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José Agripino Maia: "Eu sabia que aquela platéia não era a minha platéia"

Referindo-se à aliança do DEM com o PMDB, em 2006, o senador José Agripino afirma que houve radicalismos na campanha de Garibaldi Alves e aquilo espantou seu eleitorado.

Por Redação
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Vlademir Alexandre
“Não tenho como fazer aliança com o PT”. Com esta frase o senador José Agripino Maia resumiu o sentimento que tem pelo partido do presidente Lula e que pode firmar uma aliança com o PMDB e o PSB em Natal nas eleições deste ano.

Além de eleições municipais, o presidente estadual do Democartas, respondeu, durante a 2ª Sabatina promovida pelo portal Nominuto.com na sexta-feira (28), no auditório da Fiern, a vários questionamentos,  principalmente com relação ao cenário nacional e ao quadro político de 2010 no Rio Grande do Norte.

O parlamentar norte-rio-grandense é um dos líderes da oposição ao Governo Federal e está no seu 3º mandato como senador da República. Também foi prefeito de Natal de 1979 a 1981 e governador do Estado duas vezes. A primeira administração no Executivo estadual foi de 1982 a 1986 e a segunda de 1990 a 1994.

José Agripino foi o segundo convidado da Sabatina Nominuto, uma entrevista coletiva, feita pelo corpo redacional do portal Nominuto.com, que contou com a participação dos internautas e da platéia presente ao evento.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:



Nominuto – Como o senhor avalia o momento no Congresso nacional depois da crise de Renan Calheiros e agora na gestão Garibaldi Alves Filho?

José Agripino – Em processo de recuperação. Fazendo um esforço sobre humano para recuperar a credibilidade. O Congresso, no calvário que levou à renúncia de Renan [Calheiros], perdeu muito da credibilidade. Primeiro de tudo porque ao longo da discussão 'renuncia ou não', 'caça ou não', 'estava usando da estrutura da presidência para se salvar ou não', esse processo todo produziu um desgaste para Renan e para a instituição porque o nível de informação das pessoas é relativo. As pessoas vêem as imagens na televisão e não sabem fazer a devida separação entre o acusado e a instituição. E as cenas de pugilato, os bate-bocas inevitáveis, tudo isso denegriu muito a imagem da instituição Senado. Tudo isso se somava a uma coisa que está impedindo o funcionamento correto do Senado e da Câmara que é o entupimento da pauta pelas medidas provisórias. Então, além do episódio Renan ter impedido a produção legislativa de boa qualidade, as medidas provisórias acrescentaram ainda ao freio que se estabeleceu. O episódio Renan se encerrou com o placar que o Brasil acompanhou. Algumas pessoas tiveram a capacidade de se diferenciar, outras não.

NM - O senhor se considera uma delas?

Eu me considero, sem querer ser pretensioso, eu acho que consegui, pelos episódios que vivi, consegui marcar minha posição com muita clareza. Ninguém consegue enganar as pessoas durante seis meses e acho que minha posição foi uma só o tempo todo. Digladiando, muitas vezes sendo desafiado ao vivo por Renan, de quem não tenho nada pessoalmente. Agora achava que ele estava prejudicando em muito a imagem da instituição, usando a instituição.

NM - Mas, hoje, ele tem contra o senhor...

