Agripino explica doação e antecipa prestação de contas do DEM

Senador democrata diz que teria sido colocado "no canto da parede" caso não tivesse reação imediata.

Luana Ferreira,
Fotos: Luana Ferreira
O senador José Agripino (DEM) resolveu antecipar a prestação de contas das eleições municipais depois que foi acusado de receber doação ilegal da construtora Camargo Corrêa, quinta-feira passada (26).

Embora os partidos tenham até 30 de abril para detalhar a receita de 2008, o DEM entregará a prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) até sexta-feira (4).

A informação foi dada na manhã de hoje (30), durante entrevista coletiva, pelo presidente do diretório estadual do partido, com a presença da senadora Rosalba Ciarlini, o deputado estadual José Adécio e o vereador Ney Lopes Jr., todos do DEM.

O senador democrata disse que depois que houve o vazamento da operação Castelo de Areia, no qual seu nome foi citado, caso não tivesse reação imediata, teria sido colocado “no canto da parede”.



“Se no primeiro momento não tivesse mostrado o documento, dado entrevista coletiva e aparecesse na TV Senado, poderia ter ficado no canto da parede”, disse, sugerindo que a citação “seletivamente” do seu nome teria viés político.

José Agripino afirmou que seu sentimento era de “indignação” por ter que explicar o que é legal. “Na hora que fazer o que é legal for motivo de vergonha, o país acabou”.

Ele mostrou várias vezes o recibo de R$ 300 mil que o DEM estadual deu à construtora em 15 de setembro de 2008 e distribuiu uma cópia à imprensa anexada à reprodução de matérias dos jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, além de um papel com informações sobre as doações da Camargo Corrêa.



No papel, está escrito que o PT  foi o partido que mais recebeu dinheiro da construtora e que a maior doação, de R$ 500 mil,  foi para a então candidata a prefeita de Curitiba, Gleisi Hoffmann (PT), mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Em uma das matérias, assinada por Dora Kramer e publicada em 28 de março, foi grifado o trecho: Aí a PF claudicou visivelmente, abrindo a aguarda para as críticas de que agiu orientada por “viés político”. De fato, se Agripino Maia (DEM) e Flexa Ribeiro (PSDB) são os únicos políticos citados e não se enquadram nos delitos investigados, por que citá-los como envolvidos numa operação criminosa?

O senador pediu à corregedoria do Senado para apurar se ele ou o Democratas estavam realmente sendo investigados pela Polícia Federal. Para Agripino, o fato de não haver menção específica ao seu nome atesta que o vazamento dos trechos das interceptações telefônicas teria viés político.



Além disso, serviria para desviar o foco do motivo principal da Castelo de Areia, que é apurar o superfaturamento em R$ 72 milhões na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

O democrata comentou o trecho vazado: "A doação de Agripino será como ele quer". "Como ele quer é assim: de maneira correta, legal", disse, mostrando mais uma vez a cópia do recibo.

Ele explicou que a doação da construtora se deu por intermédio de Paulo Skaff, presidente da Fiesp, e que não conhece nenhum diretor da Camargo Corrêa.



“Conheço Paulo Skaff há muito tempo, e desta relação surgiu a intenção de a Fiesp ajudar. Foi ele quem identificou a Camargo Corrêa”, disse, acrescentando que a intenção da Fiesp seria contribuir para o equilíbrio entre a situação e oposição. “É preciso que esse líder (de oposição) sobreviva”. As maiores doações que o DEM do Rio Grande do Norte recebe são de empresas nacionais.

No final, José Agripino disse que o episódio não afetará o projeto de se reeleger senador em 2010. "Eles não conseguirão manchar minha imagem".
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