Para Carlos Eduardo, Micarla não abriu a maternidade Leide Morais por oportunismo

Em entrevista ao Jornal 96, o ex-prefeito disse que a administração da pevista ainda estava perdida, sem saber para onde ir.

Luana Ferreira,
Fotos: Gabriela Duarte
“Eu deixei aquela maternidade pronta e equipada. Tenho todos os documentos comigo para comprovar”, disse.
O ex-prefeito Carlos Eduardo (PSB) acusou hoje (27), durante entrevista ao Jornal 96, da 96 FM, a atual administração de ter fechado propositalmente a maternidade Leide Morais, inaugurada por ele na Zona Norte da cidade antes de deixar o cargo.

“Eu deixei aquela maternidade pronta e equipada. Tenho todos os documentos comigo para comprovar”, disse. Ele classificou a decisão de Micarla de Sousa (PV) como “crime”, “desonestidade” e "oportunismo”.

A maternidade em questão, construída para desafogar o atendimento do hospital Santa Catarina, foi aberta em dezembro ainda sem ligação elétrica e quadro de pediatras incompleto, mas com infraestrutura montada.



Segundo o ex-prefeito, ela já poderia estar funcionando com uma escala menor, mas Micarla de Sousa decidiu mantê-la fechada por algumas semanas e inaugurá-la depois com o objetivo de tomar para si as benesses da construção da obra. "O oportunismo tem mil faces, e nenhuma delas é verdadeira", alfinetou.

O atendimento precário às gestantes de Natal foi matéria ontem do Jornal Nacional, que percorreu a Maternidade Januário Cicco e Hospital Santa Catarina e relatou o óbito de um feto ainda no útero, quando a gestante se encontrava há 48h internada no hospital da Zona Norte.

PSB
Carlos Eduardo comentou sobre as articulações que anda fazendo junto ao PSB para continuar presidente do diretório municipal do partido, cargo que tem sido desejado pela deputada estadual Márcia Maia (PSB) e vereadores como Enildo Alves (PSB) e Júlio Protásio (PSB). As eleições ocorrem em outubro.



“Tive com a governadora uma conversa longa e inconclusa” disse, acrescentando que Wilma de Faria é a maior líder política do PSB e deve orientar a posição dele e dos outros membros da legenda.

Ele admitiu que permaneceu na presidência do PSB nos anos em que foi prefeito por orientação do deputado federal Rogério Marinho (PSB), e que não havia tempo para cuidar do partido. “Fiquei concentrado na parte administrativa. O livro que me tornou presidente foi assinado dentro do gabinete.”

Vereadores
O ex-prefeito comentou a oposição que sofre dentro do próprio partido pela maioria dos vereadores da Câmara Municipal, e que as acusações de que ele teria forçado uma aliança entre PMDB, PSB e PT durante as eleições municipais seriam “um grande equívoco”.

“Essa é uma questão que deveria ser discutida internamente. Esses vereadores têm uma incontinência verbal que é impressionante. Não sei onde isso vai parar, francamente”.

2010
O entrevistado refez sua opinião a respeito do “pacto” formado pelo deputado federal João Maia (PR), o deputado estadual Robnson Faria (PMN) e o vice-governador Iberê Ferreira (PSB), que selaria a escolha do candidato ao governo do Estado em 2010 entre eles e que foi chamado pelo ex-prefeito de “autoritário” e “anti-democrático”.

Segundo Carlos Eduardo, o desentendimento foi desfeito após uma conversa com Robinson Faria, que teria aberto a outros interessados da base governista a possibilidade de se candidatar nas próximas eleições.

O entrevistado fugiu, entretanto, de comentar o cenário de 2010, dizendo que ainda era “muito cedo” e que o povo espera ver as ações do poder executivo e legislativo.

Micarla de Sousa
O ex-prefeito aproveitou para criticar a postura de Micarla de Sousa em divulgar um rombo na prefeitura quando, segundo o Diário Oficial, ele deixou em caixa cerca de R$ 10 milhões. "A prefeita assumiu falastrona e rancorosa", afirmou, comparando a gestão dela a de um cachorro que caiu do caminhão da mudança. "Está perdida, não sabe para onde ir".

Confira abaixo a entrevista completa concedida ao Jornal 96 desta sexta-feira (27).


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