Demonstrou ter. Hoje não, ele me cumprimenta bem. Veja bem, guardo um conceito dele: é um homem muito esperto politicamente, muito hábil, é um político diferenciado, agora está com a imagem comprometida. Não sei por quanto tempo, mas está com a imagem comprometida. Mas, vamos voltar à sua pergunta, que é muito importante. Depois da renúncia de Renan, Garibaldi, que vinha se colocando como candidato, ele correu riscos se antecipando na pretensão de ser candidato a presidente (Senado), ele se antecipou correndo o risco de ser queimado. E na hora H, por circunstâncias diversas, ele terminou tendo o apoio do PMDB e eu consegui neutralizar a oposição. Levei os votos do Democratas e consegui convencer Artur Virgílio a votar nele. Ele (Artur) se convenceu com uma condição: de Garibaldi assinar uma carta-compromisso, que até hoje Artur Virgílio cobra dele com relação aos vetos, as medidas provisórias e a independência do poder legislativo. Garibaldi assumiu e agora ele está enfrentando o processo de recuperação de imagem do Senado que já não tem a âncora que puxa para baixo do caso Renan. Esse contencioso está removido. Mas tem como nunca o acúmulo de medidas provisórias, que está nos levando a um "tour de force", a um enfrentamento com o governo. Se não conseguirmos evitar essa quantidade monumental de medidas provisórias – são duas ou três por semana – o Congresso vai ficar o tempo todo com a pauta obstruída ou discutindo Medida Provisória e reforma tributária, critério de reajuste de salário mínimo, reajuste de aposentados, projeto de lei de células-tronco – coisas de interesse do país e coisas de interesse dos congressistas, que têm boas idéias e querem transformá-las em lei – vão ficar sem oportunidade de discussão. Então, o governo, que diz que só ele trabalha, está nos impedindo de trabalhar. Então, a oportunidade de o Senado recuperar a imagem passa pela reformulação dos critérios de tramitação de Medida Provisória.

NM – O senhor é um dos líderes da oposição e tem isso de forma contundente e, no entanto, o presidente não pára de subir nas pesquisas de popularidade. Como o senhor analisa essa questão: é a oposição que está errando, o presidente que está acertando, ou a população que não está enxergando?

JA – O presidente é um sortudo. Não há nenhuma dúvida de que ele é um sortudo. A popularidade dele é produto de circunstâncias, todas favoráveis. Eu acho que é importante a gente conceituar papel de governo e da oposição no regime democrático. Nesse regime onde as pessoas delegam a outras, através do voto, missões ou atribuições, quem ganha, governa. Quem não ganha, tem a obrigação de fiscalizar. Governo e oposição têm papel igualmente relevante. Governo tem a obrigação de cumprir os compromissos que tomou e oposição tem a obrigação, perante a sociedade, de denunciar, fiscalizar, vigiar e aperfeiçoar. Eu critico os erros dele [Lula], não critico Lula pessoalmente. Eu vou criticar o Bolsa Família? Não, eu vou fazer os reparos ao programa, como acabei de fazer há poucos dias. Quando o programa foi ampliado, qual era o cuidado mínimo que deveria ter sido feito? A obrigação de se manter na escola a criança. Os índices de evasão escolar avaliados nos 1.200 municípios mais beneficiados pelo programa Bolsa Família mostraram que a evasão escolar tinha crescido ou se mantido no mesmo patamar em 2/3, ou seja 64%. Então, o objetivo do uso do dinheiro público, que é da melhor qualidade, gastar dinheiro para manter a criança na escola, tinha produzido efeito negativo. Ou seja, você está habituando as famílias a uma esmola, a uma dependência do Estado. E não estava criando um instrumento de crescimento da família dentro da estrutura social. Foram examinar o porquê. Por que as crianças a partir de 15 anos não recebiam mais, enquanto entre 2002 e 2005 – período examinado – o Bolsa Família tinha crescido de 30 para 45 milhões de beneficiários? Ou seja, foi aumentado o número de beneficiários adultos e as crianças de 15, 16 anos não recebiam. Então, a oposição que eu faço é uma oposição altiva, mas corajosa. Porém, alguém ter que criticar, interpretando o sentimento da sociedade, e dizer ao Congresso que chega de CPMF. Depois da vitória da CPMF, estive no Rio e fui a um restaurante. Numa certa hora, estava indo ao banheiro, quando fui parado em todas as mesas. Sendo que nas duas últimas mesas, onde estava o jornalista Renato Machado, numa delas fui aplaudido.

NM – Lembro que o PFL, hoje DEM, participou do governo Fernando Henrique Cardoso, apoiou a CPMF na ocasião e houve também uma avalanche de Medidas Provisórias. Agora, o DEM é oposto a tudo isso que defendia, trabalhava, pregava e participava no governo de FHC. O que mudou afinal?

