O deputado federal Henrique Alves defende que o bloco de partidos que apoia o governo Wilma de Faria tenha candidato único e, mais do que isso, considera que a divisão do campo do governo “só traria malefícios, prejuízos”.
A declaração foi dada hoje (14) pela manhã, durante entrevista do deputado e presidente estadual do PMDB ao Jornal 96, da 96 FM.A resposta de Henrique foi dada à pergunta se haveria a possibilidade de uma candidatura alternativa que unisse o PMDB ao PMN e PR.
“Para o PMDB essa hipótese não existiria, porque ela seria contraproducente, ela iria dividir o núcleo. Aí a disputa, ao meu ver, seria interna, entre os dois candidatos, para ver quem iria para o segundo turno com o candidato da oposição”, respondeu Henrique.
Ele ainda afirmou que tal contexto “não teria nenhuma vantagem”. “Eu acho que só traria, portanto, malefícios, prejuízo, para uma candidatura que deveria ser única para tentar somar e ganhar a eleição.”
Uma candidatura alternativa não teria, portanto, a adesão do PMDB, segundo disse Henrique. “O que nós temos que fazer, é uma candidatura que una a todos, una João Maia, Carlos Eduardo, o vice-governador Iberê, o deputado Robinson Faria, e aí sim se torne uma candidatura bastante forte, bastante consistente, ajudando até a uma composição, como eu desejo, com o PMDB”, enfatizou ele.
O deputado também contou sobre como ocorreu a reunião entre ele, o senador Garibaldi Filho e o presidente Lula ontem à noite. “Foi uma conversa muito boa, acho que foi uma quebra de gelo, porque Garibaldi está afastado do governo há algum tempo, não numa posição contra, mas distante. Fiz o meio de campo para reaproximar ele e o presidente Lula”.
Apesar da avaliação de Henrique, durante a reunião Garibaldi externou ao presidente da República sua preferência pelo nome de Rosalba Ciarlini(DEM) e justificou isso a motivos como a proximidade que ele tem com a senadora.
O encontro ainda serviu para que Lula informasse a Henrique que pretendia formalizar a aliança entre o PT e PMDB, em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff, nos próximos dias, com o provável convite para a legenda indicar o candidato a vice. “Acredito que isso vai facilitar muito as sucessões estaduais, a começar pelo Rio Grande do Norte”, disse o deputado.
Comentando sobre o desejo de parte do partido em apoiar Rosalba, Henrique disse que acha “muito difícil de imaginar o PMDB do Rio Grande do Norte no palanque do principal líder da oposição ao Governo Federal”, fazendo referência ao senador José Agripino (DEM).
Quanto ao anúncio da escolha do candidato da base governista, o deputado peemedebista disse que tal decisão só deve ser tomada quando for fruto de consenso entre os partidos que compõem o grupo.
Confira a entrevista completa concedida ao Jornal 96 desta quarta-feira (14).
Leia a entrevista na íntegra:
Está todo mundo curioso para saber detalhes e o clima da conversa de ontem entre o senhor, o senador Garibaldi e o presidente Lula… Olha, foi uma conversa muito boa, uma quebra de gelo, digamos assim. Garibaldi estava afastado do governo há algum tempo, não uma posição contra, mas estava distante. Eu fiz o meio de campo de reaproximar Garibaldi do presidente Lula e do próprio governo. Foi uma primeira conversa. Lula, de importante, ratificou que nos próximos dias vai unir o PT e convidar as lideranças nacionais do PMDB para formalização do pré-compromisso da candidatura presidencial do PT, a ministra Dilma Rousseff. O vice caberá ao PMDB e é uma coisa natural, porque nós somos governo e o maior partido da base aliada. É portanto ético, coerente, lógico, político, eleitoral, partidário, já que. É um pré-compromisso para que a convenção democraticamente venha ratificar mais adiante. Ele falou isso a Garibaldi, que era esse o desejo dele e que era esse o caminho do PMDB. Com exceção de alguns estados, que não são contra a ministra Dilma Rousseff, a candidata do futuro, são contra ela hoje. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), o governador (de Santa Catarina) Luis Henrique (PMDB), que tem alianças com o PSDB e com o DEM já estão apoiando o candidato da oposição, o governador (de São Paulo) José Serra (PSDB). Há algumas exceções, mas é natural que haja esse entendimento entre PMDB e PT e acredito que isso vá facilitar muito as questões estaduais, a começar pela condução do processo no Rio Grande do Norte. Noto também Garibaldi muito preocupado com a questão estadual, que não tem ainda uma solução à vista, já que ele quer um encaminhamento e eu desejo outro: trazer essa base aliada nacional para uma situação mais confortável aqui no estado. Mas para uma primeira conversa eu achei muito positiva. Durou cerca de 30, 40 minutos e depois eu fiquei um pouco mais com o presidente, entrou a questão do pré-sal. Ele me convidou para acompanhá-lo na viagem ao São Francisco e eu o farei amanhã.
