Fotos: Thyago Macedo
"Polícia não pode substituir o papel da família", afirma Alarico Azevedo.
A presença de adolescentes em ocorrências policiais tem se tornado cada vez mais constante em Natal. Para se ter uma idéia, de janeiro até esta segunda-feira (13), a Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) registrou um total de 465 boletins que têm como personagens principais crianças e adolescentes.
Para a polícia, a explicação está na falta de estrutura familiar que acaba facilitando a “adoção” de meninos para o tráfico de drogas. Neste último fim de semana, pelo menos seis adolescentes foram apreendidos por assalto ou tráfico de drogas.
Um caso em especifico chamou atenção. Um adolescente de 14 anos foi detido pela quarta vez em três meses. Em todas as oportunidades ele estava armado praticando ou prestes a praticar assalto.
O menino foi apreendido na manhã do sábado (11), em Nova Natal, juntamente com um comparsa de 16 anos e Luciano Ramos da Costa, de 19 anos. Os três são responsáveis por uma série de assaltos na capital, principalmente a ônibus e pedestres.
De acordo com o Chefe de Operações do Policiamento da Capital, major Alarico Azevedo, essas crianças e adolescentes se tornaram “reféns” do tráfico de drogas. “Quando a família não está presente na vida desses meninos eles acabam sendo adotados pelo traficante da comunidade”, explicou.
Alarico Azevedo destacou que os jovens entram na criminalidade a partir do vício. “Eles são aliciados para usar droga e a partir daí se tornam reféns do tráfico. Muitas vezes, o traficante fornece armas para que eles realizem assaltos e paguem dividas do consumo”.

Pelas estatisticas da DEA, dos 465 boletins de ocorrências com menores de idade, 329 são de atos infracionais de leve poder ofensivo, como porte de arma ou consumo de droga. No entanto, 136 estiveram envolvidos em homicídiosou assaltos.
O esquema de “adoção” dos adultos tem servido para profissionalizar cada vez mais cedo os jovens criminosos. Inclusive, adolescente também se tornaram vítimas de homicídios que antes eram registrados em uma faixa etária maior.
Segundo informações do Comando do Policiamento da Capital, no primeiro semestre deste ano foram 14 vítimas de homicídios, na faixa etária entre 11 e 17 anos. “Nós fazemos a nossa parte que é de prevenção e de abordagens na rua. No entanto, a polícia não pode substituir o papel da família”, ressaltou o oficial da Polícia Militar.
Major Alarico reafirmou ainda a importância do Programa Educacional de Resistência as Drogas (Proerd). “Através desse projeto, a polícia tem conseguido entrar em escolas das redes pública e privada e modificar o pensamento de crianças e adolescentes. Estamos com resultados positivos e já atendemos cerca de 60 mil pessoas”.
O oficial frisou que o objetivo da polícia não é divulgar estatísticas com números de apreensões de adolescentes. “O que nós queremos na verdade, é não precisar divulgar isso. Queremos que crianças e adolescentes estejam na escola e no futuro possam se tornar cidadãos de bem para ajudar a sociedade a crescer”, concluiu.
http://www.nominuto.com/noticias/policia/em-seis-meses-policia-registrou-465-ocorrencias-envolvendo-adolescentes/34744/