Turbulências agitam PT no Rio Grande do Norte

Após comentários sobre divisão interna e denúncias de irregularidade no PED, o partido ainda enfrentou a crise na Sesap e tenta manter a FJA.

Gabriela Barreto,
Gabriela Barreto
PT dividido mais uma vez: militantes pedem rompimento com governo Wilma
O ano de 2007 não terminou nada bem para o Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte. E assim também se iniciou 2008, carregado por uma série de turbulências que vinham afetando o partido desde outubro do ano anterior. O partido enfrenta conflitos internos e também o debate sobre a participação no Governo do Estado.

O primeiro problema enfrentado pelo partido começou após o anúncio da pré-candidatura do deputado estadual Fernando Mineiro à Prefeitura de Natal. Depois disso, surgiram boatos de que a legenda estaria dividida internamente, resultado de divergências entre o grupo liderado por Mineiro e outro liderado pela deputada estadual Fátima Bezerra.

Embora ambos tenham negado as informações na época, recebendo inclusive o apoio de alguns militantes, que reforçaram a inexistência de uma crise, a divisão voltou à tona com o Processo de Eleições Diretas, o PED.

Realizado em dezembro de 2007, o processo acirrou as diferenças e afastou ainda mais os grupos. O grupo vencedor, com Geraldo Pinto para a presidência estadual e Vilma Aparecida para a municipal, foi apoiado por Fernando Mineiro. O derrotado, composto por Júnior Souto para presidente do diretório estadual e Hugo Manso para o municipal, teve o respaldo de Fátima Bezerra.

Compra de votos

Após o segundo turno das eleições, o ex-deputado Júnior Souto revelou ao Nominuto.com que as eleições foram irregulares, pois houve compra de votos, em vários municípios, por parte de Geraldão.

Denúncias feitas, falta de provas e ameaças de processo acabaram enterrando o caso. De acordo com Geraldão, o problema seria resolvido internamente no partido, mas ninguém informa ao certo qual foi o fim da polêmica.

Crise na Saúde

E quando as coisas pareciam calmas, surge outra bomba: a crise na Saúde, pasta ocupada pelo partido, começou a incomodar, pois o PT foi exposto como o grande culpado pelo ponto crítico em que os serviços públicos de saúde se encontravam.

O PT, por sua vez, se defendeu, alegando falta de autonomia. O governo pressionou, o PT rebateu e entregou a pasta. Quem resolveu ficar ao lado da governadora Wilma de Faria (PSB), como o titular da secretaria, Adelmaro Cavalcanti, acabou se desligando do partido.

Após a crise, o partido tenta manter a direção da Fundação José Augusto, comandada pelo jornalista Crispiniano Neto. A reunião com a governadora acabou repleta de promessas de autonomia e investimentos para a cultura no estado.

Agora, um novo questionamento: alguns militantes estão pedindo o rompimento da aliança do PT com o PSB. E o quadro começa a se desenhar em Natal, uma vez que a governadora não deverá apoiar o candidato petista à prefeitura. O PT, por sua vez, dá sinais de uma aproximação com o PMDB, a exemplo do que acontece nacionalmente.
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