Na conversa com o presidente, o senador Garibaldi Filho foi claro dizendo que a tendência dele era apoiar a senadora democrata Rosalba Ciarlini ao governo do estado. Isso não cria uma grande dificuldade para o líder do PMDB na Câmara dos Deputados? Mas a dificuldade é recíproca, é também do próprio Garibaldi, já que vamos ter uma aliança nacional com o PT. O PMDB hoje tem uma participação de muita qualidade no governo Lula: tem sete ministérios agora com a filiação de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, que tem status de ministério, tem Elias Fernandes no DNOCS. Este é o nosso governo. E o líder maior da oposição ao governo Lula é do Rio Grande do Norte. Então você imagina o constrangimento de nós estarmos dentro do governo aliado a quem faz oposição maior ao presidente. Ele sabe que a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) tem uma oposição moderada…
Mas é do Democratas, é do partido do senador José Agripino… Cria esse quadro de impossibilidade: como é que ficaria o PMDB nacional com o DEM aí no Rio Grande do Norte no palanque falando mal do governo Lula e eu no mesmo palanque falando bem do governo Lula? Quer dizer, é difícil imaginar no palanque o discurso do DEM - que vai fazer uma campanha ao meu ver que vai radicalizar, vai ser se tornar muito apaixonante – aliado ao PMDB no Rio Grande do Norte. Como seria o discurso do PMDB com o candidato a vice-presidente da República na chapa do PT, que deverá ser o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, engajado na chapa que fará crítica ao governo Lula?
Então o senhor admite que o PMDB está dividido? Não, porque não há ainda essa caracterização. A minha relação com Garibaldi é muito boa, muito franca, muito fraterna. Vamos encontrar um caminho de ajustar esse comportamento para evitar uma divisão do PMDB que venha se tornar factual. Vamos evitar isso, aguardar os acontecimentos, e o próximo passo é o convite do PT para o PMDB participar na chapa com o vice, o que, volto a dizer, é natural. Não teria o menor sentido apoiarmos um candidato de oposição a um governo que nós somos. Como é que seria um discurso querendo mudar o governo que nós estamos fazendo com a aprovação de mais de 80% da população é brasileira? A não ser aqueles que já fazem oposição hoje, que não é o caso de Garibaldi. A posição de Garibaldi é peculiar, muito regional, por uma relação muito próxima que tem com a senadora Rosalba Ciarlini.
Garibaldi disse ao presidente os motivos da resistência a uma aliança com a base aliada no Rio Grande do Norte? Não, ele colocou a relação dele com Rosalba, a convivência com ela no Senado. E eu compreendo isso. Mas não é uma questão apenas de afinidade, mas política, partidária. Como estaria o PMDB no palanque com o principal líder da oposição a este governo? Já hoje nos jornais o senador José Agripino está criticando a viagem do presidente Lula para verificar as obras do São Francisco, dizendo que é eleitoreira. Quer dizer, ele é um crítico permanente do presidente Lula e eu estou todo dia a defender o presidente. Então como vamos subir no mesmo palanque no Rio Grande do Norte com um discurso tão conflitante?
As declarações que o senador Garibaldi deu ao presidente Lula ontem não enfraquecem sua presença na Unidade Potiguar? Não, até porque nunca neguei dentro da Unidade Potiguar que eu não estava representando ali o PMDB. Ali é a presença minha pessoal. Eu sempre disse que tinha um compromisso com Garibaldi e não definiríamos a posição do partido enquanto não acertássemos essa questão no partido.
