Polícia e MP deflagram operação Echelon contra o PCC em 14 estados

No RN, foram cumpridos dois mandados de prisão contra integrantes da facção detidos em Alcaçuz.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Josemar Gonçalves/Tripé Fotografia
Justiça autorizou 75 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão contra acusados de integrar o PCC no RN e em mais 13 estados.

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram hoje a Operação Echelon para atingir a estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC) que controla as ramificações interestaduais da facção criminosa. Trata-se do setor conhecido como Resumo dos Estados, que é subordinado diretamente à cúpula da organização. Ao todo, os policiais estão cumprindo 59 mandados de busca e apreensão em 14 estados. A Justiça decretou ainda prisão preventiva de 75 acusados, todos apontados como integrantes da facção.

No Rio Grande do Norte, policiais civis de São Paulo, com apoio da Polícia Civil do RN cumpriram dois mandados de prisão contra dois integrantes da facção, que já estavam presos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Outros dois mandados de busca e apreensão também são cumpridos em residências nas cidades de Mossoró e Apodi, na região oeste.

Os policiais mobilizados para a operação começaram as buscas às 6 horas. A concentração dos agentes, porém, começou duas horas antes. As investigações começaram em junho de 2017, quando o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, estava isolado pela sexta vez no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), no presídio de Presidente Bernardes, na região oeste do Estado. É por isso que Marcola, condenado a 332 anos de prisão por diversos crimes, por enquanto, não figura entre os acusados que tiveram a prisão decretada pela Justiça neste caso.

As investigações feitas pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior -8 (Deinter-8), de Presidente Prudente, e pelo grupo de Atuação especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPE, mostraram como a cúpula do grupo mantém contato com bandidos em outros Estados, atuando nos tráficos de armas e drogas. Nos últimos quatro anos, o total de integrantes do PCC espelhados fora de São Paulo cresceu 6 vezes, passando de 3 mil para pouco mais de 20 mil em 2018. A facção, que em São Paulo conta com 10,9 mil integrantes, está presente ainda em cinco países da América do Sul – Bolívia, Colômbia, Guiana, Paraguai e Peru.

A expansão do PCC pelo país levou à reação de gangues locais, que se aliaram ao Comando Vermelho, iniciando uma guerra que atinge principalmente os Estados do Norte e do Nordeste do País. Depois de São Paulo, os estados que concentram o maior número de integrantes do PCC são, de acordo com o Gaeco, Paraná (2.829), Ceará (2.582) e Minas (1.432). Foi justamente em Minas que na semana passada a facção determinou a realização de uma série de atentados contra ônibus e ataques contra postos policiais.

Tags: Crime organizado Operação Echelon PCC São Paulo
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