial resultou na desarticulação de um esquema criminoso de desvio de verbas públicas. destinadas principalmente à construção de casas populares e estações de tratamento de esgoto em vários municípios.
Com menos dinheiro para a execução, as obras não apresentaram o padrão de qualidade e quantidade previsto no projeto original com o emprego de material de qualidade inferior, extensão da obra entregue menor que a estabelecida no projeto ou ainda a não realização da obra.
Todos os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Já os mandados de prisão foram expedidos pelo Juiz Hermes Gomes da 2ª Vara de Governador Valadares/MG. No curso da operação foi fundamental o apoio do judiciário em mais de uma instância, do Ministério Público Federal e da Controladoria Geral da União.