Após 12 dias de paralisação, os policiais militares da Bahia decidiram, em assembléia extraordinária, ontem (11) à noite, encerrar a greve da categoria, considerada ilegal pela Justiça baiana. Mas ainda que os tenham anistiado administrativamente, o governador Jaques Wagner (PT), não revogou o pedido de prisão preventiva dos líderes do movimento paredista.
O cabo, potiguar, Jeoás Nascimento dos Santos, presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM RN (ACS PMRN) e vice-presidente da Associação Nacional dos Praças foi um dos doze policiais militares a terem o mandado de prisão expedido pela Justiça baiana e está foragido desde o sábado (4).
Eles são acusados por formação de quadrilha, roubos e atos de vandalismo, durante os protestos da greve da Polícia Militar da Bahia. Atos que deixaram de ser contestados por muitos, depois da divulgação, nessa quarta-feira (8), de gravações telefônicas entre líderes do movimento planejando sabotagens e interdição de rodovias.
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Durante toda essa semana, policiais militares e federais tentaram, sem sucesso, localizar o cabo Jeoás em Natal. Ele debochou das negativas, em seu Twitter. “Policia já foi a minha casa... Estou pronto. Tem q me pegar...”.
Tiago Medeiros
Vice-presidente da ACS PMRN, soldado Roberto Cleiton Campos Fernandes.
Segundo o vice-presidente da ACS PMRN, soldado Roberto Cleiton Campos Fernandes, esta não é a primeira vez que Jeoás participa de negociações grevistas em outros estados, mas nunca houve um histórico contra ele de vandalismo ou incitação ao crime. “Ele foi para a Bahia tentar ajudar nas negociações, mas o Governo, em uma atitude intransigente, criminalizou o movimento”.
A ida de Jeoás à capital baiana deveria ter sido autorizada pelo comandante geral da Polícia Militar do RN, coronel Francisco Canindé Araújo da Silva, mas segundo o oficial, Jeoás viajou sem o consentimento do Comando.
A última vez que o policial se apresentou no quartel onde é lotado, foi na segunda-feira (6), e caso permaneça ausente, sem justificativa, por mais de oito dias, além de foragido da Justiça, Jeoás será considerado desertor. Crime militar punido com reclusão de seis meses a dois anos e com a suspensão do pagamento do salário.
Em 2008, Jeoás foi um dos líderes da greve da Polícia Militar do RN. À época, os líderes do movimento grevistas também não foram anistiados, e ele chegou a ser excluído da Polícia Militar, mas foi reintegrado por decisão da Justiça.