“Eleitores devem pensar no futuro do país e não nos detalhes”, diz cientista político

O cientista político João Emanuel Evangelista aconselha que eleitores busquem as propostas, pois a gestão do país será feita com base nelas.

Marília Rocha,
Ter um olhar “macro” para votar nas eleições 2010 para a Presidência da República é o conselho dado pelo professor e cientista político João Emanuel Evangelista. Os comentários do segundo turno e a posição do Rio Grande do Norte na campanha foram tema da entrevista com o estudioso que pontuou questões importantes para a política potiguar.

A analise das eleições começa com a explicação de que o segundo turno “é outra conversa”, com possibilidade de mudanças no marketing e detalhamento de questões, que antes passavam despercebidas pela quantidade de candidatos.

Para João Emanuel, o segundo turno é mais uma oportunidade de votar com mais coerência, já que são mais 28 dias de campanha. “Para o eleitor, o mecanismo do segundo turno oferece mais liberdade de escolha onde o eleitor pode fazer experiências eleitorais e comparar os dois projetos de forma muito clara”, argumenta.

Neste segundo turno, os itens como igualdade de condições na propaganda eleitoral e separação da campanha – que agora deixa de lado o caráter regional – são pontos importantes para a escolha presidencial.

E para conquistar votos, vale tudo, até mudar de “rótulo” e explorar questões polêmicas. Sobre isso, o cientista comenta. “Alguns candidatos vão querer evitar uma comparação do governo e por isso, vão lançar debates sobre detalhes de comportamento e até de apoio [como acontece agora com a questão do aborto]. Isso faz parte da campanha, do marketing político para desestabilizar a campanha de outros”, explica o professor.

Com o objetivo de evitar que os eleitores se confundam, o pesquisador político aconselha. “A discussão principal deve ser sobre o futuro do país, os projetos econômico, social e o que eles pretendem construir”, detalha.

O “malabarismo político” é uma discussão que pode ficar “secundarizada” de acordo com o professor, ocupando um espaço menor.

No Rio Grande do Norte, para o professor, a campanha para a Presidência da República ainda está “fria” motivada pela não intensidade do regionalismo. “No primeiro turno, a situação era diferente: com os cabos eleitorais pedindo votos para deputados estaduais, federais, Governo do Estado e a mobilização era bem maior. No segundo turno, o sistema político mudam e os candidatos eleitos ou não, trabalham com a energia menor”, esclarece.

O certo mesmo, após as análises, é que os eleitores brasileiros vão escolher entre Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) para governar o país nos próximos quatro anos.
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