JA – Vamos pegar a CMPF. Lembra de como era o Brasil na época de Adib Jatene, ministro da Saúde? Lembra da economia brasileira, das crises que enfrentávamos, da necessidade que o Brasil teve de ir ao FMI várias vezes? Lembra que o plano Real foi o plano salvador, que iniciou o processo de recuperação da economia e tudo aconteceu no contexto em que Adib Jatene, homem respeitado pelo país inteiro, propôs, numa atitude que foi extremamente debatida, contestada, mas foi aprovada. Uma alíquota de 0,20, naquela época, com o Brasil em crise e a saúde falida, para atender especificamente a saúde. Não resolveu. O tempo passou, a alíquota saiu de 0,20 para 0,38 e, ao invés de atender somente a saúde começou atender saúde, previdência e outras áreas e não atendeu a coisa nenhuma, muito menos a saúde. O tempo passou e a economia brasileira, quando a CPMF foi criada, estava em situação rota. A alíquota de 0,20 era uma espécie de tábua de salvação que Adib Jatene propôs e conseguiu aprovação para sobreviver com a Saúde. Mas, enquanto tudo isso acontecia, a economia do país melhorava.

NM– Sobre essa vitória política que a oposição está dando ao senador José Agripino, o senhor pára para refletir que, não necessariamente, pode ser uma vitória eleitoral porque ela também requer que o senhor se ausente do Estado e esteja mais presente?

JA – Claro que sim. Os caminhos da pátria pela terra de cada um de nós. Tenho isso presente na minha cabeça. Amanhã vou Belardinho, lá em Alto dos Rodrigues, semana que vem vou novamente ao interior do Estado, hoje tinha que estar em Portalegre. Não fui porque tinha que está aqui. Eu vivo de reforma tributária, de CPI do cartão corporativo, de CPI de ONG, de embate com o Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e TV Globo, para atender ao pedido do meu vereador do municiípio de Ipueira. Mas, tenho consciência que o momento que estou vivendo não terá sentimento se eu não cuidar dos meus eleitores aqui. Quem vai me eleger não é o eleitor que bate palma para mim circunstancialmente. Tenho consciência absoluta que tenho que alimentar minha base. Vou revelar uma coisa para vocês se há para um político coisa difícil é você manter viva sua liderança depois de 25 anos de vida pública. A liderança de muito tempo está sujeita ao desgaste.

NM – Alguns adversários dizem que o senhor é uma liderança em declínio, principalmente na capital. O que o senhor tem a dizer a respeito disso?

JA – Eu tenho procurado trabalhar para que isso não seja verdade. Eu não sinto isso. A gente sabe quando não está bem, basta ir à rua. Lá você vê se está estacionado, em baixa, ou se está em alta. E, honestamente, eu não me sinto em baixa.

NM – O senhor tem conversado com a deputada Micarla de Sousa que é candidata a prefeita de Natal pelo PV e muitos já têm como certo o apoio do Democratas a Micarla. Já existe algo de concreto ou a gente pode esperar uma surpresa do Democratas, com uma candidatura própria, como se cogita o nome do deputado Felipe Maia?

JA – Você só tem candidatura e aliança feita na hora que a convenção é sacramentada. Até que a convenção aconteça, você tem expectativa de candidatura, que pode se consolidar, pode se cristalizar e pode não acontecer. A hipótese da candidatura própria está mantida. Agora eu tenho tido conversas seguidas com Micarla e conversas estimulantes a que ela seja a candidata de uma aliança com o Democratas. Eu conversei com os nossos deputados estaduais e não há qualquer óbice, também conversei com o diretório municipal do partido e não há qualquer impedimento ao apoio. Tenho conversado com nossos companheiros, líderes como Rosalba e Carlos Augusto, que não manifestam qualquer óbice. Tenho conversado com lideranças mais expressivas e elas estimulam uma aliança com Micarla, agora entre isso e a aliança, há uma distância. Há conversas consistentes, mas não há ainda a definição tomada. Caminha-se para isso? Eu diria que sim. Quem faz aliança não poder estar fazendo aliança com ambição de tirar proveito de um pedaço da vitória. Você tem que ter em mente que a aliança tem que ter como objetivo uma coisa benéfica para a cidade. Eu acho, pelas conversas que venho tendo com Micarla, que ela é uma opção de boa qualidade. É muito importante você dar oportunidade a pessoas que estão com gana de desempenhar uma função. Ela está com vontade de ser prefeita e de ser uma grande prefeita. Como ela é uma moça, do ponto de vista político, hábil, se ela for bem cercada e tiver uma boa estrutura política, ela pode, com a vontade que tem de se realizar, ser uma grande prefeita. E se nós fecharmos aliança, eu procurarei transferir para ela toda experiência que acumulei, como prefeito de Natal, como governador duas vezes e como senador, para que ela possa ser, se eleita, uma prefeita à altura das expectativas. O objetivo é fazer com que ela ganhe. Se outros partidos vieram e se outras figuras desses partidos que estão vindo oferecerem melhor qualidade à chapa do que o nosso partido possa oferecer, não haverá qualquer tipo de restrição a que a composição seja feita até com integrantes de outros partidos.

