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PV conversa, mas adia definição sobre a sucessão estadual

Micarla recebe aliados num almoço que entrou pela noite, mas após horas de conversa os verdes não decidiram quem vão apoiar ao governo.

Por Alisson Almeida
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O almoço que a prefeita Micarla de Sousa ofereceu aos parlamentares e lideranças do PV no Rio Grande do Norte – nesta quarta-feira (20), na praia de Piranbúzios (Litoral Sul) – entrou pela noite e, segundo um filiado que estava no encontro, terminou sem a definição do posicionamento da sigla sobre a sucessão estadual.

O assunto nem ao menos teria sido discutido. Mas o pevista observou que pelo menos uma coisa não se questiona: caberá à prefeita definir o rumo a ser seguido pela legenda. O espectador da longa conversa conduzida pela prefeita enfatizou que “o partido ainda não escolheu seu candidato a governador e, portanto, está aberto a qualquer possibilidade, podendo vir a apoiar tanto a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) quanto o vice-governador Iberê Ferreira (PSB)”.

O encontro serviu para os verdes reafirmarem a liderança da prefeita de Natal, demonstrando que seguirão sua determinação – sem pestanejar – sobre o processo sucessório potiguar. “É uma demonstração de que o PV está coeso e unido, ao contrário de outras agremiações que estão completamente divididas”, declarou o militante.

A reportagem do Nominuto.com conseguiu apurar que a prefeita impôs a lei do silêncio aos correligionários, desautorizando-os a dar declarações públicas sobre as questões internas do PV – principalmente a crise da legenda com o DEM do senador José Agripino Maia e da senadora Rosalba Ciarlini.

Ontem (19), o vereador Paulo Wagner externou a insatisfação dos pevistas pelo fato do partido ter sido deixado de lado das articulações sobre o fechamento da chapa da oposição que concorrerá ao Governo do Estado.

O motivo do descontentamento se deve ao almoço do último dia 11, ocorrido na casa de veraneio do deputado estadual Robinson Faria (PMN), na praia de Pirangi, sem a presença de nenhum “verde”, quando os caciques fecharam o acordo para compor a chapa oposicionista – com a senadora Rosalba Ciarlini e o próprio Robinson Faria candidatos a governador e vice, respectivamente.

Além do líder do PMN e da senadora democrata, o encontro reuniu os senadores José Agripino (DEM) e Garibaldi Filho (PMDB), além de deputados estaduais e federais.

Mas Micarla de Sousa, em entrevista concedida após participar da inauguração de uma praça no bairro de Cidade da Esperança (Zona Oeste), no final da manhã de hoje, procurou despistar e negou a existência do clima de insatisfação dentro do PV, assegurando ainda que a relação com o DEM continua “harmoniosa”.

Prioridade
No encontro de hoje, os verdes definiram que a prioridade para 2010 é eleger um deputado federal e quatro ou cinco estaduais. Entres aqueles que vão disputar uma vaga na Câmara dos Deputados os nomes mais fortes são do vereador Paulo Wagner e do chefe de gabinete e irmão da prefeita Fafá Rosado (DEM) de Mossoró, Gustavo Rosado.

Para a Assembleia Legislativa, além de tentar renovar o mandato dos atuais deputados Luiz Almir e Gilson Moura, o partido aposta na candidatura do radialista Miguel Webber, marido da prefeita natalense.

“Nós queremos colher uma grande vitória neste ano com a eleição de um deputado federal e quatro ou cinco estaduais. Essa é a prioridade do PV no Rio Grande do Norte”, sustentou o interlocutor “verde” à nossa reportagem.

Apoio de Micarla a Iberê pode afastar esquerda
Caso se confirme, o apoio da prefeita Micarla de Sousa à candidatura do vice-governador Iberê Ferreira de Souza poderá levar os partidos de esquerda a abandonarem o palanque governista. PT, PCdoB e PDT não estariam dispostos a participar de uma mesma aliança com o PV.

“Haveria uma dificuldade desses partidos se relacionarem com os verdes”, relatou um interlocutor da base governista que vem participando das conversas para definição da candidatura do sistema. Esse interlocutor citou as diferenças ideológicas e o rescaldo da campanha de 2008 como fatores que dificultariam a aproximação com o PV.

A análise que o governista faz da movimentação do PV é que a prefeita está “usando o processo para se valorizar dentro do grupo que ela integra e no qual deverá continuar”.

“É tudo combinado para a prefeita se supervalorizar. Ela fica sinalizando para todos, mas isso é só balão de ensaio. De repente, pode ser que o PV não se coligue com ninguém na majoritária e faça aliança só na proporcional. Não seria primeira vez que eles fariam isso. Fizeram em 2006, quando se coligaram só na proporcional com o PSDB e Micarla conseguiu se eleger deputada estadual”, argumentou.

O apoio de Micarla a Iberê pode terminar fortalecendo a pré-candidatura do ex-prefeito de Natal e desafeto da pevista, Carlos Eduardo Alves (PDT). O presidente do PDT potiguar vem mantendo conversas com o vice-governador, chegando a ser cotado para ser o vice na chapa do PSB, mas já deixou claro que não sobe no mesmo palanque da atual prefeita.
 
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