O senhor usou o verbo no passado: ‘estava ali’. O senhor não está mais na Unidade Potiguar? Não, estou recordando para mostrar que não é uma coisa de hoje. É uma coisa que quando aconteceu eu já deixei claro: que eu não poderia ali estar representando todo o PMDB porque era evidente a discordância de Garibaldi àquela época. Continuo nesse bloco, ontem eu tive uma reunião com o deputado João Maia. Vamos ter outra reunião no fim de semana com todos os outros.
Está marcada para quinta-feira… Iria ser, mas como o presidente Lula insistiu ontem, e ele fez um convite muito afetivo, muito carinhoso para acompanhá-lo na visita (à transposição) do rio São Francisco… Ele conhece a história de Aluízio Alves nesse projeto todo, sabe que é uma coisa emocional pra nós do Rio Grande do Norte. Esse é um projeto que meu pai sonhou e fez todo o estado sonhar com ele. Então essa reunião ficará para domingo, no máximo segunda-feira.
As coisas estão se precipitando dentro da base da governadora Wilma de Faria. Como é que fica a Unidade Potiguar nesse momento? Veja bem: a governadora, além do processo de liderança que ela exerce, ela é do PSB, e o PSB tem o direito de ter claramente o seu candidato, que é o vice-governador Iberê Ferreira. Agora, não é uma definição da liderança, por mais forte que seja a da governadora Wilma, que vai decidir a candidatura desse grupo todo. Existe uma candidatura do PSB que, para ser vitoriosa, tem que buscar o consenso dos demais partidos.
Mas ela não é a grande líder da própria sucessão? Acredito que seja, mas um líder tem que acompanhar e ouvir os liderados. E ela tem feito isso. Quer dizer, a ideia de o PSB ter um candidato não quer dizer que esse seja o candidato de todos. Acho que é essa a postura que vai levar à vitória. Vamos juntar as candidaturas do deputado estadual Robinson Faria (PMN), do deputado federal João Maia (PR), do ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT), além de Iberê Ferreira, e entre eles buscar uma de consenso. O que for mais capaz na aglutinação, no agregar, no somar, será o candidato. Só que o vice-governador Iberê Ferreira leva uma vantagem natural porque ele será o governador em exercício. Qualquer um no lugar dele aspiraria a reeleição. Esse é um dado que precisa ser compreendido, mas num processo de ampla discussão. Não adianta uma candidatura só sem apoio dos demais. Esse processo vai levar ainda algum tempo, até o mês de novembro, para se consolidar.
Se houver uma decisão da base de Wilma agora, o PMDB não estará unido agora para dar uma resposta a este bloco? Primeiro eu acho que não haverá uma decisão agora…
A governadora quer outubro. Afinal, vai ficar pra quando? A decisão deve acontecer quando ela tiver madura, quando ela for consensual. Não adianta uma candidatura agora. E aí? O que vai acontecer? Nada.
João Maia chegou a perguntar a Robinson sair candidato mesmo sem o apoio da base da governadora ou mesmo do Democratas. Existe possibilidade de candidatura alternativa unindo PMDB, PR e PMN? Não, para o PMDB essa hipótese não existe. Porque eu acho que seria contraproducente, dividiria o núcleo. Aí a disputa seria interna entre os dois candidatos para ver quem iria para o segundo turno com a candidata da oposição. Não teria nenhuma vantagem, só traria malefícios à candidatura, que deveria ser única.
E o que fazer com a preferência de Garibaldi por Rosalba? Aí é conversar, porque preferência não é o único item para definir uma candidatura. Há outros aspectos partidários, de coerência, de participação do governo Lula, que têm que ser considerados. A minha conversa com Garibaldi é de todo dia, de toda hora. Vamos ver quem até lá convence o outro. E vai contar também não só o que Garibaldi quer, o que Henrique quer. Tem também os deputados estaduais José Dias, Nelter Queiroz, Walter Alves, Poti Júnior e os prefeitos do PMDB que vão opinar na hora certa.