NM – A opção por Micarla é mais porque o Democratas não tem um nome? E por que não Felipe Maia?

JA – Podia ser, sim. O fato de Felipe ser lembrado, já é um fato positivo para ele e para o partido. Ele é uma presença muito recente na política. Ele foi candidato porque as lideranças do partido quase que exigiram o nome de Felipe, quando Ney Lopes deixou a Câmara para ser candidato a vice de Garibaldi. Ele [Felipe] tinha pretensão de ser candidato, mas se pudesse, ele não seria candidato a nada. É tanto que ele não se preparou, não conversou com líder político nenhum até maio de 2006. As convenções foram em junho. Ele não tinha colégio eleitoral nenhum. Foi um gesto meio ousado dele e meu. Dele, de se candidatar, e meu, de aceitar, porque se Felipe fosse eleito, era uma vitória dele, mas se fosse derrotado, a derrota era minha. Ele foi eleito numa campanha de 90 dias saindo do zero para 125 mil votos. Sendo que 25 mil, ele teve em Natal, 9 mil em Mossoró. Ele foi eleito pelos grandes centros urbanos como Pau dos Ferros, João Câmara, Nova Cruz, Currais Novos, pelos municípios grandes, que têm voto de opinião. Ele não era conhecido e fez a campanha sozinho. Em poucas vezes, ele teve minha companhia. Eu mandava ele ir em toda parte e vigiava a agenda dele, agora, minha agenda era grudada com a de Garibaldi e de Rosalba. Por ele ter tido 25 mil votos em Natal, ele é lembrado como um potencial candidato a prefeito. Poder, pode. Agora, se ele for candidato a prefeito de Natal – que pode ser – o que vai ser do futuro político dele? Se ganhar a eleição, está muito bem. Agora, se não ganhar, a base que ele precisa construir nessa eleição municipal vai para o espaço. Ele precisa fazer a eleição da municipal dele agora, para ele poder ter continuidade na carreira política dele e estar se preparando para isso. Então, poder ser candidato, pode. É honroso ele ser lembrado? Claro que é honroso. Henrique Alves é candidato a deputado federal há anos, foi candidato a prefeito de Natal e teve praticamente os votos que Felipe teve em Natal.

NM – O senhor teme esse cenário eleitoral imprensado de 2010, onde tem o senhor como candidato, Garibaldi Alves e Wilma de Faria pleiteando a eleição?

JA – É claro que vai ter uma disputa ferrenha. São três lideranças expressivas. Tem a governadora, que está aí deixando o governo, Garibaldi Alves, que é uma liderança expressiva do Estado e vai adquirir expressão nacional nesse ano, com a presidência do Senado, e eu com o capital que tenho, que posso construir, vou ficar aí na disputa.

NM - Existe um candidato mais forte, mais fraco ou preferencial?

JA – Não tem. O que existe é uma circunstância. No Rio Grande do Norte, desde Dinarte Mariz, existe uma corrente encarnada, que foi herdada por mim, que fiz Wilma minha secretária, trabalhei para elegê-la prefeita, depois a apoiei como governadora. Ela, como governadora, apropriou-se disso.

NM - O senhor a considera sua cria?

JA – Não é que ela seja minha cria, ela viabilizou-se na política como minha secretária. Quando ela foi minha secretária, eu prestigiei, no limite máximo, a sua secretaria, a Secretaria de Trabalho e Ação Social. Ela fez um bom trabalho. Depois, ela foi minha candidata à prefeita de Natal. Depois de ter perdido as eleições, ela se viabilizou com o meu apoio. Ela tem o mérito dela. Ela se instalou no cordão encarnado, que é origem de José Agripino e Dinarte Mariz, só que o poder de mando é dela. Mas, os encarnados não esqueceram José Agripino. A expectativa é que o voto dos encarnados seja dividido entre Wilma e José Agripino. As circunstâncias da vida fizeram com que, em 2006, eu apoiasse o verde, votando em Garibaldi para governador. Com isso, eu fiz grandes amigos no bloco verde, que são norte-riograndenses como os vermelhos, apenas tiveram uma outra opção partidária ao longo da vida. Foi uma campanha curiosa, pois os verdes votaram na vermelha Rosalba. Acabei adquirindo intimidade com o verde.

NM – O senhor disse que não se arrepende dessa aliança com o verde em 2006, mas notou que o sentimento da rua foi diferente do sentimento político... É isso mesmo?

JA - Notei sim. Não levei os votos que gostaria, levei apenas uma parte. Houve radicalismos na campanha de Garibaldi e aquilo espantou meu eleitor. Mas não teve um só lugar onde eu não fosse aplaudido. Mesmo assim, eu sabia que aquela platéia não era a minha platéia. Só que fui bem aceito. Por isso, afirmo que tenho votos com Wilma, que é minha origem, e com Garibaldi. Isso gera uma relação robusta.

NM – O senhor chegou a citar o nome de Micarla como possível candidata à prefeita de Natal...

JA – O nome de Micarla foi apontado há um tempo atrás a Garibaldi Alves, quando eu perguntei se ele admitia a possibilidade de apoiar Micarla, mas ele não respondeu nem que sim, nem que não. Mas também não rechaçou. Os caminhos levaram para que ele procurasse esse outro entendimento no viés da base da participação de Lula.

NM – O cenário defendido pelo prefeito Carlos Eduardo é uma aliança PT-PMDB-PSB. Na avaliação do senhor, cabe à governadora apoiar?

JA - Sou uma pessoa pouco recomendável para fazer essa avaliação porque uma disputa de egos pode comprometer essa aliança. Não podemos esquecer que o cordão encarnado, vermelho está vivo.

NM – O senhor se sente aliado de Garibaldi Alves ainda?

JA – Sim, o que foi que eu fiz hoje (sexta-feira, 28) pela manhã? Eu poderia ter recebido pelo menos seis municípios do interior, mas eu passei quatro horas e meia na Assembléia Legislativa, homenageando Garibaldi. Ele é um competidor por quem eu tenho um respeito cívico. É uma pessoa que tenho um apreço total.

NM – No início da sabatina, foi questionado se o senhor é hoje ainda uma liderança consistente, com fôlego suficiente para disputar a eleição de 2010. Uma realidade de Mossoró, o deputado estadual Betinho Rosado pediu desligamento do DEM, alegando um motivo de justa causa por discriminação. O senhor disse que desconhecia os motivos. Salientando que um dos advogados que assinam a petição, trabalha para o Democratas de Mossoró...

JA - Lembra que na entrevista que ele deu, ele disse que os líderes dele continuavam? Era José Agripino e Rosalba. Ele disse claramente que tinha divergências no plano nacional, por não estar sendo bem atendido. Tenho tido conversas permanentes com ele e ele não me revela mágoas, nem ressentimentos. Mas, não sei as razões, gostaria de saber para poder combatê-las e removê-las.

NM - Houve uma situação semelhante em Natal, em que os dois vereadores eleitos pelo PFL, Salatiel e Aquino Neto, deixaram o partido, e os dois suplentes também deixaram a legenda. O que aconteceu com o partido em Natal.

JA – Fidelidade partidária. Salatiel não quis votar em Garibaldi e eu não concordei porque o estava apoiando. Ele votou em Wilma e entendemos que ele deveria deixar o partido.

NM – Em Mossoró, está definida a candidatura de Fafá Rosado e de vice?

JA – Sim, Fafá é a nossa candidata. Sobre o candidato a vice, quem tem a palavra é o presidente do diretório municipal do Democratas de Mossoró, Carlos Augusto Rosado.

NM – E o que ele tem dito ao senhor?

JA – Não tem definido ainda. Entrego nas mãos dele. Não tem muito o que discutir. Rosalba e Carlos Augusto têm o direito de julgar o vice que acharem mais conveniente, para que a vitória seja expressiva.
 
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